Uma Thurman é o grande destaque de “Marido por Acaso”, filme que conta com uma história boba, previsível e totalmente fora da realidade. Uma infeliz tendência que as novas comédias românticas estão seguindo e que, por isso, acabam passando despercebidas.
Com a direção de Griffin Dunne (“Da Magia à Sedução”), a trama conta a vida de Emma, que tem um programa de rádio no qual ela fala sobre o amor e suas regras básicas. Uma ouvinte decide abandonar o noivo devido a uma sugestão dada pela conselheira. Isso é feito de uma forma tão exageradamente ruim que faz com que a moça após uma simples sugestão de Emma, esqueça a sua história de vida ao lado do noivo e o abandone sem, ao menos, uma explicação. Isso leva o ex-noivo da moça a querer vingança.
As temáticas abordadas nas recentes obras do gênero estão cada vez mais parecidas. Ao mesmo tempo, percebe-se que quando surge uma história ousada e carismática, ele estoura e serve de inspiração para inúmeras outras que, quando vão tentar seguir seus passos, acabam caindo na mesmice novamente. A previsibilidade das comédias não pode ser tida como um fator que prejudique a mesma, uma vez que não é novidade que o público espera dessas obras algo que é comum a todas: o "final feliz". Mas tudo tem limite. Além disso, o que está diferenciando uma da outra é justamente o seu desenvolvimento e suas atuações.
"Marido por Acaso" foi realizado no Reino Unido e tem como principal destaque a bela Uma Thurman que mostra sua desenvoltura para diversos tipos de papéis. No atual, ela faz uma apresentadora segura e decidida que, aos poucos, demonstra que também pode sofrer com os relacionamentos. Ora decidida, ora confusa, suas cenas são as melhores e o que salvam o longa. A atuação de seu par romântico, o ator Colin Firth, não convence em nada e mostra um cara bonito, bobo, que poderia ser realizado por qualquer ator disponível.
A trilha sonora de Andrea Guerra é o diferencial da obra ou, ao menos, era para ser. Mesclando temas culturais diferentes, principalmente indiano, a trilha dá um toque bem moderno. A intenção de juntar uma outra cultura é valida desde que não se tente copiar “Casamento Grego”, impressão que surge após a cena em que Emma vai conhecer a família do rapaz. A fotografia de William Rexer é mais fraca impossível. Nada vibra. Nada realça. Nada contribui para o brilho da história. Várias perguntas sobre a realização do filme vêm à mente após os 96 minutos de projeção.
Algumas cenas até conseguem ser bem divertidas como a em que Emma e Patrick ficam presos no elevador e esquecem que estão sendo filmados. Ainda assim, essa e quase todas as outras cenas do longa dão a impressão de já ter visto aquilo em algum lugar. Influência é uma coisa, cópia é outra.
No final temos mais uma fraca comédia romântica com uma história sem graça e cheia de semelhanças com outras obras do gênero. Mais um “final feliz” forçado e batido. Mais uma história que será esquecida logo após a sessão.
