“Nada Dura Para Sempre”, “Se Houver Amanhã”, “Lembranças da Meia Noite” lembram alguma coisa? Não? Que tal “Jeannie é um Gênio”? O seriado de sucesso da TV americana, conhecido até por várias gerações, é fruto da imaginação de Sidney Sheldon.

Nascido em 11 de fevereiro de 1917, Sheldon escreveu 18 romances. Mas antes de se consagrar como escritor, o autor chegou a trabalhar, durante a Grande Depressão, em 1929, como vendedor de sapatos, locutor de rádio e entregador de farmácia. Foi durante a adolescência que Sheldon decidiu participar de um programa de calouros como compositor, o que acabou o levando para Hollywood.

O trabalho de Sheldon nessa época consistia basicamente em resumir os roteiros para facilitar o trabalho dos roteiristas na hora de selecionar com qual gostariam de trabalhar. Depois de um tempo, passou a escrever seus próprios roteiros, juntamente com um colega da pensão em que morava, Ben Roberts. Após algumas recusas, “South of Panama” foi comprado pela PRC e foi seu primeiro roteiro filmado. Ele então deixou seu trabalho como revisor para se dedicar aos roteiros. Ainda em parceria com Roberts, vendeu mais alguns roteiros para diferentes estúdios, até serem contratados como roteiristas fixos pela Republic Studios, responsável pela produção de filmes de segunda linha.

Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, Sheldon se alistaria como piloto, mas não chegaria a exercer a função devido a uma hérnia de disco, o que anteciparia a sua volta para casa, sendo logo convidado a escrever uma nova peça da obra de Franz Lehar, “A Viúva Alegre”. O musical foi produzido em 1943, quando o autor tinha apenas 26 anos, e foi considerado um sucesso pela crítica. Ao mesmo tempo em que reescrevia “A Viúva Alegre”, trabalhou em dois outros espetáculos para a Broadway: “Jackpot” e “Dream with Music”. O autor conquistou o Oscar de melhor roteiro original por “The Bachelor and the Bobby-Soxer”, em 1947.

Outros trabalhos como roteirista vieram, mas apenas depois de alguns fracassos, frente a filmes da MGM, Sheldon viu surgir uma nova oportunidade a partir do convite da Paramount Pictures com o roteiro de “O Meninão”, como ficou conhecido no Brasil, que rendeu boas críticas e notável bilheteria. Logo em seguida seria lançado “O Palhaço Que Não Ri”, um drama co-escrito, co-produzido e dirigido por ele, mas que foi duramente criticado levando a não renovação de seu contrato pela Paramount. Ele então retornou para a Broadway, onde co-escreveu o roteiro do musical “Redhead”, que ganhou o Tony Awards de Melhor Musical de 1959.

Quatro anos mais tarde, ele escreveria a série mais conhecida de sua carreira: “Jeannie é um Gênio”. Exibida entre 1965 e 1970, a trama que contava as peripécias de Jeannie, uma gênia com mais de dois mil anos, vivida por Barbara Eden, que ficou para sempre na memória dos fãs do escritor.

Mas sua carreira consagrada como autor de suspense só ocorreria em 1970 com a publicação de seu primeiro livro: “A Outra Face”. A história de um psicólogo que é acusado de assassinato foi vendida para a editora Morrow por mil dólares. No mesmo ano foi nomeada como Melhor Livro de Estreia do Ano, levando o prêmio Edgar Allan Poe de Literatura em 1971. Logo em seguida seria lançado “O Outro Lado da Meia-Noite”, que alcançaria o primeiro lugar na lista de mais vendidos do The New York Times, permanecendo nessa posição por 53 semanas consecutivas.

A partir daí não parou mais. Foram 18 romances com intervalos curtos de tempo: “A Outra Face” (1970), “O Outro Lado da Meia Noite” (1974), “Um Estranho no Espelho” (1976), “A Herdeira” (1977), “A Ira dos Anjos” (1980), “O Reverso da Medalha” (1982), “Se Houver Amanhã” (1985), “Um Capricho dos Deuses” (1987), “As Areias do Tempos” (1988), “Lembranças da Meia-Noite” (1990), “O Juízo Final” (1991), “Escrito Nas Estrelas” (1992), “Nada Dura para Sempre” (1994), “Manhã”, Tarde e Noite” (1995), “O Plano Perfeito” (1997), “Conte-me Seus Sonhos” (1998), “O Céu Está Caindo” (2000), “Quem Tem Medo do Escuro?” (2004) e “O Outro Lado de Mim: Memórias” (2006).

Várias de suas obras foram adaptadas para séries ou filmes, muitas vezes tendo o autor como produtor. Sheldon geralmente utilizava personagens femininas como suas protagonistas. Em uma entrevista da Associated Press, em 1982, o autor afirmou sua preferência porque “gostava de escrever sobre mulheres que são talentosas e capazes, mas o mais importante, mantêm sua feminilidade”. Enquanto isso, seus personagens masculinos ganhavam ares maléficos e impiedosos. Seus romances ficaram conhecidos pelo suspense e sensualidade marcantes, além de trabalhar com elementos como fama, fortuna, intrigas, assassinatos, desaparecimentos e vingança.

Outro detalhe dos livros de Sheldon é que a sua escrita obriga o leitor a continuar com a leitura. Quando você termina um capítulo, acaba querendo continuar para ver o que acontece no seguinte, o que leva o leitor a não consiga largar seu livro até que tenha terminado. Ele acreditava que não podia “enganar o leitor”, por isso sempre que descrevia algum lugar visitado por seus personagens, havia estado nele.

Uma curiosidade sobre o processo criativo do escritor é que ele tinha o costume de contar a história oralmente para que sua secretária a digitasse ou usasse um gravador. Com esse processo, o autor chegava a fazer, em média, 50 páginas por dia. No dia seguinte, ele fazia a revisão do que havia feito no dia anterior e repetia o processo até que o livro estivesse finalizado. Então ele fazia diversas revisões da obra, podendo passar até um ano para liberá-lo para publicação.

Se a vida profissional era agitada, a pessoal não poderia ser diferente. O autor foi casado três vezes: seu primeiro casamento, com Jane Kaufman, ocorreu em 1945, mas durou apenas dois anos;  o segundo foi com Jorja Curtright, uma atriz e design de interiores, em 1951, e durou até a morte de Jorja em maio de 1985. O terceiro casamento foi com Alexandra Kostoff, uma publicitária e ex-atriz mirim, em 1989, que até a morte do autor em 2007, vítima de complicações causadas por uma pneumonia. Seu corpo foi cremado e as cinzas enterradas no cemitério Westwood Village Memorial Park.

E, mesmo cinco anos após a sua morte, Sheldon continua presente na lista de best-sellers. Isso graças a uma jogada da editora que agora trabalha com a marca, como uma forma de manter a obra do autor viva mesmo após a sua morte. O nome do autor pode estar na capa, mas “A Senhora do Jogo” e “Depois da Escuridão” foram escritos por Tilly Bagshawe. Com acompanhamento da família e a devida autorização, a escritora e fã do autor é a alma por trás dos romances assinados por ele.

Tanto trabalho e dedicação, a vida literária rendeu 300 milhões de livros vendidos em 180 países, traduzidos para mais de 50 idiomas. Mas um detalhe: além dos números, chama a atenção dos que procuram saber mais sobra a vida deste mestre do romance que todos os seus livros, desde a estreia, viraram best-sellers e ocuparam o topo das listas de livros mais vendidos nos principais jornais do mundo.