Críticas   segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Kingsman: O Círculo Dourado (2017): quando estreia o terceiro filme?

Criativo, divertido, empolgante e fiel às próprias premissas, o segundo capítulo da franquia Kingsman já cria o anseio pela continuação.

O primeiro filme é tão diferenciado que pode deixar muitos com a expectativa de um segundo filme à altura. “Kingsman: O Círculo Dourado” não é tão bom quanto seu antecessor. Mas não está longe. E também é muito bom, criando o anseio de que tenha logo um terceiro capítulo.

A sinopse oficial e o trailer entregam muitos spoilers que aniquilam parte da experiência. O longa continua a saga de Eggsy (Taron Egerton, de “Voando Alto”) como um Kingsman, auxiliado e orientado por Merlin (Mark Strong, de “O Jogo da Imitação”). Após um ataque, os dois acabam precisando da ajuda de uma organização secreta de espionagem estadunidense para deter uma grande traficante de drogas, Poppy (Julianne Moore, de “Amor Por Direito”).

Sendo continuação do anterior, muito é reaproveitado, a começar pelas personagens – até mesmo o mascote JB. Se antes o arco dramático de Eggsy era referente à sua mãe, agora, é relativo à sua namorada – estranhamente, a família, antes tão prezada, simplesmente some –, o que rende também momentos levemente cômicos, como a cena do jantar. Não é esse, porém, o ponto forte do roteiro, focado na guerra às drogas. Evidentemente, não chega a ser um estudo aprofundado do tema, mas, para um filme de ação, incluir um subtexto crítico sobre as drogas lícitas (açúcar, álcool e nicotina também viciam e têm efeitos nocivos) é uma grata surpresa. Sem contar o retrato do Presidente dos EUA, fiel ao real. Para um blockbuster, vai além da maioria.

O roteiro também é engenhoso na maneira como envia Eggsy e Merlin ao Kentucky: a conexão é genial, pois feita de maneira bem orgânica, por um elemento inusitado. Em diversos momentos, o plot foge do previsível, isso é garantido. Por outro lado, Poppy é uma vilã caricata em um péssimo sentido (já que Valentine, vilão do anterior, também era caricato, mas era engraçado, o que ela não é). Sua apresentação, ao estilo “veja como sou malvada”, é de um exagero deselegante, revelando uma antagonista ególatra (Poppyland!) e pouco eficaz. Em última análise, é uma vilã que não dá medo, assim como seu capanga. Um desperdício de uma atriz gabaritada como Julianne Moore.

O elenco, inclusive, conta com outros “oscarizados” desperdiçados por participarem pouco: Jeff Bridges (“A Qualquer Custo”) e Halle Berry (“O Sequestro”). Channing Tatum (“Ave, César!”) também participa pouco – e nem faz falta, seja na narrativa, seja no talento (que ele não tem). Maior espaço tem o chileno Pedro Pascal (“A Grande Muralha”), satisfatório na atuação. Taron Egerton continua confortável como Eggsy, que agora está mais maduro tanto no lado pessoal quanto no profissional. Colin Firth (“O Mestre dos Gênios”) – mais um “oscarizado” – é sempre um esplendor de interpretação. Dessa vez, Harry foi um papel mais desafiador, demandando expor fraqueza. Firth o fez com linguagem corporal, ficando retraído, com olhar desanimado e ombros para baixo (o figurino colaborou). Há ainda uma participação inusitada e divertidíssima de um cantor famoso.

Matthew Vaughn (“X-Men: Primeira Classe”) é o responsável pelo roteiro e pela direção do primeiro e do segundo filme. A queda de nível se deve à antagonista, mas também por alguns exageros, principalmente na direção – que, porém, não é ruim, muito pelo contrário. Sua câmera é bastante movimentada, com vários travellings, inclusive aéreos; os planos não são curtos, com uma montagem que permite visualizar os acontecimentos como ocorrem. Entretanto, o diretor ficou muito dependente do CGI, o que não é condizente com um filme de espionagem que deveria ser um pouco realista. A tecnologia avança em relação ao que existe hoje (o carro do prólogo, o gel usado em quem é baleado), mas a direção deveria se esmerar para usar efeitos práticos. Por outro lado, é inegável a criatividade de Vaughn, como no laço usado por Whiskey, bem como sua destreza nas cenas de ação. O prólogo é exemplo: há uma luta dentro de um ambiente restrito, o que impõe planos fechados, sem entediar; algum slow motion, muito CGI; tudo acontece no ritmo de uma música de rock, de modo que o clímax da ação combina com um solo de guitarra.

Apesar de cansativo (duas horas e vinte de duração), “Kingsman: O Círculo Dourado” é criativo, divertido, empolgante e fiel às próprias premissas. Tão fiel que, se (quando?) anunciarem uma continuação, a expectativa não será de uma obra-prima, mas de uma produção de bom nível.

Diogo Rodrigues Manassés
@diogo_rm

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Kingsman: O Círculo Dourado (2017)

Kingsman: The Golden Circle - Matthew Vaughn

Um grandioso ataque destrói o quartel-general Kingsman, obrigando Eggsy (Taron Egerton), Merlin (Mark Strong) e cia a unirem forças com o equivalente estadunidense da agência, os Statesman. Britânicos e norte-americanos ignoram as diferenças em defesa do mundo, ameaçado pelos planos da vilã Poppy (Julianne Moore).

Roteiro: Matthew Vaughn, Jane Goldman

Elenco: Taron Egerton, Colin Firth, Julianne Moore, Mark Strong, Halle Berry, Elton John, Channing Tatum, Jeff Bridges, Pedro Pascal, Hanna Alström, Edward Holcroft, Poppy Delevingne, Bruce Greenwood, Emily Watson, Sophie Cookson, Michael Gambon, Samuel L. Jackson, Sofia Boutella, Tobi Bakare, Theo Barklem-Biggs

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  • Davos, o lord cebolito!

    Parabéns pela critica, excelente texto mais uma vez. Só achei que ficou dissonante relatar que o filme é cansativo, quando o texto anterior, ao meu ver, não deixou muito claro o porquê de você ter sentido o tempo. Seria legal detalhar se você sentiu uma “barriguinha”, uma cena um pouco mais lenta do que deveria ser, enfim, de resto, excelente!

    Fico feliz em saber que eles não ficaram com a ideia fixa de tentar replicar a cena icônica da igreja, pelo menos é o que a critica me leva a pensar após a leitura, esse filme não tentou replicar tanto elementos do sucesso do primeiro filme.

    Enfim, irei assistir!

    • Diogo Rodrigues M

      Muito obrigado pelo comentário!

      Não escrevi sobre o tema por dois motivos.
      O primeiro é que encontrei dificuldade em identificar algo desnecessário, principalmente em uma leitura macro. Talvez um ou outro momento dispensável, mas nada que retirasse vinte minutos. O segundo motivo é um spoiler. (SPOILER ALERT!!!) Existem reviravoltas que o tornam cansativo, porém, enriquecem muito a narrativa. Acaba se tornando uma faca de dois gumes: com essa ferramenta, o filme fica alongado, o que é maléfico, contudo, beneficia-se pela surpresa e pela inovação. (FIM DO SPOILER) Por via das dúvidas, preferi não colocar isso no texto.

      De fato, não há uma repetição da cena da igreja, o que é, sem dúvida, um acerto. Estruturalmente, o roteiro repete um pouco os moldes do anterior (vilão poderoso, capanga tecnológico, Eggsy é a salvação etc.), mas não chega a ser incômodo. No mais, há progressão e inovação; não é uma reciclagem do anterior.

      Assista, espero que goste!

  • Biel

    Massaaaaa !!! Quero muuuuuito assisti!

  • Alan Bitencourt

    Eu já imaginava que o filme ia ser bem recebido pela crítica, assim como o seu antecessor, eu irei assisti essa beleza no dia 3.

  • Luan Martins

    SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER

    Pra mim, a cena memorável dessa sequência é o sacrifício do Merlin cantando Take Me Home, Country Roads!

  • Gabriel Melo

    Olha, acho que essa foi avaliação mais honesta até agora que li dos sites nacionais, resumiu muito bem.
    Acho que muita gente tem que aprender diferença entre algo ser mal feito e de não ter abrangido o gosto da pessoa.

    Kingsman 2 ele ganhou meu respeito por continuar olhando para frente, tem momentos (poucos) bem parecido com.primeiro, mas não por cópia mas.sim marca registrada vamos colocar desse jeito (como mencionou), o maior desafio deste filme era expandir o universo, que antes era limitado (afinal HQ é bem curta), é conseguiu muito bem STATEMAN não Kingsman genérico, é anceio para para ver continuação.