Anápolis Festival de Cinema anuncia hoje os melhores filmes do ano
As mostras competitivas apresentaram produções de Anápolis e de todo o Centro-Oeste, além de filmes brasileiros já prestigiados no circuito nacional.

O III Anápolis Festival de Cinema começou na última sexta-feira (03) e teve em sua abertura a exibição do curta anapolino “Mestre Carreiro”, de Arnaldo Salustiano, e do longa “Raul – O Início, o Fim e o Meio”, de Walter Carvalho (“Budapeste”). Arnaldo Salustiano foi vencedor da Mostra Competitiva de Curtas Anapolinos do ano passado com o filme “O Giro da Capelinha” e realizou “Mestre Carreiro” com o prêmio recebido. No entanto, o filme apresentado durante a abertura do festival deste ano se mostrou muito inferior ao que era esperado pelo público. Salustiano erra ao ser muito “literário”, usando de maneira exagerada trechos do livro no qual o filme foi baseado. O diretor também peca ao usar fotos de acervo em excesso e a montagem e fotografia são fracas. Os personagens do filme têm um sotaque muito carregado, impossibilitando muitas vezes a compreensão do espectador.
“Raul – O Início, o Fim e o Meio” continua encantando plateias. De certa forma, nessas ocasiões, o ídolo retratado acaba se tornando maior que a obra. O filme procura destrinchar a história de Raulzito por meio de quem foi importante para ele, de suas parceiras de vida a seus parceiros de composições. É interessante observar o conflito que surge acerca de quem foi mais marcante e influente em sua vida e no trabalho. O documentário talvez enfraqueça um pouco ao querer dramatizar ou artificializar alguns momentos, mas o que vemos na tela é alguém que, mais do que mito, é também um ser humano, sujeito a erros e acertos. Carvalho também mostra o seu domínio sobre as imagens em uma cena particularmente bonita, em que um amigo de Raul canta uma canção de Elvis contracenando com imagens e sons do próprio.
Já os dias sucessivos à abertura foram reservados às mostras competitivas: Adhemar Gonzaga (longas brasileiros de ficção), Curtas do Centro-Oeste e Curtas Anapolinos. Apesar de um histórico recente no campo da produção audiovisual, Anápolis mostra que pode ter um futuro promissor nessa área, se investimentos e incentivos continuarem a ser feitos. Os curtas exibidos no festival revelam uma qualidade bastante heterogênea em suas produções. Alguns filmes, como “Bilhete”, de Matheus Leandro Amorim Souza, mostram um amadurecimento da cinematografia anapolina. “Bilhete” é tecnicamente competente e Matheus consegue dirigir muito bem seus atores, inclusive nas cenas em que é necessário o timing cômico. No entanto, muitos curtas ainda deixam a desejar. “Amor e Ódio”, de Giovanni Tronconi, é um exemplo. Poderia ser até considerado um filme trash, mas não foi essa a intenção de Giovani. O curta procura levar uma mensagem ao espectador (sobre a violência contra mulheres), mas é tão insatisfatório que ninguém realmente lembra qual a intenção original do diretor.
A Mostra Adhemar Gonzaga trouxe grandes e prestigiados filmes nacionais de ficção: “Cara ou Coroa”, de Ugo Giorgetti; “Homem Mau Dorme Bem”, de Geraldo Moraes; “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça Filho; “Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios”, de Beto Brant e Renato Ciasca; “Colegas” (foto), de Marcelo Galvão, e “Febre do Rato”, de Cláudio Assis.. Destaque para “O Som ao Redor”, que já participou de vários festivais por todo o mundo. Kleber Mendonça Filho demonstra maestria ao retratar uma visão política do Brasil em um bairro residencial, tendo como apoio uma pitada de fantástico, o coronelismo, as relações de poder, a invisibilidade dos mais desfavorecidos, o preconceito de classes, o relacionamento entre pessoas que dividem um mesmo ambiente e como eles enxergam o “outro”.
Os curtas e longas vencedores serão anunciados nesta sexta-feira (10).
O Cinema com Rapadura está em Anápolis para participar do III Anápolis Festival de Cinema.
