Acredite se quiser, mas tiros, perseguições, carros velozes, poeira e músculos são os principais argumentos de um filme imperdível.
Filmes de ação costumam estar no topo da lista dos parodiados, abertamente criticados e facilmente esquecidos. O excesso de tiros e perseguições, o roteiro cheio de furos e os habituais astros do gênero (Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Van Damme e Steven Seagal) parecem motivos suficientes para que o resultado final do produto ocupe um lugar inferior na relação “custo-benefício” de alguns.
Quando um diretor pouco conhecido e um elenco de estrelas do peso de Liam Neeson, Bradley Cooper, Jessica Biel e Patrick Wilson deixam de lado o medo do ridículo e assumem os exageros típicos do gênero, acabam realizando, em tempos modernos, uma síntese de tudo o que o cinema de ação representou. Acontece que “Esquadrão Classe A” é muito mais divertido do que qualquer antecessor.
Sem medo de parecer grotesco, o diretor Joe Carnahan, do igualmente divertido “A Última Cartada”, apostou seu orçamento em uma refilmagem do seriado homônimo da década de 80, que no Brasil era exibido pelo SBT. Também responsável pelo roteiro, Carnahan não deixou de lado nenhuma das características intrínsecas aos personagens e ao formato da narrativa.
No filme, quatro ex-veteranos da Guerra do Vietnã se reúnem para impedir o transporte de placas de impressão da moeda americana. Perseguindo organizações criminosas em terras do ex-ditador Saddam Hussein, o grupo precisa deter o transporte do material que seria usado para falsificação de dólares, recuperar a patente e reconhecimento perdidos após uma operação falha e desvendar um esquema de corrupção que envolve grandes nomes da polícia norte-americana.
A personalidade dos membros do Esquadrão segue a fórmula de sucesso do seriado, e as peculiaridades de cada um deles foram bem desenhadas. O Coronel John “Hannibal” Smith, líder e mentor da equipe, ganha vida por meio de um Liam Neeson em excelente forma. Bradley Cooper é Templeton “Cara de Pau” Smith, dono de uma lábia que consegue reverter as piores situações. Quinton Jackson vive o brutamontes Bosco “BA” Barracus, agora com algumas novas fobias. Sharlto Copley completa a equipe como o insano H.M. Murdock, responsável pelas sequências mais cômicas do longa.
Jéssica Biel, sensual como poucas personagens da ficção conseguiram se mostrar, prova que a beleza está longe de ser seu único atributo, e garante mais importância à sua personagem, a controversa general do exército americano Charisa Sosa. O elenco de protagonistas ainda leva o nome de Patrick Wilson, como Lynch, que vai transitar entre vários segredos.
Se o time de estrelas assumiu os exageros que saltam aos olhos do espectador, a direção de Carnahan também não abandonou os excessos. A típica apresentação de protagonistas, com closes estáticos e letreiros com nome, sobrenome e apelido, estão presentes no início do filme. Planos que se mesclam em uma velocidade vertiginosa e sequências de ação que acabam desorientando quem assiste também estão lá.
A edição ágil ajuda a sedimentar a confusão visual do espectador e nesse ponto o exagero acaba se tornando incômodo. Tanta agilidade, tantas informações, tantos excessos confundem a narrativa e exigem atenção redobrada.
A trilha sonora parece saída dos filmes da franquia “Indiana Jones” e segue a clássica linha de embalar as sequências de ação, com notas elevadas e que não deixam o ritmo cair nem mesmo quando a confusão parece resolvida. Mais um ponto positivo no saldo final de “Esquadrão Classe A”.
Tudo o que você abominava nos filmes de ação está presente neste lançamento. Todas as características que consagraram esse gênero como predominantemente masculino também estão lá. E é justamente por abusar de tais características, sem medo de represálias e de ser acusado de um saudosismo desnecessário, que ele é tão divertido. “Esquadrão Classe A” é o típico filme de Sessão da Tarde? Sim, e com orgulho.
