Em 2008, o mundo foi pego de surpresa por “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e seu US$ 1 bilhão de dólares em bilheteria ao redor do globo, sem contar as vendas em DVD. Uma das histórias que influenciaram o diretor Christopher Nolan e o argumentista David Goyer no renascimento do homem-morcego dos quadrinhos no cinema fora “Batman – O Longo Dia das Bruxas“, aventura do herói escrita por Jeph Loeb e ilustrada por Tim Sale.
A história, originalmente publicada em uma mini-série em 13 volumes entre 1996 e 1997, foi relançada pela Panini Comics aqui no Brasil recentemente em uma edição de luxo, em papel LWC e capa-dura, tecnicamente primorosa, tendo como base a versão “hardcover” americana lançada pela DC Comics.
Tremendamente influenciada por longas-metragens como “O Poderoso Chefão” (partes I e II) e “M – O Vampiro de Dusseldorf“, a trama tem início pouco tempo após os eventos de “Batman – Ano Um“, série clássica escrita por Frank Miller para o personagem. Batman já possui um “acordo de cavalheiros” com o Capitão de polícia James Gordon e com o promotor público Harvey Dent em sua guerra ao crime.
O mundo da máfia, representado por Carmine Falcone e Salvatore Maroni, parece imbatível até que a união de Batman, Gordon e Dent começa a surtir cada vez mais efeito, obrigando os criminosos a apelarem para ações cada vez mais desesperadas. No entanto, o surgimento de um assassino serial chamado Feriado colocará em polvorosa as três grandes facções de Gotham City, os mafiosos, os heróis e os vilões, com o culpado podendo sair de qualquer um desses grupos.
Durante os 13 capítulos da história (quase todos com o nome de um feriado em específico, datas nas quais o assassino ataca), todos os grandes vilões do universo do herói mascarado dão o ar de sua graça, com um destaque em especial para a Mulher-Gato/Selina Kyle, cuja relação de ódio e amor com Batman/Bruce Wayne é extremamente bem explorada. Aliás, o grande foco de “O Grande Dia das Bruxas” está nos relacionamentos entre os personagens, com tal característica não se restringindo aos protagonistas.
No entanto, o realismo adotado no capítulo inicial – certamente o mais tenso e bem elaborado da história – acaba se perdendo em algumas partes da trama. Exemplos disso estão no confronto entre Batman e Solomon Grundy, na investida aérea do Coringa no Ano-Novo e no ataque da Hera Venenosa. No entanto, enquanto o ataque da sedutora botânica realmente faz parte do plot principal, as batalhas com Grundy e Coringa acabam soando como distrações para o leitor.
É interessante notar a troca de influências entre cinema e HQ que ocorreu aqui. Os fãs irão notar diversas referências aos citados filmes. Logo de cara, encontramos Bruce Wayne em quase uma recriação da sequência inicial de “O Poderoso Chefão“, com Tim Sale se espelhando na fotografia e enquadramentos da obra máxima de Francis Ford Coppola para diversas das cenas da HQ.

Seu estilo de pintura lembra um pouco o que Frank Miller e Lynn Vallery consagraram em “The Dark Knight Returns” e “Sin City“, mixando um traço estilizado e uma narrativa cinematográfica. Ao mesmo tempo, diversas sequências da graphic novel, de um modo ou de outro, surgem em “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, como a queima do dinheiro, o encontro dos três heróis no telhado e a trágica trajetória de Harvey Dent – com o trabalho de Sale com sombras e hachuras no promotor público sendo simplesmente espetacular.

Outro ponto aproveitado pelo filme de Nolan é o desprezo das organizações mafiosas pelos vilões, vistos como meras aberrações pelos criminosos tradicionais, gerando um clima de desconforto e desconfiança generalizados nas estruturas outrora organizadas do crime em Gotham. Nota-se a influência de “O Longo Dia Das Bruxas” até mesmo no marketing viral de “O Cavaleiro das Trevas”, vida a abóbora meio apodrecida que é a capa do capítulo treze da história e o slogan “Eu Acredito em Harvey Dent“.
Fechando com chave de ouro, a Panini teve o cuidado de colocar alguns extras nesta caprichada edição. Dentre eles, temos uma conversa entre Christopher Nolan e David Goyer pouco tempo antes do começo nos trabalhos em “O Cavaleiro das Trevas” sobre a graphic novel, imagem das action figures baseadas na trama, a proposta inicial de Jeph Loeb para a história, galeria de capas e esboços e entrevistas com os criadores.
Apesar de um ou dois pontos mais fracos, “Batman – O Longo Dia das Bruxas” é uma graphic novel que merece destaque na prateleira de qualquer fã do homem-morcego. Recomendada!



























16 Comentários
Sempre quis conferir essa HQ, mas infelizmente o preço ainda está bem salgado, quem sabe no futuro?
Siqueira,
ouvi falar que vai haver um HQ novo do Superman….como se fosse um reboot da sua história. Vc tem alguma notícia a respeito?
O longa dia das bruxas é uma das poucas coisas do Jeph Loeb que eu respeito. Li pela primeira vez há alguns anos atrás e comprei a edição americana no ano passado. É muito bom e ver as referências no Cavaleiro das Trevas, desde o marketing viral, foi uma ótima maneira de aproveitar a história. Pra mim, a melhor coisa dessa HQ é o trabalho do Tim Sale, que dá um ar meio fantasmagórico pra coisa…
Essa graphic novel é incrivel assim como a piada mortal é com certeza um das melhores do Batman, um excelente trabalho.
Puts cara, me orgulho de ter essa raridade de quando foi lançada aqui no Brasil um tempo depois do lançamento lá nas terras do Tio Sam!
Realmente essa mini-série(na época era, agora é um livrão) é espetacular, recomendado com louvor a todos que amam o Batman, sendo HQ ou somente os filmes, e hoje em dia dá até um tipo de “bis”, q na época não foi bis coizíssima nenhuma, para quem gostou do aclamado “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.
Flw galera, e comprem q esse eu recomendo tbm viu!
Comprei a minha edição logo que lançou, no ano passado, devido ao furor causado pelo filme. Isso alterou toda a minha vida até o presente momento, de forma que me abriu as portas para um mundo (quase) tão incrível quanto o do cinema. Este era o dos quadrinhos, a nona arte. A partir dali, passei a encarar de modo diferente tanto quadrinhos em geral, quanto as histórias do homem morcego, e são muitas: desde os primeiros detective comics escritos por Bob Kane até os oitentistas o cavaleiro das trevas (miller) e a piada mortal(moore) e, depois, aquela que para mim é a obra prima e foi aqui maravilhosamente resenhada por Thiago Siqueira, O longo dia das bruxas. Extremamente recomendado, garanto que abrira os horizontes da nona arte para muitos assim como fez para mim.
muito bom esse graphic novel, muito bom mesmo vale a pena comprar a amanha vou comprar o ” the dark knight “.
Esse é sem sombra de dúvidas a melhor mini-série do Batman. Em minha humilde opinião, claro. Ainda não tenho a edição da Panini, que tá cara pra cacete, e nem a antiga, dividida em edições, que li de um amigo, mas penso em comprar ainda esse ano. Como vc mesmo disse, Siqueira, vale a pena.
Esse final de ano vai ser histórico na minha vida. Irei gastar dinheiro em presentes de natal com quadrinho. Com a volta da Vertigo pela Panini a vontade de ler HQ retornou com tudo. Faminta como nunca.
… Até que a edição definitiva de Watchmen deu uma boa ajudada, tb.
Boa matéria, Siqueira. Continue escrevendo.
Valeu Sicas pela recomendação. Vou atrás do meu exemplar!
Essa foi uma das primeiras Graphic Novels que li…e uma das melhores também.
O mais incrivel de tudo é descobrir que ela foi escrita pelo Loeb…dificil de acreditar xD
A dúvida que não quer calar…
Afinal, vale pagar R$ 70,00 nessa edição da Panini?
Vale!!
Mas s não tem dinheiro feito eu baixa.
Infelizmnte Alan as EMPRESAS vnde edições ou Dvds muito acima do preço q poderia
passar p/ clientes e infelizmnte pessoas pobres como eu não tenho condições de comprar um HQ,Dvd ou grafic novel então algumas vezs eu apelo por baixar.
Sei q estou errrado e estou prejudicando essas grandes empresas mas não posso evitar q meu sonho seja realizado…
Um Abraço.
E peço DESCULPAS as GRANDES empresas por todos os pobres coitados como eu q muitas vezes não tenho dinheiro pra comprar um Dvd ou Hq e acaba baixando em um site “pirata”…
Realmente essa hístóra é uma das melhores do Cavaleiro da Trevas + + Acho que ela dexou a desejar em algum aspectos ótima matéria.
RAFAEL, sua grande chance de comprar dvds… Cavaleiro das trevas, 12,90 na Americanas de tijolo. Além disto, compre 2 dvds leve outro gratis. Quer mais?
Concordo com tudo que vocês falaram ai!
Em termos de história, acho que fica pau a pau com O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. Parte da história do filme foi tirada desse também. E vale uma conferida. Principalmente pela crítica mordaz à mídia. Parece com o que acontece nos dias de hoje.