Cinema com Rapadura

OPINIÃO   quarta-feira, 27 de maio de 2009

Uma Noite no Museu 2 (2009): mais uma sequência desnecessária

Uma nova visita aos personagens mais reais da História só é possível em “Uma Noite no Museu 2”, Contando com os mesmos diretores e roteiristas do primeiro longa, esta sequência esquece o pequeno detalhe do argumento utilizado não ser mais uma novidade e, assim, torna-se mais uma boba e vazia continuação de cinema.

Dois anos depois de ter vivido uma das aventuras mais fantásticas dentro de um museu, Ben Stiller está de volta na pele de Larry Daley, o antigo guarda noturno que decidiu fazer uma visitinha ao museu onde trabalhava e acabou percebendo que seus amigos vão dá lugar a peças mais modernas e interativas. Eles são enviados ao Instituto Smithsonian, em Washington, o maior complexo de museus do mundo. Ao saber que seus amigos estão correndo perigo nessa nova morada, Larry Daley não pensa duas vezes e decide fazer algo para ajudá-los, o que acabou se transformando em uma outra grande aventura histórica, mas que nem de longe repete a eficiência da primeira.

O diretor Shawn Levy até tenta desenvolver sua obra da melhor forma possível, mas sua pouca experiência em sequências fez com que ele cometesse muitos erros que em diversos momentos causam desconforto ao público. É o que acontece nas cenas de humor que fazem interligação com o filme anterior. Elas simplesmente passam despercebidas e juntam-se as muitas outras cenas em que a real intenção não foi alcançada, proporcionando um acúmulo de sequências que mais parecem ser desnecessárias.

No elenco encontram-se nomes que já brilharam na comédia anterior como o próprio Stiller e Owen Wilson, ambos repetem o bom desempenho, embora o último tenha perdido espaço nessa película. Além desses, encontra-se também novos nomes como o de Amy Adams e o de Hank Azaria, este é mais conhecido por seus trabalhos de dublagem. A atriz interpreta a famosa Amelia Earhart, conhecida por ser a primeira mulher a voar pelo Pacífico. Mais uma vez, uma bela moça encontra o personagem principal e decide ajudá-lo e os dois formam uma dupla que só poderia terminar em um romance. Mais previsível impossível.

É totalmente perceptível a falta de ousadia dos recentes trabalhos cinematográficos. Obras são feitas apenas para “cumprir tabela”, faturar muito sem se preocupar com a qualidade ou com alguma outra coisa que não seja o lucro. Argumentos exaustamente repetidos, histórias bobas, falta de ousadia. O medo de ousar é entendido como um medo de fracassar, medo de não ter o retorno do gigantesco investimento que foi feito. É uma pena, já que o público perde o gosto pelas sequências que são cada vez mais vazias de novidades e atrativos.

O humor da obra, que era para ser o principal atrativo, acaba tornado-se o principal fator que causa indiferença. Quem gosta de ouvir piadas sem graça? Ao longo dos 105 minutos da obra, que mais parecem intermináveis, raros são os momentos que arrancam uma boa gargalhada ou, ao menos, uma simples sorriso. Os macaquinhos do museu são os que mais conseguem essa façanha. É impressionante que sempre sobra para o macaco.

Se “Uma Noite no Museu 2” deve em inúmeros pontos, ela encontra na arte gráfica a sua salvação. É um espetáculo de efeitos que ora dão vida a inúmeras peças do acervo do museu, ora proporcionam cenas de bastante ação que muito agradam e prendem o espectador. O momento que representa uma verdadeira guerra entre povos de diferentes épocas históricas é muito bem executado, tornando a obra uma interessante aula de História que pode motivar o público a procurar saber quem foi Abraham Lincoln, por exemplo. O ex-presidente norte americano é revivido na forma de estátua e tem uma importante função na trama. Destaque para o design gráfico que realmente merece elogios.

A trilha sonora aqui também é válida. Seja na voz do Coldplay, seja na voz dos anjinhos do museu, ela agrada e está em todas as partes, desde as cenas de ação, até durante o romance. A fotografia de John Schwartzman é outro ponto de destaque, principalmente na cena em que os personagens entram em uma tela de pintura. A caracterização é muito eficiente.

O que se pode dizer é que “Uma Noite no Museu 2” é mais uma sequência desnecessária feita com a intenção de repetir a eficiência de um filme anterior. Um filme que até impressiona por seus efeitos especiais que são, sem dúvida, os maiores atrativos do longa, mas que não proporcionam nada além do que já foi visto anteriormente. Que não venha o próximo!

Marcus Vinicius
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