Vem Dançar tem uma história com potencial, que poderia se igualar a entretenimentos (eu disse entretenimentos) como o filme da Jennifer Lopez, Dança Comigo. Porém o filme não consegue ultrapassar os limites máximos das apresentações caricaturadas das dificuldades da vida e como a dança tenta mudá-la, fazendo com que não desenvolva uma simpatia por parte do espectador, que dificilmente vê essa verdadeira mudança na vida dos jovens.
Pierre Dulaine é um professor de status, procurado tanto em sua escola de dança de salão como também conhecido por ajeitar pessoas que não possuem ritmo nenhum. Uma noite, retornando de uma festa onde seus alunos haviam se apresentado, ele se depara com um jovem, depredando o carro da diretora da escola ao qual o garoto estuda. Determinado a mudar esse comportamento através da dança, Dulaine vai até a escola para dar aulas de dança de salão. É aí que ele conhece “os rejeitados” alunos problemáticos que irão passar o resto do semestre na detenção da escola. Pierre agora tem a missão de ensinar dança de salão para jovens que vivem uma realidade totalmente diferente, nos bairros pobres de Chicago (apesar de cismarem que lá é Nova York, a cidade usada nas gravações é Chicago).
Diane Houston, estreante em roteiros para o cinema (seus poucos trabalhos anteriores todos foram para a televisão) enfrentou alguns problemas, e até achou a potencialidade da história, mas se perdeu no meio do caminho. A criação de tantos personagens no filme acabou fazendo com que ela tentasse optar por dar atenção a todos, o que levou ao roteiro ficar superficial para cada personagem, não fazendo com que o espectador sentisse realmente na pele que aquele jovens encontrassem na dança a necessidade de mudar suas vidas. Aliás, por não aprofundar na vida de cada um, o filme termina sem que tenhamos a comprovação que suas vidas mudaram, a não ser pelo discurso bem interessante que Dulaine faz no meio do filme, para os pais que desejam acabar com as aulas de dança no colégio.
O mesmo acontece com Liz Friedlander, que é estreante na cadeira de diretora em cinema, tendo em seus trabalhos anteriores somente direção em videoclipes. Esse despreparo por parte da diretora prejudica em muitos pontos o filme, como por exemplo, as danças que o filme possui. Somente uma delas realmente é impressionante (a da Morgan com Pierre Dulaine), e ela simplesmente acaba com a grandiosidade da dança do tango no final da exibição, quando ela resolve encher o momento com vários cortes, várias câmeras, o mesmo problema enfrentado por Baz Luhrmann, em Moulin Rouge, na cena também do tango Roxanne (problema que foi resolvido no DVD, quando lançado nos extras a cena completa na qual a pessoa pode escolher qual câmera ela quer assistir em somente uma câmera). Claro que, por também ter sua experiência em clipes, ela consegue fazer cenas de dança empolgantes, mas que rapidamente acabam e voltamos a entrar nos problemas sociais de cada aluno. (Ainda não me sai da cabeça que aquele tango parecia ter saído de uma dança de um dos clipes do Ricky Martin).
Vem Dançar enfrentou o mesmo problema que Dança Comigo: o trailer. Os dois criaram trailers empolgantes, que vendiam o filme, porém Vem Dançar não consegue trabalhar o carisma de Antonio Banderas como foi trabalhado o de Richard Gere em Dança Comigo, e, mesmo os dois filmes tendo poucas danças, Dança Comigo consegue cativar muito mais pelo carisma dos personagens (Stanley Tucci está excelente!), enquanto Vem Dançar só tem um apoio todo nas costas de Antonio Banderas, que acredito que não tenha sido chamado para o filme mais por um jogo de marketing (um nome de peso no elenco para atrair público aos cinemas), mas realmente é difícil imaginar outra pessoa no papel de Pierre Dulaine que não seja Antonio Banderas (e friso que o mesmo acontece quando é para imaginar uma professora de dança de salão que não seja Jennifer Lopez).
Por não se aprofundar na história dos personagens, por trabalhar com atores que são péssimos (até a piveta que fez a Maroa no filme venezuelano que concorreu ao festival Cine Ceará interpretava melhor!), e jogar toda a confiança em Antonio Banderas (que teve uma atuação sem nenhum atrativo, culpa também da inabilidade da diretora), o filme que, no começo parece ser interessante, ainda mais porque os espectadores esperam ver muitas danças, logo se torna um filme enfadonho, que vai se tornando chato e sem nenhum atrativo, nem mesmo a trilha sonora consegue contagiar o suficiente para vender o filme.
Mas claro, para quem ama dança, tem paixão, ou quem já viu X-Men 3 ou Código Da Vinci, Vem Dançar pode ser opção melhor que Garfield 2. Ou, se preferir, economize o dinheiro, já que cinema não é uma diversão tão barata assim.
