Dirigido pelo coreógrafo e, agora cineasta, Kevin Tancharoe, o filme explora os sonhos, as frustrações, os obstáculos e muitos outros fatores relacionados aos que querem um reconhecimento artístico, em outras palavras, o tão cobiçado sucesso. Embora levante esses temas, a obra não consegue traduzi-los de forma eficiente e, assim, perde devido a falta de consistência.
A atual versão de “Fama”, mais uma vez, centra-se nos dramas de jovens alunos da tradicional escola New York City High School of Performing Arts. Todas as fases de sua permanência na escola são exploradas, o que possibilita mostrar ao público a evolução de cada estudante bem como seus envolvimentos pessoais. A busca pelo sucesso acaba dominando a mente de alguns jovens que não hesitam em tomar atitudes diferentes que, muitas vezes, acabam magoando as pessoas mais próximas como os pais, ou até mesmo os amigos. Os sonhos, os desejos, as frustrações, as realizações, tudo isso é explorado dentro do contexto estudantil em que a busca pelo sucesso é o principal agente transformador.
O até então coreógrafo Kevin Tancharoe surge como diretor e tem a difícil missão de reproduzir o cenário musical extremamente evolvente que foi uma das marcas da versão original. O cenário musical ele consegue. Tudo está no lugar. Coreografias, música e ritmo estão em perfeita harmonia e muito remetem à versão anterior. Já o clima envolvente não se desenvolve e fica apenas na tentativa. A inexperiência do diretor muito contribuiu para isso. Uma das cenas mais aguardadas, ou pelo menos era para ser, é a que o pai que nunca apoiou o sonho da jovem que sempre desejou cantar descobre que a filha virou uma cantora. A cena é tão rápida que não dá nem tempo de causar qualquer emoção. E o que dizer das palavras de apoio de sua mãe que além de superficial, podem ser contadas nos dedos?
A jovem Kay Panabaker tem uma das atuações mais interessantes do longa. Sua personagem consegue atingir um grau de consistência principalmente quando adquire confiança para cantar. Naturi Naughton é outra que consegue mostrar eficiência em seu trabalho. Sua personagem, Denise Dupree, termina com grande destaque no filme principalmente pelo grande talento da atriz para a música. A apresentação musical de Denise, embora um tanto forçada, muito impressiona. Percebe-se um bom trabalho de escolha de elenco que convence quanto ao talento artístico.
Um comentário que pode ser levantado ao final da sessão é que o filme está recheado de clichês. Observando do ponto de vista atual, realmente isso pode ter relevância. O que não se pode esquecer é que a obra é uma refilmagem de um clássico do cinema. Um filme que muito serviu de inspiração para muitos outros. Dessa forma, os clichês utilizados são válidos. O que poderia ter acontecido na atual versão era uma adaptação da nova linguagem, devido ao fato do filme ser previsível e sua temática um tanto já batida.
A trilha sonora cumpre o seu papel e empolga. Seja nas canções durante as aulas do curso, seja nas apresentações artísticas, ela está o tempo todo acompanhando a trajetória dos jovens artistas. Em uma das cenas iniciais, a jovem Jenny que no início mostra-se tímida, ao fim esbanja talento e desenvoltura. E para fechar com chave de ouro, temos o som da repaginada “Fame”. Realmente um show para os espectadores.
A fotografia tem um importante papel de identificação da obra principalmente sendo um remake. Aqui, ela destaca um clima nostálgico dos tempos da escola que é o principal cenário do longa. A mudança no tempo caracteriza a mudança de tons. O amarelo está sempre presente e transmite um clima de passado bem como o ambiente que envolve o sucesso e a glória. Vale lembrar que a própria caracterização de remake já é nostálgico. Assim, percebe-se que tudo está direta ou indiretamente relacionado.
A nova versão de “Fama”, ao contrário da anterior, não é um clássico do cinema atual, mas pode servir de inspiração por seu conteúdo simples e objetivo, sem cair nos atuais vícios cometidos nos filmes musicais contemporâneos em que os poucos dramas levantados só servem de pretexto para o que realmente importa, a música. A obra transmite sua mensagem em um show de arte. Faltou apenas maturidade na condução da obra. No mais, valeu a intenção.
