Depois de aparecer com o péssimo "O Grito", quase toda a trupe está de volta na seqüência do filme que é mais do que um filme: é um exemplo! Um exemplo de como o que está ruim pode piorar ainda mais. O que eu chamaria de "pior do que péssimo"? Fácil demais: "O Grito 2".
Como disse, quase todo mundo está de volta em “O Grito 2” – alguns para morrer, é verdade -, até por isso torna-se importante ter assistido ao primeiro filme; não que a estória precise, mas só para você ver que como algo ruim pode ser pior ainda. Dessa vez, Aubrey Davis (Amber Tamblyn, de “O Chamado”), irmã da protagonista do primeiro filme, Karen Davis (Sarah Michelle Gellar), torna a personagem central da trama, mas nem tudo gira em torno dela. Tem uma nova família na trama, algumas estudantes, um jornalista, um garotinho, sua irmã e assim vai. Ah, lógico, não podia faltar a dupla de fantasmas barulhentos: Kayako (Takako Fuji) e o garotinho Toshio (Ohga Tanaka). Porém, diferentemente do primeiro, eles parecem mais “treinados”, sem mesmo assim serem eficientes e, também no que difere do primeiro, agora são três estórias (nem sempre em paralelo) acontecendo no filme, mas todas relacionadas ao tema da maldição que já conhecemos do primeiro filme.
É incrível como acontecem coisas ruins na vida de qualquer ser humano. Pior do que isso só acontecer algo ruim em um local que me sinto muito bem, ou seja, em uma sala de cinema. É isso o resultado de ir assistir a um filme em que todas as premissas são ruins. O pior, como vocês vão ver, é que todas se confirmaram ao longo dos cem minutos de duração da película. O máximo de compaixão que pude ter pelo diretor Takashi Shimizu e o roteirista Stephen Susco (que também estão no primeiro filme) foi sentir vergonha por eles, já que não poderiam estar presentes e se defenderem. Também com muito sentimento de pena – e um pouco de respeito -, não saí antes do filme ter seu fim.
Tudo já começa muito errado. A apresentação do filme é, nada mais, nada menos, do que uma recapitulação do primeiro, mas em vez de explicar, só mostra o flashback principal do filme anterior, não todo, mas mostra e, como de costume, usando um método medonho de mostrar um flashback. É uma tal de uma câmera desfigurada que desconfigura toda a imagem e, com ela, o entendimento que o espectador deveria ter. Em alguns casos pode até funcionar, mas não com o exagero e da forma que foi utilizada. Mesmo mostrando a idéia central do outro filme, acho relevante, se você quer mesmo assistir ao “O Grito 2” ter assistido ao primeiro.
Um fator evidentemente ruim ao longo do filme é a edição. Até nesse quesito eles conseguiram piorar. Quando vão de uma cena para outra dão lá um panorama na cidade, como se fosse de alguma importância para o filme termos o dia-a-dia de Tóquio na nossa mente. Para piorar, vimos aí o primeiro toque de exagero. São muitos cortes; muitos “corre para lá, vem para cá”; muda de foco, volta com o foco; e assim acontecendo até o final do filme. Inclusive, um final muito demorado de chegar que, além de cansar o espectador, faz alguns desistirem de esperá-lo.
É tudo muito meticuloso. Roteiro e direção se perdem em suas próprias mãos. Tornando tudo muito demorado, mas pouco aprofundado, o roteirista Stephen Susco definitavamente não conseguiu escrever três estórias e torná-las interessantes, bem como Takashi Shimizu não conseguiu conduzi-las de forma agradável, ou, pelo menos, aceitável. Outro fator que estraga ainda mais o roteiro e, conseqüentemente, o filme, é o fato de os personagens serem deveras forçados, visto que, só não aconteceu esse forçamento de barra com a Aubrey, pois ela já fora um pouco preparada no primeiro filme.
Quando você pensa que tudo já estava muito exagerado, eles conseguem exagerar mais ainda. Inclusive, mostrando Kayako (a branquela dos cabelos pretos que bota todo mundo para correr) como praticamente uma mutante. Depois desse filme, ela está prontíssima para entrar para os X-Men. Olho na garota; tem futuro! Além de matar de várias formas diferentes, demonstrando toda sua criatividade, é quase uma transmorfa. Mas está bom de falar dela, pois vai que é de verdade e acessa o Cinema com Rapadura, aí estou lascado.
Por falar em personagem, é justamente por causa de um deles que me diverti um pouco no filme. É quando quase estamos dormindo ou prestes a sair da sala que aparece um velhinho dentro de um ônibus ou um trem. Ele consegue pagar mais o ingresso em poucos segundos do que o filme todo. Não me atrevo a explicar o que ele faz, pois vale a pena ver, você irá rir. Vale ressaltar que ele vale de quase nada para o filme, pois só serviu mesmo para dar o tom de comédia (só consigo vê-lo assim). Lembrei também que, em uma cena, uma das estudantes se urina de medo, o que também rendeu-me momentos de largas risadas.
Depois de já ter errado em tudo, simplesmente tudo, ele ainda termina nos chamando de burros, pois resolve explicar tudo em um resumo do filme, repetindo várias cenas. Era como se estivesse explicando o óbvio, mas mesmo assim ele segue com essa até o fim. E o fim?! Bom, o fim é terrível (já que não posso falar palavrões, fica essa palavra mesmo). Mantenha distância!
