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Clock segunda-feira, 13 de setembro, 2010 - às 04h28

“O Retrato de Dorian Gray” mostra o lado obscuro da juventude eterna

Livro aborda discussões morais sobre o sonho da vida eterna.

O sonho da eterna juventude. Viver para sempre está entre os desejos mais antigos da humanidade e sendo assim, mitos sobre a imortalidade, como a fonte da juventude, tornaram-se tão fortes que embora antigos, ainda permeiam o mundo das produções teatrais, cinematográficas e claro, literárias. Porém poucas obras mostram o valor moral e o possível lado mais obscuro do eterno sonho de viver para sempre e sendo assim, acho que posso dizer que existem poucos livros como o “Retrato de Dorian Gray”, único romance escrito pelo dramaturgo irlandês Oscar Wilde.

O livro retrata a história de Dorian Gray, um rico e jovem membro da aristocracia inglesa do século XIX. Possuidor de uma beleza invejável, o jovem tem um retrato seu pintado por seu amigo Basil Hallward, que nele completa sua obra prima. Embriagado pela própria beleza exposta no quadro e enraivecido pelo fato de que ele terá que envelhecer enquanto sua imagem no retrato mantém-se eternamente jovem, em um momento de desespero este faz um estranho pedido, de que a pintura envelhecesse em seu lugar. Desejo este que é atendido e assim Dorian passa a manter-se jovem enquanto o retrato “guarda” não somente os anos de sua vida, mas também os pecados de seu caráter.

Escrito praticamente todo a base de diálogos, (reflexo de um escritor que tem nas peças teatrais a base de sua produção literária), o autor deixa que as conversas transmitam toda a personalidade de seus personagens, suas angustias e seus estilos de vida. Trabalho no qual é muito bem sucedido. Seguindo um ritmo um tanto truncado, devido principalmente ao uso freqüente de um vocabulário mais rebuscado, o livro recheia-se de diálogos bastante extensos e expositivos para que possamos acompanhar de perto a natureza dos envolvidos na história.

Personagens estes que se mostram extremamente cativantes e figuras como a da alegre e ingênua Sybil Vane, o apaixonado Basil Hallward ou o frio e mortas de Lord Henry, são apenas alguns exemplos da construção meticulosa e do cuidado que Wilde teve ao conceber sua história. Mas nenhum deles se mostra tão bem ornado e cativante quanto o protagonista, Dorian Gray. Seu caráter sempre dividido e a maneira sutil em como o autor o transformam de um garoto ingênuo e amável a um homem maduro e brilhante, porém arrogante e angustiado, o tornam facilmente o personagem mais interessante do livro.

Más Wilde não mantém-se apenas a conversas, já que freqüentemente passa a uma narração “em off”, propondo uma quase “conversa” com o leitor. Porém embora esses momentos exponham muito da visão do autor sobre o mundo, estes em determinados momentos tornam-se extensos demais, servindo apenas para quebrar o ritmo narrativo que anteriormente havia sido construído.

Infelizmente não podemos dizer que a obra de Wilde permanece inteiramente intocada pelo tempo. Concebido como uma obra de caráter crítico, principalmente a juventude aristocrata da época, o livro faz menção a alguns valores e opiniões (principalmente políticas) que se tornaram vazias e obsoletas para nossa geração, embora seu caráter moral ainda seja extremamente poderoso.

O autor nos leva a imaginar o quão maravilhoso seria se pudéssemos ser eternamente jovens, no auge de nossa capacidade física e intelectual, podendo sempre apreciar o mundo com os olhos curiosos de um jovem e não com o olhar experiente de um adulto. Mas também somos levados a refletir o quão arrogantes poderíamos nos tornar ao percebermos que todas as pessoas que passassem por nossa vida, seriam apenas figuras passageiras, entidades sem nossa “dádiva” e destinadas a definhar enquanto sempre nos manteríamos na “flor da idade”. Isto sem contar as eternas discussões sobre a importância da beleza interior, a influencia negativa em nossas vidas e o ataque ao culto da aparência, que fazem da obra um material de muita reflexão, pois são assuntos que ainda hoje, mantém-se atuais.

Digo também que livro contém uma leve carga homoerótica e embora isto seja absolutamente normal atualmente é interessante levarmos em consideração que trechos do livro foram utilizados contra Wilde no julgamento que destruiu sua carreira, quando foi acusado de manter relações homossexuais com um menor de idade.

E finalizando, considero absolutamente perfeita a escolha do autor em nunca revelar verdadeiramente a natureza da origem da dádiva (ou maldição, ai depende do seu ponto de vista) de Dorian. Embora o próprio protagonista atribua ao seu pedido desesperado o inicio da curiosa “magia” que selou seu destino, nunca realmente é mostrada qual, ou quais forças foram responsáveis pelo triste e curioso caso de Dorian Gray. Fato que somente vem a intensificar a carga dramática e o valor moral deste livro escrito por um autor de tão brilhante talento e tão trágica vida.

O livro já ganhou mais de 10 adaptações para a telonas, sendo a última lançada em 2009 chamada “Dorian Gray”. O filme é estrelado por Ben Barnes, que fez “As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian”.

Compre o livro por APENAS R$ 10,00

Últimas sobre o assunto:

  • Amanda Lavrador

    Por acaso é baseado nessa obra uma das personagens de “Liga Extraordenária”?
    ou é ele mesmo? ( não me recordo)h

    • Japixex

      É o próprio, embora ele não apareça nas HQs cujo filme deriva.

      • Henri

        Eles aparece nas hq´s do Moore sim, so não nas primeiras edições.

  • James trenton darius

    Eu até hoje, devido dispor de pouco tempo, nunca consegui ler essa fabulosa Graphic Novel criada por Alan Morre, por isso não posso falar com tanta propriedade. Todavia, da minha rápida pesquisa no wikipédia, somado as tantas noites que eu passei procurando e desvendado coisas sobre essa Hq, acho que sei o suficiente para lhe dizer que sim, Dorian Gray compõe de alguma forma a liga do cavelheiros extraordinários.
    Ps: Tanto na versão literária quanto no cinema.

  • Douglas A.

    Livro excelente.Os diálogo acaba puxando leitor e além de ser uma história maravilhosa recomendo há todos!

    Abraço!

  • Dinizio

    Muito bom mesmo este livro, eu li tem uns dez anos na minha juventude e me recordo perfeitamente de varios detalhes. A ultima adptação para o cimema ñ gostei forge muito do q e realmente Dorian Gray… Ma enfim e um otimo livro recomendo…..

  • Pia Torres

    Eu gostei do filme, mas não há nada como o do romance final, enquanto assistia ao filme me fez lembrar da marca nova série chamada Penny Dreadful http://www.hbomax.tv/penny-dreadful/, uma história que lida com a origem dos personagens literários clássicos como Dorian Gray e Dr. Frankenstein, a verdade é muito bom.