Um gaiteiro do interior do país corre atrás do sonho de viver de música em um caminho cheio de obstáculos que precisam ser superados.
A documentarista Ana Johan recebe uma ligação, a pessoa do outro lado da linha diz querer fazer um filme sobre sua vida, porque guarda muitas semelhanças com “2 Filhos de Francisco”, seu nome era Dirceu. Aos 17 anos, ele havia perdido o movimento das pernas, mas conseguiu voltar a andar um ano depois, e seu sonho é viver de música. A história do encontro que resultaria no longa-metragem “Um Filme para Dirceu” já renderia por si só uma boa obra, mas esse era apenas o começo.
O filme de ficção que contaria a saga de Dirceu, o Gaiteiro, transformou-se então em um documentário que acompanha três anos da busca de Dirceu por sua vida como músico no sul do país, e inclui também o processo do que viria a ser o filme primeiramente pensado por Dirceu. No começo, pode parecer um pouco difícil entender esta transição, mas nada que não se resolva com alguns minutos a mais.
O humor espontâneo deste paranaense conquista logo nos primeiros segundos de projeção, e faz rir com aquele jeito caricato do interior, que tanto lembra Mazzaropi. Humor esse que contrapõe ao drama que sofreu em sua vida e traz uma abordagem mais descontraída à experiência que viveu, acertadamente o tom que percorre todo o documentário, e paira como um ensinamento que não faz valer de elementos óbvios ou piegas para contar esta história.
Com a proposta bem marcada de documentar os bastidores da vida do aspirante a músico profissional em sua jornada do herói, cortes secos e cenas de trocas de e-mail e telefonemas são constantes e nos guiam pelas transições do que acontece na vida de Dirceu, cheia de reviravoltas como em um romance. A estética pode parecer muito crua em algumas passagens e a recorrência pode incomodar um pouco, mas acaba funcionando e não interfere negativamente na experiência.
O mesmo recurso de cortes rápidos ajuda a entrar no ritmo acelerado em que fala e vive Dirceu, que acaba dinamizando também o ritmo do próprio documentário. Outro aspecto que traz a personalidade do retratado ao filme, e enche de cor pessoal a tela, são as músicas típicas cantadas por Dirceu, que ajudam a ambientalizar o espectador e facilitam a imersão no mundo em que vive o personagem do documento.
“Um Filme para Dirceu” é um longa leve e bem humorado sobre superação de dificuldades e luta para realização de sonhos pessoais, de descobertas e buscas no sentido da vida, o que fala à grande maioria da humanidade, e ensina a não perder tempo lamentando, mas correr atrás sorrindo.
Ana Johan é graduada em jornalismo e tem especialização em documentário. É roteirista freelancer e escreve peças de teatro. Antes deste longa-metragem, dirigiu e roteirizou dois curtas. Este é o seu primeiro filme no Festival de Brasília.
Esse filme fez parte da programação do 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em setembro de 2012.
