Críticas   domingo, 07 de outubro de 2012

Até Que a Sorte Nos Separe (2012): longa tem mais cara de especial de TV

A crônica falta de imaginação dos realizadores parece ser a marca registrada dos trabalhos da Globo para o cinema, não sendo esta produção uma exceção

A Globo Filmes tem uma estratégia interessante em seus longas de comédia. Esses filmes geralmente não possuem uma linguagem cinematográfica, parecendo muito mais aqueles especiais de TV que a Vênus Platinada exibe no fim do ano. Basicamente, a companhia gosta de tratar seu público como crianças pequenas, apresentando de novo e novamente aquilo que ele vê na telinha, só que no cinema.

Financeiramente, esse plano vem dando certo, tanto é que este “Até Que a Sorte Nos Separe” não nega ter vindo da mesma linha de montagem. Baseado livremente no livro “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos” (o qual não li), o filme acompanha as desventuras de Tino (Leandro Hassum), homem que se tornou um milionário por acaso.

Outrora um personal trainer, ele vivia com a esposa Jane (Danielle Winits) em um humilde apartamento, até que ganharam na Mega-Sena. Quinze anos se passam e ele se torna um obeso arrogante e ela uma perua. A gastança desenfreada dos dois e de seus filhos acabam com a fortuna deles, fato que Tino esconde da família, especialmente de sua grávida esposa, fazendo o que pode para estabilizar as finanças com a ajuda de seu vizinho Amauri (Kiko Mascarenhas), controlado consultor financeiro que Tino humilhou por anos.

Dirigido por Roberto Santucci (“De Pernas Pro Ar”) e escrito pela dupla Paulo Cursino e Angélica Lopes, ambos veteranos de comédias televisivas, o longa mantém o mesmo padrão das produções humorísticas globais, com personagens unidimensionais, “reviravoltas” previsíveis e gags sem imaginação. As piadas são disparadas como metralhadoras e poucas acertem o alvo.

Um problema sério da produção são seus personagens principais. O Tino de Leandro Hassum é um homem que gosta de esfregar na cara dos outros sua própria opulência, tornando difícil gostar do personagem, mesmo com este apresentando uma burrice que poderia ser simpática, não consegue sê-lo justamente por conta do modo com o qual trata Amauri, que funciona como sua “escada”.

Por sua vez, por mais que Jane diga que não liga para dinheiro, várias vezes a vemos gastando verdadeiras fortunas apenas por despeito. Mesmo buscando um efeito cômico com isso (tudo o que ele consegue poupar, ela acaba gastando), o filme consegue cultivar antipatia para com a personagem, algo que nem todo o silicone de Daniele Winits poderia impedir.

Como falei anteriormente, o Amauri de Kiko Mascarenhas serve apenas de “escada” para Tino, embora o longa tente lhe dar um plot próprio e criar uma relação de paralelo entre as dinâmicas familiares dele e do protagonista. Mas o núcleo de Amauri é tão superficial e Mascarenhas está tão apático durante a projeção que essa intenção dos realizadores morre na praia. Mesmo o relacionamento entre a filha de Tino e o filho de Amauri, que ganha um sub-plot inteiro para si, sofre por conta da falta de desenvolvimento do texto.

Ainda temos uma longa ponta de Maurício Sherman, experiente diretor do infame “Zorra Total”, que surge “abençoando” o projeto e deixando claro qual é a lição de moral da produção, afinal o protagonista (e o público) aparentemente são incapazes de entendê-la sem que o filme a explique nos mínimos detalhes.

A direção de arte da fita é até eficiente no que se propõe, embora force a barra algumas vezes para enfocar pontos turísticos cariocas. Já a trilha sonora também não sai do lugar comum, com a falta de imaginação nos temas espelhando a ausência de criatividade da própria película.

Thiago Siqueira
@thiagosiqueiraf

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Até Que a Sorte Nos Separe (2012)

Até que a Sorte nos Separe - Roberto Santucci

Tino (Leandro Hassum) é um pai de família comum que vê sua vida virar de ponta a cabeça após ganhar na loteria. Levando uma vida de ostentação ao lado da mulher, Jane (Danielle Winits), ele gasta todo o dinheiro em 15 anos. Ao se ver quebrado, Tino aceita a ajuda do vizinho Amauri (Kiko Mascarenhas), um consultor de finanças super burocrático e que por sinal vive seu próprio drama ao enfrentar uma crise no casamento com Laura (Rita Elmôr). Tentando evitar que Jane descubra a nova situação financeira, afinal ela está grávida do terceiro filho não pode passar por fortes emoções, Tino se envolve em várias confusões para fingir que tudo continua bem. Para isso, conta com ajuda do melhor amigo, Adelson (Aílton Graça), e dos filhos.

Roteiro: Paulo Cursino

Elenco: Leandro Hassum, Danielle Winits, Kiko Mascarenhas, Rita Elmôr, Ailton Graça, Julia Dalavia, Henry Fiuka, Marcelo Saback, Carlos Bonow, Júlio Braga, Maurício Sherman, Victor Mayer, Antônio Fragoso

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  • stanlley

    nossa, bombardearam o filme. Enfim, ele pode não ser uma obra prima, parece mais uma cópia de comédias familiares norte-americanas, mas ao menos diverte.

    continuo a recomendar o filme o/

  • Daniele santiago

    Muito bom so Acredito que e o fim de uma vida para recomeço de uma nova que estava la atras escondida Vida!

  • Caio Simplício

    Já imaginava isso. Parece que nem vale a pena ver…

    • Carol Medeiros de Oliveira

      Só que vale….

  • Darth Ban

    Fico feliz pelo fato de saber que não fui só eu que não gostei desse filme, e tb saber que não só somente eu que não gosta de zorra total

  • Rafael

    O cinema nacional nos apresenta uma boa obra a cada ano e olhe lá.
    Lastimável.

  • Pablo

    Isso aí nem merecia crítica, Thiago.

    • Universematrix

      Concordo [2]!
      Globo sempre com seus lixos!

  • Joice

    Eu nem coloco fé em filmes brasileiros, que são sempre “mais do mesmo”. Filme de polícia e ladrão, comédias que, ao invés de fazerem rir, me fazem chorar de sofrimento e dramas fracos. Como disse o Rafael aí acima, a indústria cinematográfica brasileira lança um filme bom por ano e olhe! Uma pena, porque temos profissionais competentes e bons atores que infelizmente, não são bem aproveitados. Capricham nas novelas (Caminho das Índias ganhou até prêmio) mas falham absurdamente nos filmes. Realmente é lastimável.

  • rafael

    Não gostei do filme, alias nao gosto de filmes brasileiros…
    Mas o leandro hassum foi bem engraçado.

  • Hudson

    “infame “Zorra Total”,” ahuehaheheheheh, como interpretar isso??! kkkkkkk

  • Graciana Takase

    Já não gostava do Leandro Hassum… Mas, depois deste filme… Ameii!!!
    Muitooo legal! Valeu a pena!!!! Dei altas risadas, me comportei, fiquei brava e até choreiii de emoção!!!
    Vale D+++ rsss minha turmaaa amou tmb!

  • Eduardo

    ótimo não sera um clássico mais vale apena assistir ta no estilo comedia brasil tipo muita calma nessa hora ou dois dedos de gelo e um copo dgua i ai comeu ou cilada.com porai è cativante em algumas cenas e a ultima musica ficou chou axo o máximo quando escuto musicas pb em fimes da a cara do brasil cada dia fico mais fam do cinema brasileiro ate porque e a nossa cara agora quem preferir todo mundo em pânico o jakass avontade já que as comedias românticas já tao batidas ou melhor soladas