Vergonha alheia: são essas duas palavras que definem o fiasco que é “Super-Heróis – A Liga da Injustiça”. Outro representante da safra de comédias pastelão que satirizam Hollywood, o filme é um desperdício de tempo e dinheiro.
Will (Matt Lanter) tem um estranho sonho no qual a cantora Amy Winehouse (Nicole Parker) aparece para alertá-lo sobre o fim do mundo que envolve uma caveira de cristal e o dia 29 de agosto. Ao acordar, ele tenta em vão alertar a namorada Amy (Vanessa Minnillo) sobre a terrível tragédia e acaba pondo um fim à relação dos dois. Mais tarde, durante sua festa de aniversário, terremotos, meteoros e outras bizarrices acometem a cidade concretizando as previsões da cantora. Enquanto todos procuram fugir o mais rápido dali, Will convence seus amigos Calvin (G. Thang), Lisa (Kimberly Kardashian) e Juney (Crista Flanagan em uma referência clara à Juno de Ellen Page) a voltar e procurar por Amy que está presa no Museu de História Natural.
A sinopse acima é uma mera desculpa para mais um filme de sátiras que Hollywood vem produzindo, nos quais gags se revezam na tela fazendo troça com os atores/cantores e filmes do momento. Desta vez, o cerne central da gozação são os filmes de catástrofe, daí o título original “Disaster Movie”. No português, a adaptação para “Super-Heróis – A Liga da Injustiça” pode ser justificada com certo esforço pela presença de personagens como Hancock, Hulk e Homem de Ferro.
Nos anos 2000, a franquia “Todo Mundo em Pânico” foi o primeiro contato de uma nova geração com filmes-paródia, produzidos a rodo na década de 80 e 90. Sucessos entre os jovens, como a trilogia “Pânico” e “Matrix”, ganhavam suas versões pelas mãos dos irmãos Wayans. A década foi passando, seqüências foram feitas e o gênero ganhou força novamente nas bilheterias. A cada ano, um novo filão era explorado e foram surgindo pérolas como “Uma Comédia Nada Romântica”, “Espartalhões” e “Deu a Louca em Hollywood”. Neste novo exemplar, faltam as participações de mestres do pastelão como Charlie Sheen e Leslie Nielsen e o carisma de Anna Faris que fizeram sucesso em “Todo Mundo em Pânico” e sobra o mau-gosto, item que também marcava presença no mesmo.
Piadas escatológicas dos mais variados níveis que envolvem sexo, placenta e outros departamentos que não me atrevo a comentar abundam. Dificilmente a dupla de roteiristas/diretores Jason Friedberg e Aaron Seltzer obterá êxito em arrancar risos da platéia. Aposto no silêncio constrangedor durante grande parte da projeção. Afinal, nem com Amy Winehouse (prato cheio para piadas) eles conseguiram algo interessante. Para não ser injusto, comentários sobre o excesso de peso de Vince Vaughn e uma referência a Hayden Christensen como o cara que estragou “Star Wars” garantem uns risinhos.
Além dos já citados acima, aqueles que se atreverem a ir ao cinema verão brincadeiras com os atores de “High School Musical”, Hanna Montana, Jessica Simpson, Justin Timberlake, Kung Fu Panda, Indiana Jones, Angelina Jolie, o sempre lembrado Dr. Phil e muitos outros. “Super-Heróis” é basicamente um caça-níquel através do qual jovens atores ganham uma chance de aparecer na telona e mulheres como Carmen Electra reafirmam seus papéis de gostosas.
Infelizmente, enquanto o público estiver disposto a pagar para ver esse tipo de produto nas salas de cinema, outros sofrerão com isso. O dinheiro gasto na produção poderia estar investido em filmes de verdade e as salas de exibição exibindo entretenimento de qualidade. A presença da personagem Juney só nos faz lembrar o quão é possível com tão pouco fazer comédias inteligentes que se tornem um sucesso de público. É uma pena que os produtores de “Super-Heróis” e grande fatia do público não pensem assim.
