Críticas   quarta-feira, 26 de julho de 2017

Dunkirk (2017): Christopher Nolan sobra na técnica, mas perde na emoção

Irrepreensível na forma, o filme é questionável no conteúdo. O som é um espetáculo à parte e a direção é muito eficiente na imersão do público. Porém, falta emoção e originalidade ao longa, que conta com personagens ocas ou unidimensionais.

Poucos cineastas conseguem unir o grande público e a crítica de cinema. Desde “Batman Begins”, de 2005, Christopher Nolan tem obtido êxito nessa proeza, com obras que, se não chegam à unanimidade, arrancam elogios nos dois segmentos. “Dunkirk” é sua nova aposta para continuar e aumentar o sucesso.

O argumento do longa é baseado em um episódio real da Segunda Guerra Mundial, conhecido como “Operação Dínamo”, quando tropas aliadas, encurraladas na praia de Dunquerque, foram evacuadas via mar, sob cobertura aérea e terrestre. Dividindo a narrativa e o vasto elenco em três, o filme se desenvolve como um retrato do evento histórico.

Trata-se de uma obra autoral de Nolan, sua primeira totalmente baseada em fatos reais. Do ponto de vista exclusivamente técnico, provavelmente seja o seu melhor filme na direção: apesar da tendência “spielbergiana” e da fotografia aquém do potencial, é notório o esmero em cada plano, com uma precisão cirúrgica. Nada fora do lugar, como o plano em que são comparadas duas embarcações de tamanhos bem distintos. Por sua vez, o som é um espetáculo à parte, com um resultado sublime. A mixagem é impressionante ao permitir que o espectador possa distinguir tantos ruídos – afinal, o ambiente é bélico. Porém, é a edição de som que assume o protagonismo: o realismo é fenomenal, sendo ímpar a verossimilhança da maresia, dos tiros e dos aviões, dentre outros. Sem contar a trilha sonora de Hans Zimmer, que dispensa elogios.

O grande trunfo de Nolan aqui é a eficientíssima imersão do público. Evidentemente, sendo real a premissa, isso fica mais fácil; todavia, o mérito reside na construção da atmosfera de guerra, colocando o espectador como mais uma pessoa encurralada, como as personagens da trama estão. Por exemplo, quando um corpo é carregado na areia, a câmera balança; quando ele chega a uma superfície mais estável, ela fica fixa – exatamente como se o público estivesse junto à ação. A partir do prólogo sem falas, mas que acelera com (e como) as batidas de um coração (que inclusive se ouve), o diretor abre a porta para uma experiência imersiva estonteante.

“Dunkirk”, contudo, não é impecável graças ao próprio Nolan – como diretor e como roteirista. O filme tem um elenco extenso, mas com muitos nomes subaproveitados e desperdiçados, como Tom Hardy (de “O Regresso”), Mark Rylance (de “Ponte dos Espiões”) e Cillian Murphy (de “No Coração do Mar”). Enquanto isso, nomes pouco ou nada conhecidos receberam maior espaço – no geral, sem comprometer. Exceção é Kenneth Branagh (de “Cinderela”), ator consagrado que brilha com o pouco material que tem. Ainda assim, o roteiro é um descalabro na construção das personagens, moldando personalidades ocas ou unidimensionais, sobre quem pouco se sabe e com quem pouco se importa. Assim, a possibilidade de algumas personagens morrerem se torna indiferente e surgem suaves incoerências – como a conduta de Peter (Tom Glynn-Carney, estreante no cinema) na segunda metade.

O problema de lidar com tantos personagens consiste em duas faces da mesma moeda: não dar o mesmo espaço a todos, verticalizando uns em detrimento de outros. O texto não faz isso, na verdade, não verticaliza praticamente em personagem nenhuma, tornando-se superficial nessa perspectiva – são muitas personagens, muitas delas sem nome e sem histórico algum. Mesmo considerando a proposta de retratar um evento histórico, é necessário dar dramaticidade a ele, caso contrário, o gênero do filme deveria ser o documentário. Como se importar com Farrier (Tom Hardy) sem saber quem ele é? Como torcer por Dawson (Mark Rylance) sem saber nada além do seu altruísmo? Trata-se, pois, de um filme sem emoção, ainda que muitíssimo bem produzido. Ainda, em termos de trama, o roteiro se resume a uma narrativa de heróis e covardes, o que é ínsito a quase qualquer filme de guerra – ou seja, o plot não é muito original.

Ora, fazer um drama de guerra com emoção Roman Polanski já conseguiu com “O Pianista” – e emoção Nolan já colocou em obra pretérita (vide “Interestelar”). Dramas de guerra originais também existem vários, como o recente “Até o Último Homem”, de Mel Gibson – e de originalidade Nolan também entende (vide “A Origem”). Portanto, apesar da obra ser irrepreensível na forma, é questionável em seu conteúdo quando se percebe o vazio de emoção. Existe no script, há que se mencionar, um dilema moral: vale a pena o sacrifício de uma pessoa para que um grupo inteiro se salve? A ideia é semelhante ao desafio proposto pelo Coringa em “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, para os cidadãos de Gotham explodirem o navio dos criminosos e se salvarem, ou o contrário. É uma maior profundidade no roteiro, sem dúvida. Mas Christopher Nolan pode mais. Ele ainda não atingiu o seu máximo.

Diogo Rodrigues Manassés
@diogo_rm

Compartilhe

Dunkirk (2017)

Dunkirk - Christopher Nolan

Baseado na história real da Operação Dínamo, mais conhecida como a Evacuação de Dunquerque, operação militar que aconteceu no início da Segunda Guerra Mundial.

Roteiro: Christopher Nolan

Elenco: Fionn Whitehead, Tom Glynn-Carney, Jack Lowden, Harry Styles, Aneurin Barnard, James D'Arcy, Barry Keoghan, Kenneth Branagh, Cillian Murphy, Mark Rylance, Tom Hardy, Michael Caine, Billy Howle, Bobby Lockwood, Miranda Nolan, Kevin Guthrie, Brian Vernel, Elliott Tittensor, Matthew Marsh, Jochum ten Haaf

Compartilhe


  • Marcos Duque

    Excelente crítica. Parabéns!

    • Diogo Rodrigues M

      Muito obrigado! 🙂

  • Davinte Digital

    Ai pessoal rapaduriano perceberam que nos três trailers de It Não tem sangue?
    #IT-ACoisa promete mas será que vai entregar?
    Seria uma boa pauta isso? Pois já não tô mais com tanta vibe positiva nesse filme.. Parece mais Stranger Things com Goonies.. Como escrevi abaixo. https://uploads.disquscdn.com/images/10b5ec28a26e977b73918feda3eb2cbdf6b419d5bd93c57f1317b5e9d449394e.png
    Trailer legendado aqui – https://m.facebook.com/groups/443248145830779?multi_permalinks=834195293402727

  • Davinte Digital

    Uma sugestão ao pessoal.. Criar um canal no Twitter para enviar pautas e sugestões e que vcs sigam de volta todo mundo.. Tentei mandar essa pauta do it mas via email do celular não consegui colar o endereço.. Ai o jeito e vir nos comentários..

  • Marcelo Aguiar Duarte Filho

    Acho que ele já atingiu o auge: A Origem!

    • Diogo Rodrigues M

      Espero que não, quero sempre mais hehehe 🙂

  • Laura

    Concordo em parte com a crítica. Para mim não houve necessidade de conhecer profundamente os personagens, inclusive de saber seus nomes, para desenvolver empatia por eles. O horror e desespero pelos quais passavam, e a vontade e motivação, nem que fosse por “dever” em fazer algo para ajudar, foram suficientes para torcer por todos eles. – Como não ficar triste com o fim do personagem de Tom Hardy depois de tudo que ele fez? Não importa se ele era casado, solteiro, viúvo… – Refreio-me em dar exemplos mais diretos para não dar spoilers, mas na minha visão (pessoas que assistiram comigo concordaram) o filme conseguiu nos emocionar bastante.

    • Ana Louise

      Achei exatamente isso!

    • Vitor D’Avila

      Já eu, que sou super fã do tom Hardy, não concordo.
      Talvez vc esteja certa, mas não deveria desperdíçar um ator tão versátil, o limitando a poucas falas e interações.

      • Diogo Rodrigues M

        Tô contigo, Vitor! Um desperdício gigantesco para um ator indicado ao Oscar. Não sei se você já assistiu a “Taboo”, lá é possível ver ainda mais quão bom ator ele é (recomendo a série por ele!).

        • Daniel Junior

          Isto mostra a moral de um diretor do quilate do Nolan, que assim como Spielberg costuma manter sempre a mesma equipe (ou maior parte dela), um diretor que faz filmes ancorados na própria narrativa e não neste ou naquela ator, eles estão dispostos em favor da narrativa e não o inverso. Agora esta mania de que é preciso desenvolver (até com excesso) personagens para que nos importemos com eles, vem da fixação com séries que tem dominado os espectadores atuais, com narrativas longas típicas de novelas, eu não preciso me “apegar” aos personagens para que a história faça sentido e eu seja imerso nela,o que Nolan conseguiu com maestria neste filme. Vai demorar para que o sujeito pós moderno que não se preocupa com as pessoas reais a sua volta e devota sua vida a se preocupar com as personas virtuais de seus seriados e redes sociais, consiga diferenciar a narrativa mais fechada e dinâmica do cinema (em media 2 horas contra 5-10 temporadas de encheção de linguiça dos seriados).

          • Diogo Rodrigues M

            Daniel, isso não é verdade. Desenvolvimento de personagem vem dos ensinamentos, da teoria de roteiro, há muito tempo, antes das séries se tornarem populares como estão hoje. Na sua lógica, filmes clássicos não desenvolveriam seus personagens, o que não ocorre. Concordo que há uma despreocupação com as pessoas reais, também concordo que seriados e redes sociais dominam gerações mais jovens. Mas isso não tem nada a ver com o que eu escrevi na crítica. O que eu escrevi lá foi fruto de conhecimento consolidado em teoria de roteiro.

          • Daniel Junior

            O que não é verdade? Que o Nolan é um diretor de moral na industria cinematográfica? ou que as audiências atuais estão muito focadas em narrativas seriadas? Por que foi isto que eu disse. Não afirmei que filmes clássicos não desenvolvem seus personagens, curto filmes desde Chaplin, passando pelos épicos clássicos e até filmes atuais como Dunkirk, não disse que os filmes clássicos necessariamente tem personagens rasos, só que alguns não se ancoram só nos personagens, existem outras linhas narrativas, como é o caso de Dunkirk, onde o foco é no evento em si. Mas se for para supor mediante os comentários e sua “lógica”, posso inferir que o Nolan não deve entender dessas coisas de roteiro.

          • Diogo Rodrigues M

            “Agora esta mania de que é preciso desenvolver (até com excesso) personagens para que nos importemos com eles, vem da fixação com séries que tem dominado os espectadores atuais, com narrativas longas típicas de novelas” >> isso não é verdade

    • Ednardo Curisco

      eu sabia de todos eles tudo que precisei para me solidarizar: eram homens. Homens submetidos a um terror absoluto.

  • Ana Louise

    Como a colega Laura, eu achei que não houve necessidade de eu saber nomes, históricos ou mais sobre os personagens para me importar com eles. Só a situação por quais eles estavam passando, e a interação entre eles já foi o suficiente pra mim. Acho que o filme acerta quando coloca o personagem do Fionn Whitehead pra conduzir aquele arco na terra, e a sucessão de eventos na narrativa dele, assim como os personagens com quem ele interage, deu apenas o peso necessário para eu ligar se ele morreria ou viveria sim. Da mesma forma com o Tom Hardy. Claro que eu liguei pro o que aconteceria com ele, com tudo o que ele fez! O núcleo do Mark Rylance eu até concordo que não foi aprofundado o suficiente, principalmente com o Cillian Murphy, mas de resto achei que foi o suficiente para eu me conectar emocionalmente com o filme.

    • Edcarlos Marinho

      Eu já acho que diferente da crítica do Diogo Rodrigues, Nolan teve justamente essa intenção, a de não construir os personagens, isso foi proposital, e também concordo que não precisei saber de nome algum, para criar empatia por alguns dos personagens presentes na película. Na minha humilde opinião, a intenção real de Nolan, era justamente realizar essa imersão do espectador, fazendo “sofrer” e sentir um pouco dentro do filme. O barulho do ”mergulho” de ataque dos aviões contra a praia e navios causa um temos absurdo, e repassa para o expectador esse temor, dá para sentir como se vc tivesse na beira do mar presenciando todo o ataque. Achei um filme fantástico.

    • Ednardo Curisco

      concordo 100%. note que praticamente ninguém conversa mais que o absolutamente necessário. Porque o terror e medo é absoluto. cada um está ali para se salvar e pronto. Acho que os personagens não terem nomes ou história humaniza-os mais no contexto.

  • Ednardo Curisco

    Dramas de guerra não exigem grandes roteiros. De forma geral, são filmes de sobrevivência. Homens em um cenário de conflito tendo que escapar a batalhas e mortes e como isto os muda, quanto de caráter eles mantém.

    Dito isto, cito 8 filmes de guerra:

    Estes 3 filmes,a despeito das cenas de batalha, se pautam especialmente no aspecto psicológico e e até existencial de seus personagens:
    – Platoon:
    – Apocalypse Now:
    – Além da linha vermelha:

    Os 3 a seguir têm uma mensagem simples: “Vá lá e veja a desgraceira que é a vida deste pessoal. melhor que falar da guerra, é senti-la”

    – resgate do soldado Ryan:
    – Dunkirk:
    – O barco, inferno no mar:

    Outro tipo que era mais comum antigamente e este ano veio com tudo foi “Até o Último Homem”. A história de caráter e moral superior de um soldado em meio a toda a desgraceira.

    Há ainda filmes com tom ‘histórico’ como “Uma ponte longe demais”. Tá lá mais pela ação e narrar um evento.

    • Ednardo Curisco

      Dito tudo isto, Dunkir não precisa ter grande narrativa. é do tipo vai lá e veja.

      A linha temporal é sensacional. Muito elegante como ele revela isso, como feito espiral tudo se junta nos minutos finais.

      e admito que em tempos de angústia, a mensagem de ‘esperança’ é muito importante.

    • Diogo Rodrigues M

      “Dramas de guerra não exigem grandes roteiros”. Ednardo, não posso discordar mais da sua premissa.

      • Ednardo Curisco

        Não conheço a fundo a terminologia cinematográfica, o que me faria usar algum termo mais adequado. De todo modo roteiros simples (o que é diferente de simplório) podem gerar grandes filmes.

        Um bom “vá e veja” já pode dar um bom filme de guerra se este “vá e veja” me faz me sentir ali naquele local, sentir os mesmos medos, me fazer tremer quando escuto a sirene de um stuka, se me sinto tão perdido quanto os personagens .

        Obs.:Grupos que passaram por situações extremas de tensão normalmente sofrem desindividualização e uma tremenda apatia, rompida apenas por flashes de insano movimento por sobreviência. Temos tudo isso no filme.

        A crítica mais comum que vi ao filme foi o pouco desenvolvimento dos personagens. Já algumas pessoas (como eu) conseguiram sentir profunda empatia por todos eles. E apesar de não saber nem o nome de praticamente ninguém no filme senti o que eles sentiram. E assim os conheço mais que qualquer um.

      • Ednardo Curisco

        Segue um trecho da obra “Henrique V”, conhecida como “Bando of brothers”:

        “Deste dia, até o fim do mundo, não terá nenhum, que não seremos lembrado.Nós poucos, nós poucos felizes, porque quem derramar seu sangue, comigo será irmão, por mais simples que seja, enobrece sua condição. E os cavaleiros nos seus leitos, na Inglaterra, se considerarão malditos, por não estarem aqui. Sentiram baixa-estima quando ouvirem falar daqueles que lutaram no dia de São Crispin”

        O que une os homens é estritamente a experiência que eles passam. Não interessa nome, origem, patente. E nisto acho que Nolan mandou muito bem.

  • Greg Capibaribe

    Bela crítica. Concordo totalmente!

  • Vitória Machado Nani

    Olha, eu concordo com toda a parte técnica que você mencionou, mas o resto, tenho que discordar.
    Dunkirk não tem nomes, o único personagem com background é o do George e isso tem motivo: ele foi o único no qual algo foi creditado na história. O resto, como muitos já falaram aqui, não foram lembrados, não importou o quanto eles sacrificaram, suas vidas, sua sanidade, apenas foram vítimas da guerra.
    Em um filme sobre a segunda guerra, sempre temos o protagonismo do herói, da glória, dos feitos, dos grandes salvamentos… Aqui não. Ele tem a sobrevivência, a tensão pura, o ser humano no seu limite, na sua maior prova de morrer ou viver. Não existem diferenças entre eles, todos eles possuem rostos parecidos, isso é proposital! Essa é a grande diferença desse filme dos outros! Não vamos saber os nomes deles, pois eles foram como outros.
    E outra, como ele poderia colocar qualquer ator no lugar do Tom Hardy? O cara tinha apenas os olhos e a voz para atuar… Desculpe, mas eu acho que ele foi mega aproveitado por isso mesmo, todos os sentimentos estavam estampados nos olhos dele, e nós sabemos que não seria qualquer ator capaz disso.
    Dunkirk não é sobre “covardes” e não porque eles estão em um ato heróico e precisam chutar o balde, é porque eles estão na guerra e eles não sabem porque.

    • Eduardo M.

      Perfeito Vitória, às vezes as pessoas querem o óbvio, mas não conseguem enxergar o que está entre as linhas…

    • Diogo Rodrigues M

      Discorde à vontade, Vitória. Seria chato se todo mundo pensasse igual, a experiência cinematográfica é particular, ninguém vê o mesmo filme.
      Porém, preciso ressaltar que a crítica é um texto técnico, logo, tudo que está lá é “parte técnica” – a diferença é que alguns aspectos são mais fluidos que outros. Construção de personagens, por exemplo, faz parte de teoria de roteiro, existem longos estudos sobre isso. Veja bem: doutrina nenhuma é capaz de elidir a sua experiência, que é única, mas eu analiso do ponto de vista técnico. Nada te impede de discordar, contudo, um grande filme depende de um bom roteiro, que só é feito com personagens bem desenvolvidas, o que não existe em “Dunkirk”.
      Quanto ao Tom Hardy, eu não queria que ele colocasse outro ator, não. Eu acho ele incrível! Justamente por isso eu gostaria que ele fosse mais explorado, além de olhos e voz.

      • Diego Carvalho Godinho

        “Construção de personagens, por exemplo, faz parte de teoria de roteiro, existem longos estudos sobre isso”

        Nem sempre e isso não é regra. Construção de personagem em determinados temas de filme, é a mais pura bobagem, é só enrolação e acaba com o filme, juro que não entendo essa fixação de construção de personagem.

        Han Solo, por exemplo, baita ~construção~ da história e desenvolvimento dele. Mas todo mundo gosto e adora justamente por ele ser o que é .

  • Diego Carvalho Godinho

    “Ainda assim, o roteiro é um descalabro na construção das personagens, moldando personalidades ocas ou unidimensionais, sobre quem pouco se sabe e com quem pouco se importa. Assim, a possibilidade de algumas personagens morrerem se torna indiferente e surgem suaves incoerências – como a conduta de Peter (Tom Glynn-Carney, estreante no cinema) na segunda metade.”

    Discordo totalmente! Qual o problema disso? Os personagens estão lá! Porque insistem nessa mania desnecessária que gira em torno da falácia de ~construção do personagem~? Não faz sentido nenhum exigir isso, ainda mais em um filme de guerra. Em Star Wars há vários personagens que simplesmente não existe uma construção em torno dele, ele existe porque esta lá, simples, sim, isso mesmo, estou falando dele – o Han Solo, e todo mundo gosto e admira e chorou quando ele morreu.

    Para efeito de comparação melhor – Além da Linha Vermelha, do Terrence Mallick – segue a mesma regra de construção narrativa e histórica de Dunkirk, melhor, o segundo bebe da fonte do primeiro e não deixa de ser um excelente filme por causa disso. Não existem personagens principais, a história não gira em torno da construção de alguém ou de um único grupo (como em O Resgate do Soldado Ryan) a trama, o roteiro, a história, a situação ao qual esses seres humanos estão inseridos (a guerra) e tudo que isso acarreta e traz, é que é o “verdadeiro personagem”.

    • FELIPE AGUIAR

      Parece difícil entender isso, né?
      E se a pessoa não se sente angustiada com as dificuldades enfrentadas por Tommy (o jovem soldado que acompanhamos desde o início), mesmo sem saber nada sobre o coitado, deve estar morto por dentro.

      O que me incomoda de verdade nos filmes do Nolan é essa mania chata de um discurso motivacional “carregado” de emoção e lições de moral. “Não é o que queremos, mas o que precisamos” em Batman Begins, “O ser humano é bom” em TDK, “O amor é a resposta” em Interestelar, e agora esse “Heróis acima de qualquer coisa”… Acho meio maniqueísta. Mas emfim… A qualidade dos filmes está acima disso.

    • Diogo Rodrigues M

      Diego, Han Solo é uma personagem muito bem construída, cuja construção é feita ao longo da narrativa, se desenvolvendo cada vez mais e com o ápice que você conhece. Só a amizade entre ele e o Chewbacca já é construção de personagem. É tão importante que vai ganhar um filme só para ele! Seu exemplo apenas corrobora meu argumento. Quanto a “Além da Linha Vermelha”, você tem razão, tem uma linguagem similar a “Dunkirk”. Isto é, padece do mesmo mal. O que não torna o filme ruim, apenas reduz a sua qualidade em um aspecto relevante, dentre vários outros.

      • Diego Carvalho Godinho

        Entendi.
        Mas discordo que padeça do mesmo mal, hehe. Para eu, é uma qualidade, gosto de filmes assim.
        E quanto ao Han, bom, vejamos, ele é apenas um contrabandista que tem uma amizade com um ser de uma raça alienígena, ponto, antes disso não sabíamos de mais nada. O seu filme-solo se dá muito mais por 1) ser um personagem unânime entre os fãs e pelo carisma voraz de Harrison Ford que entregou ao personagem, do que qualquer outra coisa, AGORA SIM, Han Solo terá o desenvolvimento/construção que merece!

  • Diego Carvalho Godinho

    Dunkirk me lembrou “Vá e Veja”, épico e colossal filme do cinema soviético.
    Quem nunca viu, Vá e Veja.

    • Raife Sales

      O Kleber Mendonça falou dele, daí eu vi na última quarta. Excelente!

  • mabruno

    Sou suspeito para opinar porque admito ser um anglófilo incorrigível, mas,
    de qualquer forma, eu chorei várias vezes durante o filme que captura
    todo o heroísmo e o senso de honra dos britânicos de uma
    forma intensa, envolvente e emocionante.

  • José

    Não há protagonistas humanos, o ‘protagonismo’ no filme é justamente a ”volta” para casa…