Você já parou para pensar como seria a sua vida daqui a vinte anos? O que estaria fazendo? Será que teria algum comportamento que você julgasse, hoje, careta? Vamos estar casados e com filhos? Em “Um Dia”, terceiro romance da carreira do roteirista David Nicholls (“Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez?”), acompanhamos Dexter e Emma durante vinte anos de suas vidas para responder a essas e outras questões.
Emma e Dexter, depois de quatro anos estudando na mesma faculdade, finalmente se conhecem. Alunos de cursos diferentes, nunca tinham trocado uma única palavra até a noite da festa de formatura quando, sem querer, passam a noite juntos. Mas o que era para ser apenas uma noite acidental acaba se tornando algo que nem eles conseguem definir naquele momento e, por mais improvável que tudo pareça, acabam se tornando amigos. O que fica acertado é que todo ano naquela nessa mesma data, 15 de julho, Dia de São Swithin, eles se encontrariam para celebrar essa amizade. Enquanto isso, durante o resto do ano, manteriam contato através de cartas e telefonemas, sem viver aquele mal estar sobre a noite em que acabaram dormindo juntos. Sem cobranças.
É assim, de modo despretensioso, que é narrada, ao longo de vinte anos e dividida em cinco partes, a história dos dois personagens. Tendo sempre como pano de fundo o dia em que se conheceram, ficamos a par do que estão fazendo. Logo no primeiro ano descobrimos que Emma trabalha em uma lanchonete mexicana, enquanto Dexter está empenhado em uma viagem de dois anos pela Europa para descobrir o que quer fazer da vida e aproveitar ao máximo enquanto as responsabilidades não batem a sua porta. Enquanto Emma escreve longas cartas, Dexter envia cartões postais pequenos, onde as poucas palavras, quase sempre escritas em caixa alta, servem apenas para afirmar a vida louca e agitada que ele tem levado.
Durante os vinte e tantos anos deles, as mudanças em suas vidas não poderiam se mostrar de forma mais controversa. Enquanto Emma busca se estabelecer na vida, como professora em uma escola de ensino médio e uma adulta responsável, Dexter vive ainda uma extensão da adolescência na vida adulta trabalhando como apresentador de um programa de TV destinado a adolescentes, que é transmitido pela TV aberta durante a madrugada. Mas não é apenas o lado profissional que distingue os dois amigos, cada vez mais centrada Emma possui um relacionamento estável a mais de dois anos, enquanto Dexter está sempre trocando com uma namorada diferente.
Conforme o tempo passa, as diferenças no estilo de vida dos dois se tornam cada vez mais evidentes, não apenas nos relacionamentos: Emma se mostra uma adulta saudável, com horários de sonos regulares e uma rotina comum, enquanto busca pelo sonho de se tornar uma escritora reconhecida; já Dexter passa a maior parte do tempo em festas, acompanhado de pessoas estranhas e lidando com as crises de pânico causadas pelo excesso do uso de drogas e álcool em uma vida tipicamente desregrada de uma estrela de TV decadente.
Encantadora e envolvente, a narrativa prossegue nesse ritmo e acompanha a evolução emocional dos personagens à medida que os anos passam: a reação de Dexter com a morte da mãe, seu casamento, anos depois, com uma garota por quem ele finalmente se apaixonou, o nascimento de sua única filha, o fim da sua carreira na TV, sua amizade com Emma, retomada após um desastroso jantar no qual os dois brigaram e passaram dois anos sem se falar, bem como o fim de seu curto casamento quando a mulher o troca por um ex-colega de faculdade, cansada de todo o comportamento irresponsável do marido; enquanto Emma, por sua vez, depois de terminar um relacionamento estável de mais de dois anos, acabou se envolvendo com o diretor da escola onde trabalha, teve o livro em que trabalhava rejeitado algumas vezes até finalmente ser publicado e viu, depois de anos de uma vida monótona e vazia, seus planos e sonhos finalmente darem certo. Agora, bem sucedida e feliz, Emma vê seus anos de esforço valerem à pena.
Com um final surpreendente e tocante, o livro leva o leitor do riso às lagrimas à medida que acompanha o romance, ao mesmo tempo em que ele torce, sem querer, pelo final feliz de uma história que tem tudo para não acontecer seja pelas circunstancias que a vida impõe ou por aquelas que eles mesmos criam. “Um Dia” trata daquilo que nós fomos e do que nós tornamos, mas trata acima de tudo do ser humano e do amor, de oportunidades e de que muitas vezes a felicidade pode estar bem na nossa frente.
O filme, que chegou às telas dos cinemas na última sexta-feira (02), traz em seu elenco Anne Hathaway (“Alice no País das Maravilhas”) na pele da irreverente Emma e Jim Sturgess (“Quebando a Banca”) como o intrépido Dexter. Além disso, o longa conta com direção de Lone Scherfig (“Marcas da Vida”) e teve seu roteiro adaptado pelo próprio David Nicholls.



























4 Comentários
Não conhecia esse livro, fiquei bastante interessada em ler.
Adoro romances, vou procurar sim.
Parabéns pela ótima critica, Leilane.
Você detona mesmo.
Há quatros meses atrás tive a oportunidade de ler o livro e fiquei bem surpresa com o final.Não somente o fim, mas todo o desenrolar da história, como os personagens vão evoluindo, ou melhor, nem sempre. E desde o começo o autor permitiu que me identificasse com alguns pensamentos e ambições da Emma assim que se forma. E como bem disse a Leilane, o livro realmente me levou a refletir sobre o como estarei daqui alguns anos, sobre as minhas escolhas, frustrações e superações.
Parabéns pela resenha, está ótima!
Já comprei o livro, vou começar a ler assim q eu terminar Abrahm Lincoln: caçador de vampiros
Eu vi o filme apenas, não tive a oportunidade de ler o livro, o filme teve algumas críticas se comparado ao livro,levando em conta que o filme tme uma das histórias mais fantásticas que ja vi em filmes, é… o livro deve ser muito bom.
Os atores cativam, e eu realmente chorei em uam triste cena do filme, quase no final, mais além do que muitos críticos(grande parte homens,) comentaram, ser um filme meloframático, a pessoa realmente começa a aprender a dar valor em quem esta ao laod depois de ver um filme assim, começamos a relrembrar nossa própria vida e a analisar o que fazemos dela. Geralmente os críticos são homens, se mulheres tãoa costumadas a criticar e ver o filme no ponto de vista crítico e naod e teleespectador que acabam por tachar como se fosse coisa para mulheres, mais felizmente é realmente um filme para quem tem o cérebro ligado ao coração, vale a pena assistir e guardar um em casa para novos casais. bjus