Cinema com Rapadura

OPINIÃO   sábado, 15 de agosto de 2009

Força G

Quem disse que para ser um herói tem que ser grande, forte e amado por todos? “Força G” traz um grupo de pequenas criaturas que, apesar da pouca estatura física, possuem coragem de gente grande. Esta é a primeira aventura em 3-D do produtor Jerry Bruckheimer que, ao final de seus 88 minutos, deixa muito a desejar.

O FBI mais uma vez tem que se curvar ao talento de outros que não pertencem ao seu grupo. Dessa vez, são criaturas minúsculas formadas por três porquinhos-da-índia, uma mosca e uma toupeira que vão dar uma lição de moral aos americanos e mostrar que a verdadeira grandeza é a interna. Essas criaturinhas fazem parte de um treinamento do cientista Ben, depois do qual eles conseguiram desenvolver super habilidades como a comunicação com os humanos que permitiram aos heróis trabalhar em equipe. Assim, a história tenta seguir da forma mais empolgante possível com o auxílio de bons efeitos especiais e cenas de tirar o fôlego. O problema é que o roteiro vem repleto de falhas e clichês e isso faz com que o filme não consiga a eficiência almejada.

Uma das falhas mais graves do roteiro é a sua falta de profundidade. Isso prejudica o foco da história, criando alternativas que deixam a obra confusa e forçada. Quando surgem os belos efeitos especiais, eles facilmente superam a mesma. A personalidade de um dos integrantes do grupo, o Topeira, aparece bem confusa na história, já que em um primeiro momento ele é amigo e integrante da “Força G”, em outro ele é rancoroso e vingativo.

A direção de Hoyt Yeatman é razoável, uma vez que ele não consegue impor um ritmo constante na aventura que em sua primeira metade até desenrola bem, mas daí em diante é uma sequência desenfreada e um tanto exagerada de cenas de ação. Isso a principio pode até ser um importante atrativo na obra, mas se torna cansativo devido ao seu uso exacerbado ao ponto de desejarmos que aquilo logo chegue ao seu final, o que não acontece.

A tecnologia da vez, o 3-D, ao mesmo tempo que tem dado um gás novo às novas obras do tipo, tem contribuído também para o seu fraco desempenho nos outros aparatos principalmente no roteiro. A prioridade dada aos recursos dessa tecnologia transforma, na maioria das vezes, a história em um mero detalhe facilmente esquecido em seguida. A cena de perseguição entre FBI e a minúscula Força G é sensacional. Além do jogo de adrenalina, o uso dos recursos da nova tecnologia realmente acrescenta efeitos que impressionam a todos. Uma pena darem tanta atenção ao novo recurso e esquecerem os mais básicos.

Zach Galifianakis é o cientista Ben e Marcie (Kelli Garner) é sua assistente. Ambos possuem um desempenho totalmente ofuscado pelo carisma das criaturinhas que eles mesmo treinaram. Assim como o cientista e sua assistente, todos os demais não possuem uma participação marcante na obra. O inglês Bill Nighy vive o vilão estereotipado que nada mais deseja a não ser a dominação mundial. Os agentes do FBI mais parecem grandes bobos que não sabem nem qual é o verdadeiro inimigo que devem combater, já que passam boa parte da história combatendo a minúscula equipe que está mais preocupada em salvar o mundo e, assim, mostrar o seu trabalho.

A trilha sonora composta por batidas modernas como a da famosa banda de hip-hop americana “Black Eyed Peas” que emplaca dois hits na obra, entre eles o já sucesso “Boom Boom Pow”, mostra uma tentativa de conquistar ainda mais o seu público alvo. Além da música, a própria personalidade das criaturinhas mostra essa intenção, uma vez que eles tratam de temas bem atuais como os segredos da conquista e o uso de tecnologias bem conhecidas da garotada. A explicação que a porquinha Juarez dá ao seu companheiro de equipe sobre como as mulheres se expressam quando estão interessadas em alguém é, no mínimo, bem realista.

A obviedade da obra é um fator que não pode deixar de ser mencionado. Nada aqui é novo. São os heróis diferentes do padrão estabelecido, é o vilão eu quer dominar o mundo, é uma enorme sequência de efeitos especiais e até o 3-D, que não é uma grande novidade, visto que outros filmes já mostraram de forma ainda mais impressionante o alcance desse novo recurso.

“Força G” agrada apenas pelo carísma de seus integrantes e por seu ótimo desempenho visual repleto de efeitos bem conhecidos do diretor que já ganhou até Oscar nesta categoria. No mais, o filme abusa do padrão bem conhecido das obras do gênero e tem um resultado bem mediano. Um filme para a criançada e para os pais menos exigentes.

Marcus Vinicius
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