Cinema com Rapadura

Colunas   sábado, 15 de dezembro de 2018

The Rat Rack: o grupo de super artistas que revolucionou a indústria do entretenimento

Depois de Frank Sinatra, Sammy Davis Jr., Dean Martin, Peter Lawford e Joey Bishop o show business nunca mais foi o mesmo

No final de julho deste ano, esteve em cartaz no Little Theatre of Fall River, em Massachusetts, nos Estados Unidos, o espetáculo The Rat Pack Lounge. A peça narra a história de Frank, Sammy e Dean, que, depois de morrerem, voltam à terra para resolver negócios inacabados. Frank havia feito, em vida, uma promessa para o dono do Rat Pack Lounge, um bar popular na cidade. Os três retornam, assumindo os corpos de um promotor imobiliário, um chofer português e um barman, para acertar as coisas. Caso não o façam, serão obrigados a passar uma eternidade no inferno com o intragável Peter.

Categorizado pela crítica norte-americana como um encontro dos filmes “A Felicidade não Se Compra (1946)” e “Onze Homens e Um Segredo (1960)”, e com performances ao vivo de músicas clássicas como “My Way”, “What Kind of Fool Am I?” e “Everybody Loves Somebody Sometime”, a peça é uma homenagem ao The Rat Pack, grupo de artistas emblemáticos que revolucionou a indústria do entretenimento durante as décadas de 1950 e 1960.

Frank é Frank Sinatra, um dos cantores e atores mais populares e influentes do século 20. Sammy é Sammy Davis Jr., cantor, dançarino e ator de filmes importantes, e o primeiro artista negro a estrelar o próprio programa de televisão. Dean é Dean Martin, ator, comediante e cantor com mais de 35 discos gravados. Peter é Peter Lawford, emblemático ator com mais de 60 filmes no currículo.

Frank Sinatra

Nascido em Nova Jersey, em 1915, Francis Albert “Frank” Sinatra  se envolveu com o mundo das artes quando, aos 15 anos, integrou o coral de música da escola e começou a cantar em boates locais. Desde então, não parou. Pouco mais de dez anos depois, o cantor, filho de imigrantes italianos, chegou ao topo das paradas musicais. Dali para a frente, galgou uma carreira de sucesso que lhe rendeu notoriedade mundial, reconhecimento e muitos prêmios.

Em 1943, ele deu os primeiros passos em produções audiovisuais ao participar dos musicais “Reveille with Beverly”“A Lua a Seu Alcance”. Em 1953, no período pós-guerra, o artista atuou pela primeira vez em um papel de não-cantor: interpretou o soldado Maggio no clássico “A Um Passo da Eternidade”. O longa acompanha histórias de pessoas que estão em um campo do exército americano no Havaí pouco antes do trágico ataque em Pearl Harbor. Indicado a 12 Oscars, venceu oito. Sinatra levou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante para casa. 

A popularidade de Sinatra como ator explodiu e seus projetos seguintes eram triunfos quase garantidos. Recebeu uma nova indicação ao Oscar, em 1955, por “O Homem do Braço de Ouro” e, em 1962, foi aclamado pela crítica pelo longa “Sob o Domínio do Mal”. Naquele mesmo período criou, junto com a Warner Bros., sua própria produtora: a Artanis. Tudo isso, sem deixar de lado a carreira de cantor.

O nome do ator era frequentemente ligado à máfia e isso lhe renderia duros problemas durante a vida, porém as alegações não diminuíram sua fama. Em meados da década de 1960, ele já estava no topo e caminhava para se tornar um dos maiores artistas do século.

No ano de 1965, ele aproveitou esse prestígio para fundar o Rat Pack, ao lado de Sammy Davis Jr., Dean Martin, Peter Lawford e Joey Bishop. Dentro do grupo, Sinatra personificava com louvor, o vigarista beberrão e mulherengo. Imagem que foi bastante reforçada pela imprensa e solidificada pelo próprio artista.

Sammy Davis Jr.

Oriundo da periferia de Nova York e filho de pais separados, Sammy Davis Jr. teve que lutar desde a infância contra o preconceito. Sem nunca ter recebido educação formal, o jovem aprendeu quase tudo por causa do pai e do tio adotivo, ambos dançarinos. Juntos, eles integravam o conjunto musical “Will Mastin Trio” que viajava os Estados Unidos fazendo shows e pequenas exibições.

O talento do garoto era impressionante. Tanto é que, em 1933, com apenas oito anos de idade, fez a primeira aparição no cinema, quando participou do curta “Rufus Jones for President”.

Porém, Sammy foi obrigado a interromper uma promissora carreira como cantor para servir o exército americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Foi neste período, quando era era constantemente violentado por soldados brancos simplesmente porque tinha a pele escura, que viu a pior face do racismo. Para enfrentar essa discriminação, encontrou refúgio no entretenimento e aperfeiçoou suas habilidades de dramaturgia e comicidade, às vezes brincando consigo mesmo.

Após o conflito, não demorou para que voltasse a carreira no showbiz. Cantou em boates e gravou discos com performances inesquecíveis. O reconhecimento logo veio, a carreira do artista explodiu e ele se tornou extremamente relevante no meio musical (0 suficiente para ser convidado para cantar em lugares onde pessoas negras não podiam nem mesmo entrar). Em 1947, conheceu Frank Sinatra, de quem viria a ser amigo pelo restante da vida.

Dean Martin

Também vindo de origem humilde, o descendente de italianos Dino Paul Crocetti começou a tocar bateria ainda na escola, mas logo precisou abandonar a educação formal para trabalhar. Vendeu bilhetes de loteria, agenciou jogos de aposta, foi boxeador e se envolveu com diversas atividades ilegais. Por um período, atravessou fronteiras estaduais para comercializar bebidas alcoólicas durante a Lei Seca nos Estados Unidos.

Começou a carreira no show business cantando em casas noturnas com a banda Ernie McKay quando tinha 17 anos. Em uma das apresentações, foi notado pelo líder da Cleveland, Sammy Watkins, e se tornou vocalista do grupo. Em 1940, mudou o nome para Dean Martin. Apenas três anos depois, assinaria um contrato com a MCA e ganharia o próprio programa de rádio: Songs by Dean Martin. Foi quando também se tornou uma grande estrela no país.

A notoriedade lhe ajudou a conhecer e construir uma amizade de longa data com Jerry Lewis, um dos maiores comediantes da história. Juntos, eles participaram de 16 filmes entre 1949 e 1956. Após mais de dez anos, a parceria acabou, mas a fama de Martin já estava muito consolidada para desmoronar.

Ele retomou a carreira como cantor solo e foi reverenciado pela crítica no filme “Os Deuses Vencidos (1958)”, onde atuou com Montgomery Clift e Marlon Brando. Foi nesta época, quando estava no auge, que, durante uma apresentação em Las Vegas, foi convidado por Frank Sinatra e Sammy Davis Jr. para fazer parte do Rat Pack.

Peter Lawford

O londrino Peter Sidney Lawford nasceu em 1923 e teve um início de carreira meteórico. Já aos oito anos de idade estreou no cinema com o longa “Poor Old Bill (1931)”. Porém, devido as contantes viagens que o pai oficial do exército fazia, se viu obrigado a ficar afastado da indústria por um longo período. Até que, em 1940, voltou à Hollywood. Entre as pequenas aparições que fazia em programas de TV e filmes menores, participou de “Desfile de Páscoa (1948)” e “Núpcias Reais (1951)”, quando foi finalmente reconhecido. 

Embora nunca tenha sido considerado um dos atores mais proeminentes de seu tempo, Peter protagonizou momentos importantes da história do cinema. Em 1954, casou-se com Patricia Kennedy, irmã do futuro presidente John F. Kennedy, mas se divorciou após admitir relacionamentos extraconjugais. Ele foi o primeiro ator a beijar Elizabeth Taylor diante das câmeras, e o último a falar com Marilyn Monroe antes dela morrer. Lawford também foi responsável pela organização da famosa festa de aniversário de Kennedy no Madison Square Garden, onde Monroe cantou Happy Birthday para o presidente.

O artista mantinha com orgulho a reputação de playboy e boêmio. Em uma das muitas andanças que fazia pela vida noturna de Las Vegas, conheceu Sammy Davis Jr. e Frank Sinatra, e entrou para o Rat Pack.

O ator exibe uma carreira com importantes filmes, que incluem “Sra. Miniver (1942)”, “O Retrato de Dorian Gray (1945)”, “Easter Parade (1948)”, “Little Women (1949)”, “Casamento Real (1950)”, “Deveria Acontecer a Você (1954)”, “Pepe (1960)”, “O Maior Dia (1962)”, Aconselhamento e Consentimento (1962)”, “Harlow (1965)”, “The April Fools (1969)” e “Body and Soul (1981)”.

Joey Bishop

Dono de seu próprio programa de TV e de um talk show, Joey Bishop foi o quinto integrante do Rat Pack. Filho de judeus, Joseph Abraham Gottlieb cresceu nos Estados Unidos e teve uma vida pacata antes de servir o exército durante a Segunda Guerra Mundial. A estreia na televisão veio apenas com 30 anos de idade, em 1948, aparecendo como convidado de talk shows e comédias. Por causa do carisma, logo tornou-se figura carimbada nestes programas até estrelar a própria sitcom, The Joey Bishop Show, em 1961.

Na década de 1950, foi apadrinhado por Frank Sinatra e entrou no Rat Pack. Mesmo com todo o impacto que exercia na TV norte-americana, Bishop era considerado por muitos o artista de “menor escala” do grupo. Entre seus filmes, estavam “The Naked and the Dead (1958)”, “Pepe (1960)”, “Johnny Cool (1963)”, “Um Guia para o Homem Casado (1967)”, “O Vale das Bonecas (1967)”, “Casamento de Betsy (1990)” e “Mad Dog Time (1996)”, dirigido pelo filho de Bishop, Larry.

Bando de Ratos

Ao longo dos anos, várias explicações foram criadas para a origem do nome. A versão mais folclórica diz que a atriz Lauren Bacall viu o marido, o premiado ator Humphrey Bogart (“Casablanca”), e os amigos voltarem de uma noite em Las Vegas, e disse que eles pareciam um Rat Pack (“Bando de ratos”, em tradução literal). Apesar de não terem aceitado o nome (preferiam se chamar de “A Cúpula” ou “O Clã”), o termo passou a ser usado por jornalistas e personalidades da época.

Humphrey é considerado o líder original do Rat Pack. Segundo ele, os membros originais eram Frank Sinatra, Judy Garland, Bacall, Sid Luft, Bogart, Swifty Lazar, Nathaniel Benchley, David Niven, Katharine Hepburn, Spencer Tracy, George Cukor, Cary Grant, Rex Harrison, and Jimmy Van Heusen. No entanto, o grupo que se tornou realmente famoso era composto por Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr., Peter Lawford and Joey Bishop.

Costumeiramente, quando um destes artistas tinha uma apresentação ou show para fazer, o restante do grupo aparecia de surpresa. O público presente nestes espetáculos, logicamente, ia ao delírio quando os via atuando juntos. Então, o que antes era algo espontâneo, ganhou valor comercial. Estes shows passaram a movimentar toda a cidade, com os lugares inundados de apostadores ricos e movimentos incessantes nos cassinos. As aparições do Rat Pack tinham um valor sem precedentes.

Las Vegas se tornou a casa oficial do grupo e era comum que as pessoas que quisessem os ver não encontrassem quartos vazios nos hotéis. Criava-se uma histeria coletiva na cidade, com os nomes dos integrantes ocupando quase todos os outdoors e placas de sinalização dos locais onde estavam. Eles sintetizavam o luxo, a bebida, o espírito mulherengo e as luzes da cidade.

Não demorou, é claro, para que o sucesso do grupo se estendesse para o cinema. Então, em 1960, o Rat Pack estrelou o grandioso Ocean’s Eleven (Onze Homens e Um Segredo)”. O filme acompanha Danny Ocean (Frank Sinatra) e seu grupo de amigos formado na Segunda Guerra Mundial se reunindo para executar o maior golpe da história de Las Vegas. Juntos, os onze homens planejam roubar cinco cassinos na mesma noite.

A produção do longa, que viria a se tornar um clássico reverenciado, inclusive entre astros da própria indústria hollywoodiana, é cheia de acontecimentos emblemáticos. Conta-se que, mesmo já sendo uma personalidade conhecida, Sammy Davis Jr. foi forçado a permanecer em um hotel só para “pessoas coloridas” porque o local em que o restante da equipe estava hospedada para as gravações não queria recebê-lo. Ele só teria sido aceito depois que Sinatra convenceu o dono do hotel a quebrar esta regra.

Conta-se, também, que, por se conhecerem tão bem, os atores improvisavam quase todos os diálogos. No entanto, o diretor Lewis Milestone (“O Grande Motim”) gostou tanto das cenas que, mesmo quando alteravam pontos importantes da trama, elas foram mantidas.

Com papéis estereotipados e carregados de influência dos próprios atores, o longa se tornou um marco para a indústria audiovisual. A trilha sonora divertida, as situações tipicamente boêmias, o clima festivo e a narrativa aventuresca não impressionou a crítica, mas encantou o público. O projeto eternizou e mitificou o encontro de alguns dos maiores artistas que já passaram por Hollywood.

Em 2001, George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Don Cheadle e Andy García prestaram uma homenagem ao longa. O remake de “Onze Homens de Um Segredo”, dirigido por Steven Soderbergh, foi aclamado pela crítica e pelo público. Buscando manter o espírito do primeiro longa, conta-se que a obra foi idealizada como uma reunião de amigos. Para participar, inclusive, eles aceitaram receber salários bem menores do que estavam acostumados.

Durante as filmagens, o clima se mantinha descontraído e o espírito boêmio permeava o projeto. Os atores costumavam gastar várias horas jogando e bebendo no cassino em que as gravações eram realizadas. É possível encontrar em vários pontos do filme referências do projeto original. A obra ganhou duas sequências: “Doze Homens e Outro Segredo” e “Treze Homens e um Novo Segredo”.

Fruto do legado construído pelo Rat Pack e contando com um elenco tão estrelado quanto, chegou aos cinemas, em junho de 2018, “Oito Mulheres e um Segredo”. Continuando a história construída na trilogia recente, Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Mindy Kaling, Sarah Paulson, Awkwafina, Rihanna, e Helena Bonham Carter se reúnem, desta vez se reuniram em Nova York, para roubar o Met Gala.

Legado

Dois anos depois de “Ocean’s Eleven”, o Rat Pack voltaria aos cinemas para estrelar o faroeste “Os Três Sargentos (1962)”, que acompanha a saga de três ingleses travando uma batalha contra soldados nativos hindus. E, para continuar embarcando no sucesso no grupo, em 1964 “Robin Hood de Chicago” mostra duas gangues rivais competindo pelo controle de Chicago durante a Lei Seca.

O impacto do Rat Pack na cultura pop foi tão grande que o candidato à presidência dos Estados Unidos naquele período, John F. Kennedy, costumava passar um grande tempo com o grupo. Eles chegaram até a participar da campanha democrata, quando foram carinhosamente apelidados de “The Jat Pack”.

Em algum momento do período em que estiveram juntos, Marilyn Monroe, Angie Dickinson, Juliet Prowse, Buddy Greco, Shirley MacLaine, Errol Flynn, Ava Gardner, Nat King Cole, Robert Mitchum, Elizabeth Taylor, Janet Leigh, Tony Curtis, Mickey Rooney, Lena Horne, Jerry Lewis e César Romero também fizeram parte do grupo.

Com as vidas individuais muito ativas, discussões e diferentes perspectivas, o grupo, aos poucos, estava se distanciando e inevitavelmente chegou ao fim. Porém, eles mantiveram carreiras artísticas bem ativas depois do “término”.

Após uma breve aposentadoria no início dos anos 1970, Frank Sinatra retornou à cena musical e se tornou mais politicamente engajado. Chegou a trabalhar avidamente pela eleição de John F. Kennedy, em 1960. No entanto, quando o presidente cancelou uma visita à casa de Sinatra por causa das conexões do cantor com o chefe da máfia de Chicago, a relação entre eles esfriou.

Na década de 1970, ele resolveu abraçar o Partido Republicano, apoiando Richard Nixon e, mais tarde, Ronald Reagan, que lhe entregou a mais alta premiação civil do país, a Medalha Presidencial da Liberdade, em 1985.

Mesmo com as constantes acusação de envolvimento com a máfia, a popularidade do artista não diminuiu. Pelo contrário, ao longo dos anos, ganhou legiões de fãs. A consagração veio em 1993, quando aos 77 anos, regravou suas músicas com grandes artistas, como Barbra Streisand, Bono, Tony Bennett e Aretha Franklin. Sua última apresentação aconteceu na Califórnia, em 1995.

Com uma vitoriosa carreira que durou mais de 50 anos, Sinatra morreu em 1998, vítima de um ataque cardíaco, mas sua trajetória entrou para a história dos EUA e seu legado continua vivo.

Enquanto isso, seu parceiro de longa data Sammy Davis Jr. continuou fazendo sucesso. Ao longo dos anos 70 e 80, manteve uma produção extremamente diversa e vitoriosa. Lançou diversos álbuns musicais e participou de filmes populares, como “The Cannonball Run (Quem não corre, voa)”, de 1981, com Burt Reynolds e Roger Moore, e “Tap”, de 1989.

Também foi integrante cativo de uma série de programas de televisão e novelas, além de fazer apresentações em espetáculos na Broadway. Chegou até a embarcar em uma lucrativa turnê com Sinatra e Liza Minnelli no final dos anos 1980.

O maior impacto do artista, porém, veio de outra forma. Durante toda a vida, Sammy usou a voz e a fama para enfrentar o preconceito racial que sofria. Ativo no Movimento dos Direitos Civis, participou da Marcha de 1963, em Washington, pelo fim da segregação racial, e recusou-se a se apresentar em casas noturnas discriminatórias. Posteriormente, foi reconhecido como um dos responsáveis pelo reconhecimento de alguns direitos território norte-americano.

O casamento com a sueca May Britt, quando as cerimônias inter-raciais eram proibidas por lei em 31 estados, também foi visto como ato de protesto. O presidente John F. Kennedy, inclusive, chegou a pedir que o casal não aparecesse em sua posse para não irritar os brancos do sul do país. Fumante inveterado, foi diagnosticado com um tumor na garganta e morreu em 1990, com 64 anos de idade, mas sua história continua a ser contada. Recentemente, a Paramount e o cantor ícone do soul Lionel Richie anunciou um longa sobre o lendário artista

Dean Martin não ficou para trás. Depois de ter gravado, em 1964, a música “Everybody Loves Somebody”, que venceu os Beatles e se tornou o hit número 1 da América, estrelou o The Dean Martin Show, programa de variedades que ficou no ar por oito anos. Também comandou a série Dean Martin Comedy House e chegou a participar da turnê com Sammy Davis Jr. e Frank Sinatra, mas, por problemas de saúde, foi substituído por Liza Minnelli. Consagrado pelo estilo sempre boêmio, até hoje é considerado um dos maiores apresentadores de TV da história. Morreu de insuficiência respiratória na manhã do Natal de 1995, com 78 anos.

Com a vida carregada de escândalos, Peter Lawford saiu do The Rat Pack depois de se desentender com Frank Sinatra e fazer críticas frequentes às supostas conexões do músico com a máfia. Após a separação, os dois nunca mais se deram bem novamente. Os problemas de alcoolismo provocaram, no dia 24 de dezembro de 1984, uma parada cardíaca que resultou na sua morte. Ao todo, o ator atuou em mais de 60 filmes e por causa da sua contribuição para a indústria da TV, recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

O multitalentoso Joey Bishop foi o membro original do The Rat Pack a ficar vivo por mais tempo, até 2007. Ainda estrelaria importantes comédias na TV americana, inclusive seu próprio sitcom, que se tornou bastante popular no País. Mesmo após sua morte, continua sendo lembrado e reverenciado nos EUA, onde recebeu diversas condecorações, inclusive uma homenagem no Hall da Fama.

A talentosa constelação formada pelo Rat Pack revolucionou a indústria norte-americana e seus membros tornaram-se referências globais de talento, boêmia e sucesso. O impacto do grupo em Hollywood, não pode ser medido categoricamente, mas é possível observar os efeitos na indústria, que explora continuamente a reunião de super astros para alavancar receitas de espetáculos. 

E, claro, o Rat Pack construiu um legado que é constantemente celebrado e homenageado. Nos anos 1980, um grupo de atores adolescentes famosos por participar dos filmes do diretor John Hughes, que incluía, entre outros, Rob Lowe, Judd Nelson, Anthony Michael Hall, Molly Ringwald e Emilio Estevez, foi carinhosamente apelidado de “Brat Pack”. Já nos anos 2000, Ben Stiller, Jack Black, Will Ferrell, Vince Vaughn, Owen Wilson, Luke Wilson e Steve Carell, foram os “Frat Pack”.

Mas essas são histórias para outras colunas.

Breno Damascena
@brenobueller

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