Dizem as fofocas nos bastidores de “Comer Rezar Amar” que Ryan Murphy e Jennifer Salt consultavam constantemente Elizabeth Gilbert, escritora do livro homônimo e autobiográfico, no processo de produção do roteiro. Se é verdade, ninguém sabe, mas tudo indica que mais uma vez os fofoqueiros estão corretos. Tudo porque o filme é o típico caso de uma adaptação sem identidade cinematográfica, em que se busca retratar o maior número de fatos possível da obra original. Resultado: temos uma película longa demais, chata demais, que faz o público se retorcer na poltrona esperando ansiosamente pela chegada dos créditos. E quando eles chegam se torna mais óbvia ainda a fragilidade de uma fita recheada de lições de moral de botequim.
A história já se tornou bastante conhecida pelos leitores de auto-ajuda de plantão, que levaram o livro a atingir um número de vendas exorbitante por todo o planeta. Como protagonista, temos Liz Gilbert (Julia Roberts), uma escritora bem-sucedida de meia-idade, casada, moradora de Nova York, teoricamente dona de uma vida perfeita. Apenas teoricamente. Insatisfeita com boa parte da rotina que leva, ela decide modificar seus dias. Primeiro pede o divórcio do marido, depois resolve viajar o mundo, mais especificamente para três lugares.
A partir de então, Liz segue em uma jornada em busca de si, do autoconhecimento, de entender os motivos que a deixam triste. Primeiro, vai para a Itália, onde conjuga todos tempos do verbo “comer”, se deliciando com as massas locais, mas sem esquecer de fazer amizades. Depois vem a Índia, onde o seu grande objetivo é o equilíbrio religioso. Finalizando sua viagem de um ano, a escritora parte para Bali, apenas meses depois de visitar a ilha. Lá, por coincidência, acaba encontrando a felicidade amorosa e, conseqüentemente, a paz interior.
Ah se “Comer Rezar Amar” fosse tão sucinto quanto a sinopse acima! Mas não é. O que Murphy e Salt nos entregam é um longa-metragem demasiado pretensioso, absolutamente cheio de cenas e diálogos dispensáveis, trazendo em sua duração o seu mais evidente problema. São exatos 133 minutos de filme, que mais parecem um dia todo de projeção, cansando o espectador com os dilemas de sua protagonista, que não sabe se passa por uma depressão ou apenas cansou do ritmo de sua vida, decidindo desacelerá-lo quase por completo.
É necessário dizer, no entanto, que a fita começa com relativa qualidade. Mesmo não aproveitando bem a introdução para aprofundar a personalidade de Liz, a direção do próprio Ryan Murphy permanece sóbria e eficiente, atingindo o ápice nos passeios da personagem pelas ruas de Roma, onde o cineasta parece querer se desvincular da rigidez do roteiro, brincando com aceleração de imagens, cortes rápidos e metáforas engraçadas (a sequência em que Liz experimenta uma calça jeans e assisti a uma partida de futebol é ótima). O trabalho de direção de Murphy (criador da série “Glee”), enfim, funciona ao flertar com a comédia.
Ao cair no drama, o longa desmorona por completo. E tudo piora, por coincidência, quando Liz parte para a Índia. Os diálogos redentores, cheios de lições de moral, que já acometiam o filme até então, se multiplicam com uma enorme intensidade. As situações em que ela se embrenha também não são atraentes, talvez porque o tom de fita de auto-ajuda passe a ser tão explícito. Torna-se insuportável ver Liz conversar por inúmeras vezes com o xamã Ketut Lyer e vê-lo dar conselhos repetidos e rasos, que apenas os mais carentes e necessitados acreditariam e seguiriam. E tudo recheado com o mau-humor da assistente dele, que deveria funcionar como peça cômica.
Nem mesmo o talentoso ator espanhol Javier Bardem, que surge no ato final do longa, ameniza a chatice. Assim como boa parte dos personagens “estrangeiros” do filme, o seu Felipe, um brasileiro dono de um português desconfiável, é um estereótipo, finalizando com “um erro de escrita” a conjugação do derradeiro verbo que dá nome a produção. Se há bons momentos na hora final, esses são os flashbacks de Liz, revivendo com certa intensidade e delicadeza dias cruciais dos últimos anos de sua vida.
Quem salva “Comer Rezar Amar” do desastre é ninguém menos do que Julia Roberts. Talvez a mais carismática de todas as atrizes de Hollywood, Roberts traz a naturalidade necessária para compor sua personagem, transitando do drama a comédia como poucos e fazendo de sua Liz uma simpática e ao mesmo tempo atraente mulher. Uma pena que o roteiro queira ser tão leal ao livro e faça com que não suportemos mais sua história com uma hora de projeção. Estamos diante de um claro exemplo de uma adaptação fiel que resultou num filme ruim.



























21 Comentários
O livro é ótimo e se o filme foi fiel então ele tinha que ser ótimo também e se o filme foi ruim, meu amigo, então não foi fiel.
Concordo com o comentário acima…
Ou se Darlano Didimo não gostou do filme, pode ter sido porque não leu o livro !
então além da classificação indicativa tbm tinha que ter classificação “nãoleuolivristica”.
O filme é um filme! voce tem que velo nos 90 minutos e ele tem que se bastar.
agora vc n pode gostar de alguma coisa q n leu o livro? se o cara ficou entediado no filme vai dizer que foi chato oras pq provavelmente eu tbm vou ficar.
Então livro e filme pra voce é a mesma coisa.
trasncrever um livro bom cena por cena na tela inevitavelmente vai gerar um filme bom?
melhor pq n pega e coloca as imagens das paginas na tela pragente ir lendo no cinema ai vai ficar bem fiel e vai ser ótimo pq o livro é bom né?
aliaz livro de auto ajuda é foda!
Esse filme é um porre! Ver júlia Roberts se martirizando de um lugar pra outro, se empanturrando de pizza na Itália, esfregando chão na Índia e encontrando o amor da vida dela sem mais nem menos, me poupe.
O filme é maravilho. Se prestar atenção em cada lição é um aprendizado!Pena que a crítica é sempre ruim…lição de butiquim, é para pessoas que não possuem sensibilidade, sendoincapazes de perceber a profundidade dos dialogos e das mensagens!Um dos melhores filmes qie ja vi!
Sr.Darlano Didimo
Engraçado que a maioria das pessoas que assistiu o filme adorou o enredo, as “lições de moral baratas”, tudo…tudo foi perfeito!
É um filme que é o contrário de um sonífero, é um PROZAC!
Vontade que durasse mais e mais tempo!!!
A trama trata do amadurecimento em relacionamentos, da busca interior, das emoções reprimidas, de como lidar com as vontades, de como lutar por essas vontades.
Este filme está fazendo um sucesso absurdo e garanto que os espectadores não são tão leigos quanto o sr. imagina…em grande parte são cinéfilos de carteirinha!
O site Cinema Com Rapadura se não for seu, deveria demiti-lo de crítico de cinema, pois sua opinião diverge totalmente do consenso do público.
Oi,
Devo dizer que sou um cara vivido nesse tipo de romance/drama/autoajuda, minha mãe é fã, e assisto eles desde a infancia. Não é meu estilo preferido, mas não se pode dizer que eu tenho preconceito para com eles.
Assiti ao filme, e as duas críticas que li aqui nesse site se encaixam perfeitamente na impressão que é tive, o filme é longo, vazio e só se salva o primeiro terço do filme e Júlia Roberts…
Não diria “lições de moral baratas”, mas, eu sai da sala sem entender em quê que aquele filme “ajuda” alguem…
“amadurecimento em relacionamentos, da busca interior, das emoções reprimidas, de como lidar com as vontades, de como lutar por essas vontades.” Falar disso ele até fala, mas não acrescenta em nada, não “ensina” nada.
Além de tudo, no final das contas, ele praticamente diz que “uma mulher precisa de um homem pra achar seu equilibrio”, o que eu discordo completamente.
Enfim, não gostei, e achei exagerada sua avaliação, seja do filme, seja do crítico.
Tu não leste o livro, né?!
O filme é mesmo um sonífero. Entrou para a seleta lista de filmes que não sei como terminam pq dormí antes de acabar e nem pretendo assisitir de novo para descobrir.
E pessoal, uma coisa é o livro outra coisa é a película. Eu não lí o Senhor dos Anéis e achei o filme otimo, não lí Laranja Mecanica(agora já lí) e adorei o filme, mesma coisa com Poderoso Chefão (agora tb já lí), Exorcista, Bebe de Rosemary, Silencio dos Inocentes ,entre vários. Um filme tem que ser avaliado como FILME e não como livro. Se um filme não consegue se sustentar sozinho e precisa que quem assistiu compre o livro para entender ou gostar então ele não funcionou enquanto película.É difícil vossas pobres cabecinhas lidarem com opiniões contrárias a suas? Se todo mundo gostasse do azul o que seria do vermelho?
No mais, me poupem. O filme é uma bomba. Olhar um médico retirar uma unha encravada no alicate é mais entretenimento do que isso.
Rachei kkkkkkk
eh o que sempre tento dizer aqui…Ninguém aceita o gosto dos outros…começam a choramingar e bancam os ofendidos!!!
Isso já encheu o saco!
Não li o livro, adorei o filme….
Venho aqui para deixar o meu desapontamento com esse filme…
Deixo claro que é entediante mesmo para quem não leu o livro e para quem leu, fica aquele gosto de que faltou tudo no filme.
Li todos as criticas e os comentários e não acredito que eles(os produtores e diretores) quiseram seguir o livro fielmente, pois com certeza não conseguiram.
Achei as cenas fantásticas e Julia Roberts esta maravilhosa “SIM” no filme…
Mas ele se perdeu completamente, a essência que o livro tem em nada se reflete nesse filme.
E digo, Liz não foi para Bali para encontrar um homem e sim para encontrar o equilibrio entre o prazer e a devoção. E odiei a mensagem que o filme consegue transmitir de o “verdadeiro equilibrio”…
Nem de longe esse longa pode-se dizer que foi uma adaptação de algum livro !
Coitada de Liz Gilbert…
Nunca concordei tanto com uma crítica! Filme chato, auto-ajuda barata cheia de clichês, o filme parecia que tinha 4 horas , muito ruim!
Concordo com o comentário que diz que um filme que não se sustenta por si só, não é um filme bom. Só faltava essa, ter que obrigatoriamente ler o livro para entender o filme. Ao contrário do que dizem sobre o filme levar a reflexão e sensibilidade, achei superficial , futil e tipico de pessoas vazias que não tem problemas, daí resolvem inventá-los para ter com o que sofrer na sua “vida perfeita”.
Não li o livro, portanto, não sei dizer se o filme seguiu ou não o “best-seller”. No mais, concordo com tudo o que foi dito na crítica acima: trata-se de um filme chato e vazio – aliás, o que é que se podia esperar de um filme baseado num livro de auto-ajuda? O suposto “bom-humor” do filme se concentra em piadas bobas e versões estereotipadas dos italianos, por exemplo. Ah, e o Javier Bardem de brasileiro, pelamordeDEUS!
Ps.: ao contrário do q o filme diz, eu sou brasileiro, e NUNCA fui beijado na boca pelo meu pai, nem conheço nenhum amigo q tenha sido e ache isso normal, “um costume local”…
Concordo com o Thomas.Primeiro que a mulher decide se separar do esposo por nada. Nçao dá nem uma chance pra tentar consertar o relacionamento. Depois parte para uma viagem totalmente sem rumo e sem sentido.
Tenho q admitir, entretanto, que a parte de Roma foi muito legal. As cenas foram muito bem feitas. A parte da India foi ate interessante. Mas quando ela chega em Bali, vem a decepção. Aqueles estrangeiros desavisados, vao achar q Bali é a capital do Brasil. Nossa, quando começaram as cenas com a musica MPB tocando num bar de Bali comecei a rir. Depois vem um Brasileiro q nao fala portugues (Parece mais o Dr Rey)e que tem o “costume” de beijar o filho na boca. Isso sem contar a floresta “tropical”, os macacos andando pela floresta, o portugues carregado de sotaque. Enfim, a ultima parte quebrou. Depois das mentiras de Scwazzeneger, o que o Brasil menos precisa é de um filme que o reduza, nem que por engano ou desaviso, à um local simplesmente exótico. =(
Julia roberts, realmente é uma excelente atriz, mas nem ela conseguiu tirar a mesmice do tema. com certeza é um filme que deve ser locado e nao visto no cinema.
Não li o livro e gostei do filme! Mas acho que foi muito mais pela fotografia, que é muito interessante, do que pelo roteiro ou pela história, que não são chatos, só que também não são excepcionais.
E essa história de ter que ler o livro pra assistir o filme eu acho errada, pq o produto audiovisual não deve ser só para os leitores da obra, e sim para um público mais amplo, afinal são mídias diferentes, e apesar de conectadas, no caso das adaptações, devem ser autônomas para o consumidor
Concordo com a crítica, filme chato e entediante. Fui acompanhar a minha esposa ao cinema e nem sabia que existia tal livro, passei o filme inteiro na expectativa de algo acontecer e quando finalmente o filme acabou me perguntei… e aí? Não acontece nada?
Já minha esposa adorou… acho que é filme pra mulher mesmo. Ou talvez seja pq tinha assitido Tropa 2 na vespera e eu fui esperando algo de espetacular desse tal de Comer, Rezar e Amar. De qualquer maneira não recomendo ninguem pagar para assistir, espera passar na Sessão da Tarde mesmo.
Excelente crítica! E o sr. Darlano demonstra não entende bulhufas de cinema. rs.
Abraço!
Não entendi porque uma mulher saiu de um casamento sem nem explicar direito a causa,depois roda o mundo prá se “encontrar” em outro homem?Não gostei do livro.Passa o tempo,os séculos e a mulher busca “auto-ajuda” sempre no homem!Em tempo,não sou machista,sou casada tem muuuuuito tempo, amo meu marido e pela minha experiência de “ouvidora” de amigas conclui que todos homens são iguais,só muda a fachada!Então,diante disso,achei o livro bem fraquinho,acho que vou gostar do filme pelo entretenimento.
para as pessoas que tem uma determinada idade com certeza já passou por problemas e sentimentos angustiantes. já tentei meditar, é verdade no começo eu ficava pensando em que carro queria ter qual cor coisas nada a ver com meditação,outra coisa verdadeira e tambem dolorida e quando falamos que ta tudo bem com relação a sentimentos quando nossos amigos se metem no querer ajudar,tentamos disfarçar. a verdade é o seguinte quando me lembro da minha ex eu so lembro das coisas boas que passamos juntos e desejo sempre o bem , e isso o filme demonstrou ,ele pode ser monotono mas é isso mesmo. e separação nem sempre tem uma explicação!