O filme que marca o retorno de Michelel Pfeiffer às telas é desnecessário e sem sal. Faltam adjetivos para descrever o medíocre.
Desde “Deixe-Me Viver” Michelle Pfeiffer se afastou dos holofotes e se dedicou à sua família, seu marido, o escritor David E. Kelley, e seus dois filhos. Foi um longo intervalo para uma atriz que mostrou grande talento em papéis variados. Seu retorno às telas é marcado com essa comédia simples, “Nunca É Tarde Para Amar”.
Pfeiffer é Rosie, uma roteirista de televisão, divorciada, mãe de uma pré-adolescente. Seu sucesso como mãe e como membro da equipe criativa de uma série juvenil é inversamente proporcional a seu sucesso como mulher. Mesmo bonita, solteira e bem-sucedida Rosie não possui um relacionamento. Parte do motivo é representado pela “mãe natureza”, um divertido modo de ilustrar sua consciência, constantemente alertando-a de sua idade um pouco avançada.
O próprio preconceito da protagonista é testado quando Adam, interpretado por Paul Rudd, chega aos estúdios para dar inovar. O comediante logo se torna um sucesso não somente no mundo artístico, mas também no coração de sua roteirista.
Não há nada de inovador nesse longa-metragem, da reunião da diretora Amy Heckerling com seus atores de “As Patricinhas de Beverly Hills”, Paul Rudd e Stacey Dash, ao roteiro fraco e os personagens bidimensionais.
Mesmo a interessante idéia de tornar a consciência de Rosie uma personagem falha miseravelmente. A mãe-natureza é machista, conformista e egoísta. Mesmo sendo uma extensão da protagonista é ela, e ela sozinha, que mais chama atenção durante toda a projeção. É a única figura apresentada que desperta certo interesse do público, os outros personagens são planos demais, desinteressantes, comuns. Não são personagens ruins, são personagens sem dimensão.
“Nunca É Tarde Para Amar” é uma história sem conflito, o que faz parecer que o roteiro foi escrito em uma tarde de outono extremamente tediosa. É o tipo de trama que ilustra um momento banal da vida de alguém.
É difícil explicar a sensação que temos ao sair do cinema. Não foi um tempo perdido, não foi uma lição de vida, não foram 97 minutos de diversão. Michele Pfeiffer escolheu algo pobre demais para marcar o retorno à sua profissão. Não é talento que falta, é espaço para demonstrá-lo. A atriz não tem nenhum momento dramático, nenhum momento cômico, não tem momento algum.
A relação de Izzie e Rosie é amigável, nenhum problema, nenhum desentendimento. A secretária Jeannie como vilã é previsível e fácil. O chefe Marty é estereotipado e desnecessário. A relação de Pfeiffer e Rudd é interessante, mas perde o sentido após dois minutos em cena. As piadas sobre a obsessão pela imagem em Hollywood são cansativas.
“Nunca É Tarde Para Amar” é um filme feito para a TV, passável, pouco criativo, mas que teve muita sorte com seu elenco, só não soube aproveitar os grandes atores que carrega. É difícil encontrar um adjetivo diferente de “medíocre” para classificar esse trabalho. Ao final, não é uma maravilha, mas tampouco é detestável. Esperamos apenas que os próximos trabalhos de Michelle Pfeiffer façam jus ao talento da bela.
