Cinema com Rapadura

Críticas   segunda-feira, 28 de março de 2005

Kill Bill Volume 2

Tarantino surpreende de novo com a seqüência de um dos melhores filmes do ano passado. Ele conseguiu tirar toda a superficialidade que as personagens tinham no filme anterior e ainda inova! Filmão!

O título de melhor filme do ano se confirma pra mim (pelo menos até agora) ao ver essa belezura espetacular que é KILL BILL VOL. 2. Tarantino baixa a bola nessa segunda parte, mas quem já está preparado pra isso, vai curtir bastante as cenas mais lentas e de conversas típicas do diretor (destaque para a cena da teoria do Super-Homem). Em certo sentido, dá pra comparar a diferença dos dois volumes de KILL BILL com a diferença de tons existente entre PULP FICTION (1994) e JACKIE BROWN (1997). Tarantino brinca com as expectativas do público.

Quem reclamou da superficialidade dos personagens na 1ª parte, finalmente vai calar a boca ao ver a profundidade que eles ganham nessa conclusão. Sente-se o carinho que Tarantino tem pelos seus personagens, mesmo fazendo eles comerem o pão que o diabo amassou. Uma Thurman, a noiva, é cuspida, humilhada e até enterrada viva, numa das seqüências mais memoráveis do filme.

A violência continua, mas em tom menos exagerado. A cena de maior violência do filme acaba acontecendo na briga de Uma com a personagem de Daryl Hannah, que tem um final chocante. Interessante como os homens no filme são mais "zen", enquanto as mulheres são mais piradas, mais violentas. Mesmo se tratando de malvados assassinos, os personagens de David Carradine e Michael Madsen são bem tranqüilões.

Não saí do cinema tão entusiasmado feito uma criança como aconteceu quando vi o Volume 1. Graças ao andamento mais lento do filme, acabei saindo do cinema menos empolgado, mas bastante maravilhado. A primeira cena que me deixou de boca aberta foi aquela em que a câmera se distancia aos poucos da Igreja, dando espaço para vermos a chegada do bando de assassinos de Bill. As cenas do aprendizado com o Pai Mei também são fantásticas – dá vontade de pegar uns filmes antigos de kung fu pra ver. (Por falar nisso, alguns filmes produzidos pelos Shaw Brothers, como OS CINCO VENENOS DE SHAOLIN e O TEMPLO DE SHAOLIN estão disponíveis em DVD no Brasil.) Tarantino fez questão de deixar a fotografia do filme, dirigida por Robert Richardson, semelhante à desses filmes de Hong Kong na seqüência do treinamento com Pai Mei.

A trilha sonora continua uma atração à parte: destaque para a canção "Goodnight Moon", de Shivaree, e para a mexicana "Malagueña Salerosa", que toca no final do filme, enquanto vemos cenas de todos os personagens dos dois volumes. Mais uma prova de que a contribuição de Tarantino para a cultura pop tem sido incalculável desde PULP FICTION, quando o cineasta trouxe de volta a surf music para as pistas de dança.

Aparentemente as citações e homenagens a outros filmes não são tão numerosas como na primeira parte. Dá pra perceber o óbvio: o western spaghetti, Lucio Fulci numa homenagem a PAVOR NA CIDADE DOS ZUMBIS, THEY CALL HER ONE EYE (o violento filme que inspirou a personagem de Darryl Hannah), filmes de kung fu em geral, o seriado KUNG-FU estrelado por David Carradine…

Dessa vez, Tarantino brinca menos com as referências e se preocupa mais em explorar o passado e o futuro de seus personagens. O homem é sábio. Agora é torcer pra que um dia nós, brasileiros, tenhamos a sorte de ver KILL BILL completo num único volume na tela do cinema, como Tarantino originalmente havia planejado.

Cinema com Rapadura Team
@rapadura

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