Cinema com Rapadura

OPINIÃO   sexta-feira, 02 de junho de 2006

Aladdin

Aventura, romance, crimes, traição. Isso é Aladdin, a animação da Disney que fez muito sucesso em 1992 e se tornou um clássico, além de gerar uma franquia de continuações e uma animação para a televisão.

Aladdin é um conto que faz parte da coleção Síria de contos chamada “Mil e uma noites” e um dos mais conhecidos no mundo Ocidental. Originalmente a história se passa na China, contando sobre um jovem garoto (Aladdin) que é contratado por um Feiticeiro para recuperar uma lâmpada de uma caverna mágica traiçoeira. Após tentar enganá-lo, Aladdin resolve ficar com a lâmpada, e descobre um gênio dentro desta, que irá realizar os desejos de quem estiver em poder do objeto. Com ajuda deste, a personagem principal se torna um homem rico e poderoso, casando então com a princesa. O feiticeiro então retorna e consegue enganar a esposa de Aladdin, conseguindo pegar a lâmpada. É então que, sem o gênio da lâmpada, nosso herói descobre um outro gênio, que vive no anel que o Feiticeiro havia dado a ele anteriormente. Então com a ajuda do novo gênio ele consegue recuperar a lâmpada e sua esposa, que havia sido levada pelo Feiticeiro.

Para apresentar para a criançada e virar um tema de desenho, a Disney fez diversas modificações, que mesmo que altere em muito o curso da história original ainda consegue fazer um desenho com o tema principal da história. Mudando de lugar a cidade, para “Agrabah”, mudando o Feiticeiro para um grão-vizir e conselheiro (Jafar) do sultão, colocando animais de estimação, tanto para Aladdin (Abuh) quanto para Jafar (o papagaio Iago) e para a princesa Jasmine (Rajar), esquecendo o gênio do anel e colocando um gênio amalucado na lâmpada, a Disney consegue com competência desenvolver não só uma história, mas personagens interessantes e com conteúdo psicológico, não permanecendo nas tolices de “gags” (situações engraçadas) com pancadas e piadas bestas (não que essas gags não existam, mas em bem menor quantidade do que os desenhos atuais). E diga-se de passagem, um dos piores vilões (ao lado de Scar, em O Rei Leão).

Para se ter uma noção do peso que está embutido na história do desenho, a dupla de roteirista do desenho são Ted Elliott e Terry Rossio. Se você nunca ouviu falar deles, vale lembrar que os dois são responsáveis por roteiros como “A Máscara do Zorro”, “Shrek”, “Planeta do Tesouro”, “Piratas do Caribe” e as suas franquias que estréiam ainda esse ano e no próximo. E mesmo sendo esses últimos filmes mais recente do que Aladdin, todos os elementos que os transformaram em sucesso estão inclusos neste filme.

A trilha sonora é assinada pelo veterano, quando se fala em animação da Disney, Allan Menken, indicado ao Oscar em todas as animações da Disney em longa metragem ao qual foi responsável (A Pequena Sereia, A Bela e a Fera, Aladdin, Pocahontas e Hércules).

Para provar também que Aladdin não é apenas mais uma animação como as diversas que vem entupindo as salas de exibições, com muitas cenas cômicas e quase zero de mensagem ou mesmo história de fundo que sustente o filme. Aladdin ganhou dois Grammy de melhor Canção e melhor trilha sonora, bem como dois Globos de Ouro na mesma categoria e também dois Oscars nas mesmas categorias. Isso sem contar as indicações ao Oscar em melhor canção também para “Friend like me” (o ganhador do Oscar foi a canção “A Whole new World” também do mesmo desenho), Melhor Efeito Sonoro e Melhor Som. Também concorreu com mais duas músicas no Globo de Ouro com “Friend Like me” e “Prince Ali”. Indicado também ao Grammy por “Friend Like me”. Indicado também a Melhor Filme e Melhor Canção no MTV Movie Awards. Agora depois dessas premiações e indicações compare com os desenhos atuais e vejam quantos chegam ao menos próximo a essa animação.

Aladdin é um dos primeiros desenhos da época de Ouro da Disney, quando ela ainda prezava por histórias com conteúdo e animações que agradavam a pais e filhos (vale salientar que essa preocupação retorna em roteiros como Os Incríveis e Procurando Nemo, mas que são produções basicamente da Pixar, com distribuição da Disney). E é por isso que ainda hoje, mesmo 14 anos depois de seu lançamento nos cinemas, essa é uma história que ainda permanece e permanecerá por muitos anos na memória de quem, ainda criança, assistiu a esse filme nos cinemas (e eu fui uma dessas). Essa é para guardar e relembrar quantas vezes quiser!

Leonardo Heffer
@

Compartilhe

Saiba mais sobre