Mais uma comédia romântica que chega às telonas sem muito compromisso, revelando-se um razoável passatempo para aqueles que não estão procurando filmes verdadeiramente bons e que querem apenas uma diversãozinha previsível, porém agradável.
O filme conta a história de Ashley Albright (Lindsay Lohan), uma moça cuja sorte a acompanha em todos os momentos da sua vida. Não existe chuva, nem falta de táxi nem falta de dinheiro. Ashley é sortuda demais e tudo na sua vida acontece muito fácil. Em Nova York, a moça trabalha em uma empresa de relações públicas e ficou responsável de organizar uma festa de máscaras em Manhattan para Damon Phillips (Faizon Love), um magnata da indústria fonográfica e dono da empresa. Como já é de se esperar, o personagem Jake (Chris Pine) é o oposto de Ashley. Nada dá certo para o pobre garoto que vive sendo alvo de tudo de ruim que possa acontecer com alguém, um verdadeiro desastre e desfruta da sua falta de sorte. Os protagonistas se conhecem na festa organizada pela sortuda e a partir daí um troca-troca de sorte e azar atinge a vida dos dois, levando-os a caminhos que não estavam costumados a viver: ela sem sorte e ele o mais sortudo de todos.
Originalidade não é bem a melhor palavra para Sorte no Amor. A fraqueza e inconstância do roteiro deixam a história bastante previsível e nada inteligente. Usar da fama da belíssima Lindsay Lohan que, cada vez mais está alcançando seu espaço na indústria cinematográfica, é a maior e melhor arma para atrair público. A construção do roteiro não foi muito difícil, baseando-se em protótipos que buscam conquistar o público pelo carisma e competência dos personagens, jogados em uma história ralinha e boba, que, ao meu ver, tinha tudo para ser melhorada. Os diálogos não se sustentam e as piadas são totalmente esperadas e não conseguem atingir o espectador. Sem muita graça, o apelo às ações para arrancar um pouco de gargalhada de quem assiste até que dá certo, mas o que não dá mérito para o filme se encaixar no gênero de comédia. O romance entre os personagens principais não convence e denuncia que o filme foi feito apenas para no fim estar escrito “e viveram felizes para sempre”. O uso do exagero nas relações de sorte e azar de Ashley e Jake acabam atrapalhando algumas cenas que poderiam ser seqüenciadas de forma mais sutil e menos idiota, agredindo em algumas partes a inteligência do público. Poucas sacadas são boas, deixando as outras para segundo plano. Bom mesmo é o elenco que leva o filme nos seus 112 minutos de duração e não decepciona em nenhum instante.
Lindsay Lohan aparece bem mais magra e mais competente. Mostrando desenvoltura e se diferenciando dos personagens anteriores, por mais que o figurino não a ajude muito, mas que acaba passando despercebido frente ao cenário maravilhoso de Nova York, lembrando as externas do maravilhoso e extinto seriado Sex and The City. A moça tem tudo para ser uma nova estrela hollywoodiana, só falta investir mais e sugar seu talento, coisa que pode ser feita jogando outros gêneros de filmes nas mãos dela, e não apenas dando comediazinhas ralas e dispensáveis. Não me refiro a Meninas Malvadas, que é uma comédia sutil e de um naipe diferente dos outros, se encaixando na escassa lista das comédias boas; mas acredito que Lohan tenha competência para atuar em outros gêneros mais maduros. Chris Pine conseguiu criar um personagem que se opõe perfeitamente às situações de sorte e azar e conquista o público desde o primeiro momento, principalmente por ser aquele galã que vai se apaixonar pela mocinha do filme. O elenco de apoio também não faz feio. A relação entre os personagens foram bem postas, mas como já disse, com uma pobreza nos diálogos, que poderiam ser melhor explorados.
A direção do competente Donald Petrie (Como Perder um Homem em Dez Dias) parece mais perdida que nunca. Oscilando em momentos bons e ruins, Petrie parece que não quis se dedicar de corpo e alma para trabalhar com mais responsabilidade as cenas e seqüências, que, acabam sendo apenas razoáveis e deixam um pensamento que poderiam ter sido melhor exploradas, mas talvez, o roteiro clichê de tantas pessoas que escreveram (umas 4), não deu margem para Petrie se sobressair na produção, deixando o destaque mesmo para a simpatia dos protagonistas, que passam por situações impossíveis e entregam o que vai acontecer em seguida no uso de frases prontas que poderiam ter sido evitadas e deixando menos previsibilidade no longa.
De qualquer forma e acima de todos os defeitos e fatos decepcionantes de Sorte no Amor, o filme acaba sendo uma boa opção infanto-juvenil, que traz todos os atrativos que uma produção do gênero tem para chamar os jovens e dar-lhes momentos de descontração e algumas poucas e ‘boas’ risadas. Um filme de roteiro fraco que tinha tudo para se diferenciar meio a tantos clichês, mas que foi pouco explorado na parte técnica, usando gags imperdoáveis e responsabilizando a produção de Bruce Willis (sim, Bruce Willis assinou a produção O.O) e o elenco de levar uma trama que classifica-se apenas como mediana no gênero. No mais, cinco estrelinhas está de bom tamanho.
