Divertido, cativante e encantador. "Da Magia à Sedução" tem o brilho de Nicole Kidman, o bom-humor de Sandra Bullock e uma história que deve agradar à família toda.
Sabe um daqueles filmes gostosos de assistir em um final de tarde? “Da Magia à Sedução” pode ser encaixado como um desses entretenimentos. Ele não é complicado, tem uma trama centralizada em uma quase fábula e faz graça com sutileza. Aquelas tiradas que acabam percebidas depois que você assiste de uma segunda vez. Não por serem de difícil compreensão, mas por não trazer em si a necessidade de ser imediatamente notado.
Quando Maria Owens é condenada à forca no século dezoito, os habitantes da pequena vila onde vive alegam que a sentença foi dada em razão de ser bruxa, quando no fundo, algumas mulheres claramente insatisfeitas com o número de amantes da bruxa a querem longe de seus maridos. Só que a corda que enforcaria Maria se rompe, fazendo com que acabe apenas banida, e não morta. Grávida, e esperando pelo homem que realmente ama, ela sofre a agonia de nunca vê-lo chegar, e em um momento de desespero enfeitiça a si mesma, para que nunca mais ame de novo e consequentemente: sofra de amor. Com o tempo, o feitiço vira uma maldição contra qualquer homem que ousar amar uma Owens.
A história aparenta ser bem simples – e é. Trata-se na verdade da adaptação do primeiro romance escrito por Alice Hoffman. Escrito pelo trio formado por Robin Swircord (que havia adaptado anteriormente o clássico “Little Women” para as telas), Akiva Goldsman (de “O Cliente”) e Adam Brooks (da comédia romântica “Surpresas do Coração”), o filme nada mais é que exatamente aquilo que se propõe ser: uma história de amor que traz anexa a si um pouco de fantasia, drama, suspense e boas risadas. E funciona. Mesmo com as críticas de que teria sido feito para uma sessão da tarde, o filme é divertido.
Segundo filme para o cinema de Griffin Dunne, a direção do longa é, assim como o resto da produção, bem-humorada. Nada de takes artísticos ou sequer inovadores. Mas eles cumprem a função para os quais foram criados: os elementos básicos para cada gênero utilizado no filme estão ali. Seja para nos dar susto, para cativar ou suspirar. E algo muito bem utilizado no filme: ele consegue tirar humor de situações completamente inóspitas, fazendo o espectador acabar rindo de si mesmo.
No elenco, nomes conhecidos do público como Sandra Bullock (“Amor à Segunda Vista”) e Nicole Kidman (“Moulin Rouge”), esta última ainda em fase de ascensão à época do filme. Bullock, uma atriz de comédias românticas de carteirinha, vive a talentosa bruxa Sally Owens. Tudo que Sally quer na vida é esquecer da herança deixada por suas bruxas antepassadas e ter uma vida como a das crianças de tradicionais famílias americanas. Diferente dela, sua irmã Gillian (Kidman) sofre justamente por não ter essas habilidades. Completamente diferentes e complementares, as duas conseguem entrar em sintonia e fazer crer no difícil parentesco que carregam. Kidman está ótima como a irmã que está sempre metida em confusões, e que termina por carregar para dentro de seu emaranhado a responsável irmã.
Apesar de ser uma produção de baixo orçamento, a película ainda conseguiu reunir na trilha nomes como Joni Mitchell e Nick Drake, clássicos britânicos, e os populares americanos Elvis Presley e Marvin’ Gaye. A trilha instrumental, originalmente composta por Michael Nyman, foi rejeitada apenas alguns dias antes de o projeto chegar aos cinemas, e substituída às pressas por composições de Alan Silvestri. Simples e eficiente, a trilha é uma terceira personagem no desenvolvimento da história.
