"Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado" tem um visual incrível, mas peca no roteiro e na escolha de seus atores, não atingindo o sucesso das produções baseadas em quadrinhos que começaram a levar multidões aos cinemas. Mesmo assim, ainda não é um total fiasco.
Hollywood criou um novo gênero, praticamente. Temos filmes de piratas, terror com psicopata, musicais, suspense e filmes de quadrinhos. A moda pegou há pouco tempo. Batman ressurgiu, X-Men virou mania, Hulk ganhou as telas como um monstro digital e Sin City renovou a linguagem com uma fotografia de deixar qualquer leitor arrepiado. Entretanto, claro, muitas porcarias chegaram aos cinemas também. Quarteto Fantástico foi uma delas.
Em 2005, uma segunda versão para as histórias de Sue Storm, Johnny Storm, Reed Richards e Bem Grimm, criadas por Stan Lee, foi produzida. A primeira versão, de 1994, nunca chegou ao mercado, banida pela Marvel e se tornando item de colecionador. O que a pérola dos anos 90 tem de melhor, no entanto, é algo perdido pela versão recente, a capacidade de assumir a tosquice.
“Quarteto Fantástico” não tem a mesma seriedade heróica de “Batman” ou “Homem-Aranha”. Por mais fantasiosas que sejam as aventuras dos coloridos personagens que alimentam as páginas dos quadrinhos, é possível acreditar no drama deles, nas lutas contra os vilões mais bizarros criados pelos autores. Os filmes precisam ter essa função, mostrando a verossimilhança estampada em cada frase pronunciada pelos heróis, por mais absurdas que possam parecer.
Piadas e falas bobas destroem completamente o que um filme de super-heróis é capaz de fazer. Por mais que mantenham o espírito descontraído e familiar dos quadrinhos, algo que os fãs com certeza vão apreciar, os conflitos passam a ser mascarados pelas brincadeiras e descontração dos personagens.
Em “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado” o grupo, mais uma vez formado por Jessica Alba, Ioan Gruffudd, Chris Evans e Michael Chiklis, enfrenta o famoso Surfista Prateado, um herói incompreendido enviado à Terra para destruí-la e, assim, salvar seu próprio planeta de Galactus, um comedor de planetas. Victor Von Doom também retorna para dificultar o trabalho do quarteto. O exército norte-americano e a mídia preocupada em cobrir o casamento de Sue Storm e Reed Richards tampouco ajudam.
É muito fácil dizer que, por mais preocupado com efeitos especiais e o clima de aventura que esteja o diretor Tim Story, a crítica à sociedade americana, preocupada com armamentos, guerras e segurança nacional enquanto o meio ambiente mostra sinais de que está se destruindo, se faz presente em “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”, mas não é uma crítica social que faz de um filme bom.
Julian McMahon como o Victor Von Doon não convence como vilão. Chega a ser engraçado de tão óbvio seu esforço para ser assustador. Jessica Alba parece estar no filme apenas para exibir seu corpo quando algo inesperado acontece com os poderes de Sue Storm. O mesmo vale para Chris Evans, que interpreta Johnny Storm. Suspiros da platéia masculina e da feminina não vão faltar. O que falta mesmo é substância.
O Surfista Prateado é um ótimo vilão que, devido à falta de tempo e as resoluções rápidas, perde a profundidade criada com cuidado nos quadrinhos. A imagem é de extrema importância para “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”, desde a escolha do elenco até o cuidado com os efeitos especiais, principalmente com a criação do Surfista Prateado, que não decepciona. Infelizmente, o roteiro foi renegado e o longa-metragem não consegue chegar ao nível de outras produções do gênero.
Se comparado a outras estréias de 2007, "Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado” não é péssimo, mas se equivale à mediocridade que enfrenta o cinema ultimamente. Como sempre, falta inovar e valorizar a história, antes de partir para o apelo visual por mais (com o perdão do trocadilho) fantástico que seja.
