A Profecia, que teve sua estréia em um dia atípico (06/06/06) por questões de marketing, acaba retratando o atual momento da industria Hollywoodiana. O resultado?! Mais do que esperado.
Antes de qualquer coisa, deixo claro que essa crítica é feita por alguém que não assistiu o primeiro filme de A Profecia. Logicamente, será algo imparcial de comparações internas. Mas farei algumas externas antes de começar a desferir palavras à produção.
Como dito, o projeto é uma refilmagem do clássico de 1976 de mesmo título. Depois desse primeiro de 1976, vieram mais três: A Profecia 2 (1978), A Profecia 3 – O Conflito Final (1981) e A Profecia 4 – O Despertar. Esse último é pouco conhecido, pois foi feito diretamente para a TV americana. A ganância fez com que a idéia de refilmar o clássico viesse à tona. Mesmo não tendo assistido aos três primeiros filmes, não vi muitos motivos reais para isso acontecer. Afinal, o filme ganhou um Oscar de Melhor Trilha Sonora, além de ter sido indicado na categoria de Melhor Canção Original pela música "Ave Satani", recebeu uma indicação ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Revelação Masculina (Harvey Stephens), além da indicação ao BAFTA, na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante (Billie Whitelaw).
A estória do filme é sobre o filhinho do capeta (que meigo, não?). Como o nome já diz, ele é baseado na profecia de que após algumas combinações de fatos e números, o Anti-Cristo irá chegar a Terra, tornando o mundo caótico, além de desvirtuar todos os seres humanos. Robert Thorn (Liev Schreiber) e sua esposa Katherine (Julia Stiles) estão prestes a ter um filho, porém a criança morre logo após o parto, o que faz com que Robert adote um bebê para colocá-lo no lugar do filho, sem que Katherine soubesse. Seis anos depois Damien (Seamus Davey-Fitzpatrick), o filho de Robert e Katherine, começa a dar sinais de que seja o Anti-Cristo.
Por incrível que possa parecer, o filme é um prato cheio de competência. Por muitos momentos ele contagia os espectadores e demonstra algumas reviravoltas interessantes. Mas, isso se torna completamente inválido, pois o filme não é de comédia. Isso mesmo! Os momentos de contágio àqueles presentes na sala de projeção são por conta de seus momentos hilários. O que era pra ser assustador, faz rir. Pelo menos na sala onde eu assisti, eu e os presentes rimos do que estava acontecendo. As reviravoltas, então, é que trazem gargalhadas mesmo. A trama demonstrou-se de fato bastante amadora.
Mesmo tendo escolhido o gênero errado para ser definido (ainda não sei porque escolheram terror em vez de comédia), ele traz algumas coisas interessantes. Dentre elas a trilha sonora é um destaque. Se não fosse o roteiro tão frágil, ela entregaria menos as horas de susto, mas tirando esse problema, ela demonstra uma exuberância importante para a criação da atmosfera do filme. Era de se esperar, tendo em vista que o primeiro filme traz músicas espetaculares em sua trilha sonora, é só comprar o CD dela e escutar para ter certeza.
Como tinha falado, o roteiro é falho. Mas a condução imposta a ele é que o tornou mais frágil ainda. Em nenhum momento a trama consegue prender, tornando o filme totalmente descartável. Não sei se o primeiro teve essa falha, mas se você não a observou, prefira não assistir essa refilmagem. Poupe-se das boas lembranças que o primeiro filme te deixou. É uma dica que dou.
Quando muita coisa vai ruim, uma tem que se sobressair por se só, no caso, as atuações. O corpo de atores até que consegue isso em alguns momentos. O protagonista Liev Schreiber (diretor e escritor e “Uma Vida Ilumida”) é o mais esforçado. Ele faz um trabalho normal sem deixar resquícios negativos para o contexto geral do filme. Julia Stiles como Katherine Thorn (Rachel Weisz esteve cotada para esse papel) é fraquinha demais. A atriz dos filmes de Jason Bourne (Indentidade Bourne, Supremacia Bourne e o inédito Ultimatum Bourne) realmente não foi feita para o papel. Além da franquia Bourne ela já havia feito o divertido “10 Coisas Que Eu Odeio Em Você” e é aquele rostinho que fica na cabeça. O fotógrafo David Thewlis (Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban, Instinto Selvagem 2) é o melhor dentre seus companheiros, mas ele não tem um plano de destaque e não é deveras usado na trama, mesmo tendo lá sua importância. Agora o ator-mirim Seamus Davey-Fitzpatrick é o Capeta Júnior, batizado por seus pais como Damien – uma analogia ao nome demônio? – entretanto, ele está mais para um sobrinho do Tio Patinhas, formando assim um novo grupo; Huguinho, Zezinho, Luizinho e Diabinho. Sabe aqueles olhinhos que entregam alguma traquinagem que o grupinho fazia, pois bem, deve ter sido a inspiração que o pequenino ator utilizou para formular seu personagem. E não me venha dizer que é por causa da idade dele. É de pequeno que a gente conhece as marmotas.
Talvez você observe a grandiosa utilização da cor vermelha. Escolher tais representações é deveras subjetivo. Quando você se propõe a trabalhar com imagens, é comum colocar situações assim. Cores em exagero para representar algo, atores colocados em perspectivas há algumas coisas que serão observadas pelos mais atentos e etc, mas é preciso que essas representações sejam usadas estrategicamente e não com tanto exagero. Mas deu pra entender, era para demonstrar sofrimento e tirar a mistificação de que o preto é a cor que representa o ruim.
Para que o roteiro fosse mais consistente seria preciso mais minutos de projeção, o que tornaria o filme insuportável e todo o clima de comédia poderia ter ido embora. Além do mais, para aqueles que gostam de mortes bem produzidas, elas já pagam alguns ingressos. De resto, é resto e o que é resto, você sabe bem o que deve ganhar: lixeira!
