Cinema com Rapadura

OPINIÃO   quinta-feira, 02 de agosto de 2007

Mary Poppins (1964): um filme que marcou gerações

"Mary Poppins" é um musical no melhor estilo Disney. Canções alegres, personagens cativantes, lições sobre o amor e a amizade. Tudo isso com o talento de Julie Andrews e Dick Van Dyke. Um grande filme que marcou gerações e ainda permanece vivo na memória dos fãs.

Na Londres de 1910, George Banks (David Tomlinson) é o diretor mais jovem do Banco Fiduciário Fidelity. Entretanto, Banks não demonstra em casa o mesmo tato que tem para cuidar das cifras. Seus filhos, Jane e Michael (Karen Dotrice e Matthew Garber, respectivamente), são duas pestes que não conseguem manter uma babá por mais de duas semanas. A última delas acaba de deixar a casa, quando os garotos fogem atrás de uma pipa descontrolada. Decidindo não mais perder o controle da situação, o pai das crianças resolve ele mesmo contratar uma nova ama. Eis que o vento muda de direção e surge Mary Poppins (Julie Andrews).

De forma desconcertante, Mary Poppins aparece e acaba sendo contratada para o posto. A partir daí, sua missão é aproximar o pai distante que só se preocupa com o trabalho e assuntos “sérios” e os filhos que fazem traquinagens para chamar sua atenção. Com brincadeiras divertidas, muita imaginação e, é claro, alguns truques, Poppins consegue dar outras cores aos moradores do número 17 da Rua das Cerejeiras.

“Mary Poppins” pertence à safra de filmes da Disney conhecida pelo entretenimento para a família. Ou seja, é uma produção que agrada a todas as idades e, além de divertir, guarda alguns ensinamentos morais para a criançada. Aqui, a importância da família é, sem dúvidas, a maior lição. Os pequenos gestos ao lado daqueles que se ama são valorizados sobre o mundo material e características como generosidade e bom-humor são destacadas.

Personagem de oito livros da australiana P. L. Travers, Mary Poppins teve sua história adaptada pelos estúdios Disney em 1964. Apesar da idade, a produção continua atual, mais de 40 anos depois do lançamento. Apesar das mudanças enfrentadas pela educação e pelo comportamento infantil ao longo das décadas, é difícil que alguma criança não se encante com o mundo mágico da babá inglesa e o carisma de Julie Andrews.

A atriz que teve sua estréia em live action neste filme (anteriormente já havia dublado o desenho “A Rosa de Bagdad”) é a escolha certa para o papel. Ganhadora do Oscar pela interpretação da babá, Andrews é mais lembrada pelo papel-título de “A Noviça Rebelde”, outro musical. No entanto, sua interpretação na fita de 64 é tão memorável quanto. Andrews imprime a doçura e a rigidez da dissimulada personagem na medida certa e transforma a praticamente perfeita Mary Poppins em nossa pessoa favorita, como se referem a ela os pingüins-garçons em determinada cena. Praticamente perfeita porque não consegue separar a razão do coração, o que a deixa mais humana e nos faz amá-la mais ainda.

Afora os dotes de atriz, Andrews é uma excelente cantora e bailarina e encontra em Dick Van Dyke seu parceiro ideal. O limpador de chaminés Bert é uma espécie de discípulo de Chaplin e o humor físico é seu ponto forte. Também ótimo cantor e dançarino, Van Dyke ainda surpreende aos menos atentos nos créditos finais. Ele também é responsável por interpretar o velho Sr. Dawes, presidente do banco onde George Banks trabalha.

Em tempo, é interessante observar a personagem de Glynis Johns, Winifred. A esposa de George Banks é uma feminista de carteirinha que luta pelo voto feminino, mas dentro de casa é mulher submissa sujeita aos mandos e desmandos do marido.

Além do Oscar de melhor atriz, a película levou para casa os prêmios de melhor edição, melhores efeitos visuais, melhor trilha sonora e melhor canção original por “Chim Chim Cher-ee”. Mas todas as canções do filme se destacam pela alegria ou emoção proporcionadas ao público. Prova disso é a abertura que sobrevoa Londres ao som de uma pout-pourri com a trilha quase completa ao invés de se optar por uma só. Destaque para a divertida “A Spoonful of Sugar” e a bela “Feed the Birds”.

Completando o mise en scène estão as coreografias de Marc Breaux e Dee Dee Wood. O figurino de Tony Walton também permite uma melhor movimentação em cena. Contudo, dentre os aspectos técnicos, o que mais chama a atenção são os efeitos especiais. Avançados para época, eles ainda funcionam muito bem hoje, sem parecerem ultrapassados. As crianças e, até mesmo, os adultos não teriam dificuldade de se deixar enganar. Basta reparar nas cenas em que Mary Poppins plana com seu guarda chuva, na seqüência em que os atores contracenam com personagens animados e na arrumação do quarto das crianças.

Após assistir ao espetáculo que é “Mary Poppins”, se lhe faltarem palavras, ainda há uma coisa que se possa tentar dizer: “supercalifragilisticexpialidocious”.

Igor Vieira
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