Mesmo não tendo um foco muito voltado para os atores principais do filme, ou seja, os cachorros, o filme consegue se levar e consegue fazer, com competência, algumas cenas de tensão e drama.
Fazer filmes com animais já não é mais nenhuma novidade para o mundo do cinema. O difícil é desvincular filmes onde os atores principais são bichos, de um filme voltado para um público infantil. E talvez seja esse o maior defeito de Resgate Abaixo de Zero.
Baseado em um filme originalmente feito para a televisão japonesa (não só os filmes de terror que eles adaptam, pelo jeito!) o filme é baseado nos eventos de uma expedição japonesa ao Pólo Sul em 1958. O guia Jerry Sheperd trabalha para a equipe americana de cientistas que possuem um posto quase no Pólo Norte. Seu principal trabalho é levar as expedições através do continente gelado para as pesquisas e voltar em segurança. E é esse trabalho que mais uma vez ele terá que fazer, levando o professor David McClaren até o local onde o professor acredita estar um meteorito vindo de Mercúrio. Por estarem próximo à estação do inverno, quando todas as equipes são evacuadas de seus postos, a única forma de fazer essa viagem é pelo trenó guiado por oito cachorros. Um acidente no percurso e uma grande tempestade fazem com que a equipe seja retirada da base às pressas, não sobrando espaço para os cachorros, que terão que ser abandonados por pouco tempo. O problema é que eles não contavam que a tempestade durasse até o início do inverno, quando nenhuma equipe é enviada para as bases, e os cachorros terão que sobreviverem sozinhos.
Frank Marshall, mais conhecido por trabalhos na área de produção do que na de direção, assina a maestria do filme. E que maestria! Relembrando do seu passado, onde, há treze anos atrás dirigiu outro filme no meio de paisagens gélidas (Vivos, de 1993), ele consegue dirigir muito bem tanto o elenco humano, quanto os dos animais (esse filme não dá pra simplesmente jogar os animais e filmar rolos e mais rolos com eles brincando ou tudo mais, como fazem a maioria dos diretores de cinema). Junto com Don Burgess, o diretor de fotografia, ele traz para a tela do cinema a beleza e a imensidão das geleiras, sempre acompanhado de uma belíssima trilha de AMrk Isham, que volta a se aventurar nos cinemas depois de Crash. Só para situar também, Don Burgess é responsável por fotografia de filmes como Exterminador do Futuro 3, A Identidade Bourne, Homem Aranha, O Náufrago, Revelação, Contato, isso mostrando que a Disney, produtora do filme, não estava brincando com a produção desse filme (mesmo que fosse um público vinculado ao público infantil).
Acho que o único grande problema foi a falta de foco em cima dos animais, já que o filme vende a idéia como o instinto de sobrevivência dos animais durante os mais de 150 dias que eles passam sozinhos no imensidão branca. As vezes, e acredito que isso foi mais um pedido da Disney do que idéia do diretor, o filme parece se esquecer da noção de perigo que os animais estão passando e chega a arriscar uma trilha musical engraçadinha enquanto os mesmo brincam, ou correm, ou até disputam uma comida conseguida com esforço.
Também, como os personagens principais são os animais, a preocupação com os personagens humanos é mínima e não possui grandes atuações mesmo, podendo qualquer um estar encaixado em qualquer papel no filme. Acredito até que Paul Walker tenha entrado no elenco mais por seu “carisma” (se é que ele possui algum), do que por questão de atuação.
Mas Resgate Abaixo de Zero é um filme interessante para quem gosta de cachorros, um filme interessante para o público infantil em geral também. Vale a pena dar uma conferida.
