Cinema com Rapadura

OPINIÃO   segunda-feira, 26 de junho de 2006

Poseidon

Com um elenco mediano, com uma história mediana e com efeitos especiais medianos, só podia se ter um filme mediano. Dessa forma, sem surpresas, Poseidon segue seus 89 minutos.

Em síntese, o longa conta a história de alguns tripulantes de um navio, que é virado por uma onda gigante. Enquanto dezenas de pessoas ficam presas em um salão de festas, um grupo tenta alcançar sua saída através da casa de máquinas do navio.

A história não é ruim, mas também não tem nada excepcional. Em geral, a trama é conduzida de maneira célere, tendo uma boa seqüência de cenas que chega a tirar o fôlego, na qual o grupo liderado por John Dylan (Josh Lucas) e por Robert Ramsey (Kurt Russell) tem que passar rapidamente por vários compartimentos para fugir da água, que avança contra eles. A celeridade com que é conduzido o longa mostra, desde o início, que ele quer, sem rodeios, retratar um naufrágio. Logo no começo, já somos apresentados ao navio em alto-mar, somente após são mostrados os elementos acessórios da trama, tais quais os romances. Dessa forma, rechaça-se comparações diretas com filmes como Titanic, por exemplo, pois neste o romance é um dos temas centrais. O roteiro, no entanto, tem várias quebras de ritmo, que faz a película perder um pouco a qualidade. Algumas cenas desnecessárias, aliadas a uma edição irregular, são responsáveis por essa perda, fazendo com que a história, já limitada, fique mais ainda sem brilho.

Os efeitos computadorizados, que não acontecem com tanta freqüência como esperado, não decepcionam quando requisitados. Usa-se precipuamente efeitos mais tradicionais, como explosões e inundações de corredores. A maquiagem é um aspecto que deixa a desejar em alguns momentos. Para ser mais específico, refiro-me aos cadáveres, que, em algumas cenas, percebe-se nitidamente tratar-se de bonecos. E se não o são, a maquiagem é tão ruim que os atores ficam parecidos com aqueles.

O elenco fica impossibilitado de realizar grandes interpretações porque seus personagens são planos. A partir desse fato, pode-se dizer que eles não decepcionam, porquanto atuam dentro daquilo que lhes foi dado, porém nenhum deles rende elogios, uma vez que nenhum ator conseguiu dar um algo a mais a seus personagens, dentre eles destacam-se Jacinda Barrett (Maggie James), Richard Dreyfuss (Richard Nelson), Jimmy Bennett (Conor James), Emmy Rossum (Jennifer Ramsey), Mike Vogel (Christian), Mía Maestro (Elena Gonzalez), que, juntamente com os dois anteriormente citados, completam o grupo que tenta escapar do navio. O único que está aquém é o ator mirim Jimmy Bernnett, que interpreta Conor James. Sua atuação é demasiadamente artificial, quebrando a homogeneidade das interpretações do elenco.

Poseidon não é um filme ruim, porém é daqueles a que você assiste uma vez, e ele não lhe instiga a mais uma rodada. Dessa forma, não compensa pagar um ingresso mais caro por ele, nem deve ser visto quando se está cansado ou de mal humor, pois ele não é suficientemente bom para fazer o espectador esquecer de tais coisas. É um filme que se assiste, gosta-se e só.

Jonas Maciel
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