Cinema com Rapadura

OPINIÃO   sexta-feira, 14 de abril de 2006

Armações do Amor

Comédias românticas costumam seguir uma mesma linha em toda produção, então não devemos assisti-las esperando muita coisa. Armações do Amor segue todas as regras de filmes do gênero, trazendo um casal simpático e responsável encabeçando o projeto.

Armações do Amor conta a história de Tripp (Matthew McConaughey), um vendedor de barcos de 35 anos que ainda mora com seus pais, o que aparentemente é um problema, pois com essa idade, ele já deveria ter conquistado sua independência plena. O garotão tem uma vida de curtição e quando percebe que seus relacionamentos estão ficando sérios, leva as namoradas para sua casa para que possam abandoná-lo justamente por morar com os pais. Estes contratam Paula (Sarah Jessica Parker) para que interferisse na vida de Tripp, tentando fazer com que ele vá morar sozinho. Paula se envolve com Tripp, fingindo estar apaixonada e começa a mudar a vida dele e a sua própria vida.

É previsível o desenrolar da trama. Como toda história de amor com pitadas de comédia, os mocinhos vão se atraindo cada vez mais, apesar de não ser o objetivo principal de Paula, que apenas queria executar o seu trabalho. Matthew McConaughey e Sarah Jessica Parker se dão bem em seus papéis, principalmente em cenas separadas. Não que eles não formem um casal bonitinho e carismático, mas pela incerteza do amor existente entre seus personagens. Em um determinado momento da história, onde eles deveriam mostrar tudo que sentem um pelo outro, a cena fica a desejar por não conseguir convencer realmente o público de tal fato. De qualquer forma, o destaque é para a desenvoltura de Jessica Parker. A ex e eterna Sex and The City vem atacando nas telonas depois que o seriado terminou. Depois de “Tudo em Família”, Armações do Amor é mais uma comédia que a atriz se envolve para conquistar de vez o cinema. Algumas pessoas não conseguem desvirtuar o personagem do seriado para os do cinema, e é impossível ver Jessica Parker atuando e não lembrar da jornalista Carrie Bradshaw e seus amor por sapatos e pelo Mr. Big, mas precisamos separar o passado do presente, e creio que ela tem muito talento para entrar de vez no cenário cinematográfico hollywoodiano. Fora a dupla, vale destacar a ótima performance dos atores que assumiram os papéis de suporte no elenco, como a belíssima Zooey Deschanel e sua obsessão em matar um pássaro irritante.

O roteiro é interessante por abordar um fato comum lá no exterior: filhos mais velhos que ainda estão na casa dos pais. Diferente de outras nações, nos EUA é bem comum o jovem atingir a maioridade e procurar por independência dos familiares, o que não aconteceu com o personagem principal do filme. Os diálogos se sustentam, tendo momentos de ótimas sacadas e boas seqüências. Talvez o filme não envolva tanto quanto os outros, mas a falha pode ter sido por ter uma duração extensa demais, dando margem para descartar algumas cenas desnecessárias. Apesar disso, serão inesquecíveis diversos momentos da trama e é impossível não se identificar com algum deles. O uso consciente do humor não foi exagerado e nem apelativo, a não ser pelas cenas meio grotescas dos animais criando, de certa forma, consciência e atacando Tripp, chegando a ser engraçado e não prejudicando a história. Uma coisa é saber trabalhar o humor e outra é trabalhá-lo sem compromisso, com o simples intuito de fazer a platéia rir. Em Armações do Amor, a parte humorística assumiu um caráter aceitável e, por mais que aborde coisas impossíveis de acontecer, não dá um caráter idiota ao filme.

A direção oscila entre momentos bons e ruins. Bons principalmente pela preocupação em trabalhar com a iluminação e pelo bom êxito em alguns momentos com a fotografia; e ruins por não se manter preocupada durante todos os minutos da projeção. A trilha sonora é bem despojada e conta com músicas modernas e atrativas, típicas de historinhas urbanas de amor.

A partir do momento que uma produção consegue atingir seus objetivos, não podemos classificá-la como ruim, mesmo com a presença dos clichês e de alguns absurdos cinematográficos. Não se pode esperar muito deste gênero de filme, mas Armações do Amor torna-se uma boa opção para os que querem se divertir e rir um pouco.

Diego Benevides
@DiegoBenevides

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