Cinema com Rapadura

OPINIÃO   quarta-feira, 31 de maio de 2023

Abracadabra 2 (2022): feitiço nostálgico e cativante

Filme é leve, divertido e traz sensações nostálgicas gostosas para os fãs do primeiro longa.

Vinte e nove anos após as irmãs Sanderson “aterrorizarem” a cidade Salem, elas retornam numa inesperada e bem-vinda continuação com “Abracadabra 2“. Com novos personagens e a dose certa de nostalgia, o filme dribla seus poucos defeitos e rende uma ótima sessão com a família.

Um novo trio de crianças agora tem que enfrentar a trindade bruxa, composta por Mary (Kathy Najimy), Sarah (Sarah Jessica Parker) e lideradas por Winifred (Bette Midler). As três, aliás, parecem que saíram do set do primeiro “Abracadabra” um dia antes das filmagens deste, de tão à vontade que estão revivendo papéis antigos. Pontos para o roteiro que explora o passado delas (com um ótimo trio de atrizes mirins) e enriquece este universo.

Aliás, o roteiro consegue ligar os acontecimentos do filme com os julgamentos de bruxas ocorridos em Salém tempos atrás, um artifício que, quando bem usado, encorpa a trama ao torná-la mais palpável. Trama esta que gira em torno do que é mais valioso: poder absoluto ou suas companheiras de jornada. Um acerto ao mudar o foco do longa original dos humanos normais para as bruxas, que foram as personagens realmente marcantes para os espectadores da época.

Até mesmo o zumbi Billy (Doug Jones) está de volta, representando um exemplo de grande acerto do longa: fazer conexões relevantes e nostálgicas com o primeiro filme. Para quem conhece as Sanderson desde 1993, há inúmeras oportunidades de sorriso involuntários. Há sequências musicais deliciosas e um humor inocente e cativante. Midler está radiante e magnética, incorporando as excentricidades de sua Winifred na sua forma de liderar a trupe; Najimy tem a aura perfeita de inocente e má; e Parker parece ter voltado a ser criança e se diverte horrores ao brincar com sua homônima personagem.

É importante ressaltar que as novas personagens são boas adições ao lore e as três jovens que as interpretam (Whitney Peak, Belissa Escobedo e Lilia Buckingham) o fazem com eficiência, sabendo realçar o espelho proposto pelo roteiro entre relações de carinho do trio principal com as novatas. Outro novato é Gilbert, interpretado por Sam Richardson, que exala carisma, mas tropeça num roteiro que parece não saber como usar o personagem na conclusão da história.

Há alguns efeitos de qualidade duvidosa, mas nada que diminua a ótima experiência de mergulhar nessa nova aventura. Com a possibilidade de um terceiro filme aberta, resta aos fãs torcerem para a Disney se interessarem nas irmãs Sanderson novamente. “Abracadabra 2” é nostálgico, divertido e deixa a alma leve, elementos sempre bem-vindos.

Bruno Passos
@passosnerds

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