Cinema com Rapadura

OPINIÃO   domingo, 18 de junho de 2006

Garfield 2

Fazer a crítica de Garfield 2 é algo extremamente penoso, uma vez que a qualidade do filme não permite muitos comentários positivos e deixa espaço para uma avalanche de observações negativas. O filme é fraco em seu principal aspecto estrutural: a história, dirimindo todas as chances de o filme alcançar alguns de seus objetivos, como ser engraçado, por exemplo.

Uma pequena sinopse primeiramente. Após o sucesso do primeiro filme, que, tendo custado cerca de 70 milhões de dólares, arrecadou quase 200 milhões de dólares, os responsáveis nos presentearam com mais um filme desse ilustre felino, só que, no caso, o longa está mais para um presente de grego. Na história, Garfield vai parar na Inglaterra a fim de evitar que John (Breckin Meyer), seu dono, peça em casamento Liz (Jennifer Love Hewitt). Ele acaba sendo confundido com um gato aristocrata, chamado Prince, herdeiro de uma grande fortuna e de um enorme castelo. Pronto. Essa é a história, daí você tira o que o espera nos cinemas. Não há nenhuma surpresa ou algo a mais. Aliás, há sim. Decepções, e muitas.

Os atores são um dos poucos aspectos do filme que não está sofrível. O elenco experiente não desaponta, mas também fica preso a atuações patéticas, dado ao próprio roteiro da película. Quanto aos atores animais – cães, ratos, coelhos, patos, papagaios, etc. -, não há nenhuma novidade, tornando-se até entediante ver pela enésima vez os mesmos truques que esses animais são capazes de fazer. Não que eu ache ruim. É até bonitinho, porém, após um infindável número de filmes nessa linha, dentre os quais destaque para Babe, O Porquinho Atrapalhado, a coisa tornou-se bastante cansativa e monótona.

A história é o principal assassino do filme. Sendo fraquíssima, consegue deixar um dos personagens mais cômicos das tirinhas sem graça alguma, arrancando apenas alguns poucos risos comedidos da platéia. Se o humor de Garfield está ruim, avalie então o dos outros personagens. Vislumbrou? Pois é. Uma desgraça! Acho que apenas comecei o esboço de um sorriso em três ou quatro oportunidades, com destaque para a explanação de Garfield sobre a “filosofia da lasanha”, e para a cena, mais que manjada por sinal, em que Prince fica imitando Garfield, fingindo ser sua imagem. Garfield derruba seu impostor, utilizando-se de uma técnica bastante peculiar, arrancando alguns risos tímidos do espectador.

Um quesito que não poderia deixar de ser avaliado é o da animação de Garfield. Estando bem praticamente em todo o filme, ela peca apenas em algumas cenas muito claras, nas quais o gato virtual fica estranho em relação ao resto da fotografia, contudo há outras em que a animação de Garfield está perfeita, bastante detalhada, minimizando um pouco a falha anteriormente citada.

É um filme descartável, seria a definição mais justa, não conseguindo atingir a maioria de seus objetivos teóricos, dentre os quais podemos citar o humor e a diversão. Pode ser até que Garfield 2 agrade ao público infantil, porém creio que até as crianças irão acolhê-lo com reservas. O fato, no entanto, é que grande parte dos fãs de Garfield são adultos, que cresceram lendo as histórias desse felino de humor sarcástico, o qual aliás é, praticamente, inexistente no filme, uma vez que o personagem é puramente pedante – boçal -, utilizando-se, destarte, de um humor sem criatividade na maior parte de suas falas.

Jonas Maciel
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