Cinema com Rapadura

OPINIÃO   sábado, 22 de abril de 2006

Caverna, A

O que falar de um filme que poderia ter ido direto para DVD ou nem ter sido feito, não passando de um suspensezinho fraquíssimo, e eu só não digo ‘barato’ porque muito se gastou e pouco se rendeu?

A Caverna começa apresentando um grupo de cientistas no século XIII explorando uma igreja construída em cima de uma caverna. Depois dessa premissa fraca para desenrolar o filme na atualidade, nos deparamos com mais cientistas e exploradores indo explorar a tal caverna em busca de novos ecossistemas e de investigar o gigantesco e assustador (?) lugar. Durante a exploração, como já era de se esperar, quase nada dá certo para a equipe, que entra em conflito interno, mas tenta se salvar do perigo que as criaturas moradoras do lugar podem causar. Sim, novas criaturas e não somente um ecossistema desconhecido, que passa a causar pânico e a eliminar boa parte do elenco(!).

O fracasso vem de todos os lados, a história não agrada e o filme acaba e a vontade que dá é de pedir o dinheiro de volta. Fico impressionado com a capacidade de produções como esta de não envolverem o espectador que vai assisti-la esperando um bom entretenimento ou ao menos um filme razoável, quando não passa de um daqueles filmes que foram feitos somente para ocupar mais uma sala no cinema ou para sugar nossas economias. A história é basicamente imposta, sem muitos porquês e totalmente dispensável. A pobreza do roteiro é uma das grandes responsáveis pela derrota do filme, pois não consegue ganhar a graça de quem assiste devido seus diálogos redundantes, suas freqüentes tentativas de engatar (e não conseguir) e de fazer o público esperar algum momento de clímax que poderia fazer valer a pena assisti-lo, mas que nunca chega, culminando em um final óbvio e com um provável gancho para mais uma franquia do longa. NÃO, por favor, não!

É possível visualizarmos bastante confusão no decorrer da produção. A primeira e mais chata é em relação ao cenário. Na tentativa de passar uma tensão no lugar escuro e úmido que seria dentro de uma caverna, não se preocuparam em filmar imagens passíveis de compreensão do espectador. Em vários momentos, não se consegue entender o que está acontecendo em cena, já que os trajes vestidos pelos atores também não ajudam na compreensão, tornando um cenário uniforme e confuso. Outra irritação foram as passagens das cenas. Os cortes mal feitos doíam na vista até do mais leigo, o que torna uma ofensa à inteligência das pessoas. Outro fator confusão foi no que diz respeito à edição de áudio. Não sei se foi culpa da sala de projeção onde eu assisti, mas prefiro acreditar que o som foi usado de maneira descompromissada, pois percebemos a variação na freqüência em uma mesma cena e ficamos nos perguntando o por quê mesmo de ficar alteando e diminuindo o som durante o filme. Sem falar que os bichinhos que foram postos para assustar e matar maior parte dos personagens são tão irreais e fúteis quanto suas imagens, que, por sinal, não amedrontam nem uma criancinha no jardim de infância.

Ah, a computação gráfica! Nossa vida é feita de escolhas e devemos fugir dos caminhos errados para não nos decepcionar mais à frente. É, decepcionante, uma ofensa que irrita e dá vontade de gritar! Que efeitos são aqueles? Alguém pode me explicar? O uso da computação gráfica e efeitos especiais não convence dos artifícios usados para mostrar o monstrinho atacando uma pessoa, ou para mostrar uma explosão aquática ou um desmoronamento de pedras. Ridículo! Apenas uma palavra: ridículo. O caráter que o filme vinha tomando (de péssimo), piora mil vezes quando os “efeitos especiais” mostram suas garras. E que garras mal feitas, por sinal (¬¬). Sem falar que não souberam nem disfarçar que usaram uma piscina para fingir ser um lago dentro da caverna. Nesta hora, o cenário praticamente some e só se vê a água, os personagens e os monstrinhos. E? Enfim…

Durante a trama, alguns aspectos biológicos estavam no roteiro para que os atores explicassem ao público, justificando a existência de aberrações dentro daquele lugar. Até aí tudo bem, mas quando o roteiro se propõe a explicar algo, que explique e não encha o script de palavras complicadas que no final não querem dizer muita coisa, mesmo porque nem todos gostam ou entendem biologia. Não é certo tentar enganar o público com termos biológicos bonitinhos que poderiam ser resumidos a uma frase para explicar tal fato.

Outra falha no roteiro é não dar possibilidade de os personagens convencerem mais. Digo isso porque por mais que os atores não sejam tão conhecidos, a capacidade de cada um ficou superficial, já que seus personagens não permitiam uma atuação boa. E na hora da melhor seqüência do filme, o que acontece? O roteiro estraga mais uma vez, apelando para uma solução inacreditável e impossível de acontecer. Me refiro no momento em que Piper Perabo, a loirinha inteligente e ótima escaladora está sendo perseguida pelo monstrinho, presa numa corda e começa a se balançar de um lado para o outro, para fugir do mesmo, recorrendo a passos na parede da caverna e bom enquadramento da câmera, mas que se desfecha de forma impossível e que faz você dar umas gargalhadas para não se irritar com mais uma ofensa.

Enfim, para quem está com muita grana no bolso e não está nem aí pra filmes ruins, A Caverna se torna uma ótima opção. Caso contrário fique longe, não perca seu tempo e tenha a certeza que existem outras boas opções para assistir, já que A Caverna não pode ser exibida nem nas tardes dos canais abertos, pois seria uma ofensa àqueles filmes já não tão bons que passam neste horário. Sendo bondoso, uma estrelinha!

Diego Benevides
@DiegoBenevides

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