Cinema com Rapadura

OPINIÃO   terça-feira, 26 de julho de 2005

Aventuras de Shark Boy e Lava Girl em 3-D, As

Digamos que eu não estava muito entusiasmada para ver "As Aventuras de Shark Boy e Lava Girl". Quando não se espera muita coisa do filme, fica mais chato ainda de se ver. O filme, numa abordagem fofinha sobre sonhos, mostra um roteiro um tanto diferente.

Trata-se da história de Max, um garotinho sonhador que não tem muitos amigos. Ele transcreve todos os seus sonhos para um diário. E é em um desses sonhos, que ele encontra Shark Boy e Lava Girl. Shark Boy, interpretado por Taylor Lautner, tem uma história um tanto quanto estranha. Ele vivia com seu pai em um laboratório marinho, que de repente foi destruído por uma tempestade. Então, Shark Boy é salvo por tubarões, e começa a viver com eles e a criar guelras e barbatanas(?). Já Lava Girl, vivida por Taylor Dooley, não tem sua história revelada. Ninguém sabe, a não ser Max, como seu corpo se tornou lava. Os dois aterrisam aqui na Terra para pedir a ajuda de Max pois o Planeta Baba, também inventado por Max, está se acabando. E para isso, eles tem que destruir o Sr. Elétrico, vivido por George Lopez, um meio-homem com braços de ondas elétricas e maldade de sobra. Como o Planeta Baba foi inventado por Max, ele só pode achar a solução quando der conta que pode mudar o destino de todos, apenas sonhando.

Tudo bem até aqui, aceitável como um filme infantil. E como todo filme americano, "As Aventuras de Shark Boy e Lava Girl" também conta com piadinhas e trocadilhos (feitos repetitivamente) sem graça. Coisa que poucas crianças(ou nenhuma) entende. A produção de filmes infantis, hoje, está muito escassa. É bom lembrar, que nem todo desenho animado é para criança. Muitos dos filmes que são ditos como "infantis" trazem roteiros diferentes do imaginado. Pediram-me para criticar esse filme, tentando usar uma visão infantil. Creio que só me agradaria o 3-D, tecnologia já usada por Robert Rodriguez em "Pequenos Espiões". É divertido usar aqueles óculos e ver imagens "saltando" da tela em sua direção.

Os atores mirins, Taylor Dooley e Taylor Lautner, não deixam passar uma emoção muito grande, deixando o filme com um aspecto monótono. Cayden Boyd, que interpreta Max, foi escolhido a dedo pelo diretor, ja que o protagonista da história, seria na verdade o filho de Robert Rodriguez, diretor do filme.

A fotografia foi muito bem bolada. O Planeta Baba tem vários "monumentos" que a maioria das crianças, americanas ou não, conhece. Entre esses monumentos, inclui um Game Boy e um controle de um Nintendo. Os personagens navegam por um rio de leite em um barco banana-split, e caem numa pedra que na verdade é um biscoito.

O filme não é todo em 3-D, também pudera, iria custar muito caro. A mudança de imagem normal para imagem 3-D um pouco estranha, pois um enorme letreiro ficava piscando "Glasses On". E nessas horas, só o que se ouvia eram mães falando, "Põe os óculos ai, menino!". Sendo o pioneiro com filmes em 3-D, Robert Rodriguez conseguiu superar-se e aperfeiçoar seus recursos com esssa tecnologia.

Mas nem todas as emoções foram virtuais, a mensagem passada pelo filme contagiou o público infantil. Mesmo que esse não seja o melhor exemplo de filme, creio que muitas crianças saíram de lá com a idéia de nunca desistir de seus sonhos. Quem sabe a gente não vai encontrar um Max por ai, perceverando para conseguir o que quer?

Cinema com Rapadura Team
@rapadura

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