[ENTREVISTA] Corra que a Polícia Vem Aí | Akiva Schaffer e Seth MacFarlane falam sobre o novo filme, Liam Neeson, e o desafio de levar comédias aos cinemas
Com Liam Neeson e Pamela Anderson, o filme chega aos cinemas brasileiros em 14 de agosto.
(Imagens: divulgação/Paramount)
Um novo “Corra que a Polícia Vem Aí” chega aos cinemas nesta quinta-feira (14), mas não é exatamente o que você espera. Obviamente, não teremos o saudoso Leslie Nielsen liderando o elenco, mas, mesmo assim, a promessa é de que um novo grupo assuma o comando com a mesma verve. Os protagonistas? Liam Neeson e Pamela Anderson. Por incrível que pareça, a dupla vem arrancando elogios com uma química irresistível na telona, e Neeson, particularmente, demonstra um talento para comédia que quem acompanha seu trabalho como ator de drama e filmes de ação jamais imaginaria.
Em entrevista concedida ao Cinema Com Rapadura com exclusividade pela Paramount Pictures, o diretor Akiva Schaffer e o produtor Seth MacFarlane falaram sobre a nova versão de “Corra que a Polícia Vem Aí”, a falta que boas comédias fazem nos cinemas, e o potencial do filme de levar o público a dar boas risadas. Ambos ícones da comédia atual em Hollywood, Schaffer e MacFarlane citaram a influência das comédias originais de Leslie Nielsen como a principal influência para a nova versão.
MACFARLANE: Eu era um grande fã dos irmãos [David e Jerry] Zucker quando criança. Eu adorava “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”, adorava “Corra que a Polícia Vem Aí”, adorava “Loucademia de Polícia”. A primeira vez que vi “Corra que a Polícia Vem Aí”, eu já tinha assistido a “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu” e já era um grande fã. Procurei os seis episódios de “Loucademia de Polícia” e descobri que eram tão engraçados quanto o filme. Então essa variedade de humor, dos irmãos Zucker e Mel Brooks, se tornou uma espécie de marca registrada da minha infância, e eu a procurava onde podia. E isso inspirou muito da comédia que produzi mais tarde na minha carreira.
SCHAFFER: Tentei adotar o espírito do estilo de comédia e das piadas [do “Corra que a Polícia Vem Aí! original] e estabelecer especificamente que escalariam atores dramáticos e os colocariam em um gênero diferente, sendo realmente fiéis a esse gênero. Todas essas características eram as marcas registradas do que [os originais] faziam. Tento manter isso intacto, embora reconheça que 35 anos de filmes de ação e procedimentos policiais se passaram desde que os originais foram lançados, e que Liam Neeson não é Leslie Nielsen. Ele é um ator individual, uma pessoa. Ele tem um conjunto específico de características e talentos que são tão divertidos quanto.
MACFARLANE: Minha parte nisso foi simplesmente ter pensado, há algum tempo, que Liam Neeson seria muito engraçado em um reboot de “Corra que a Polícia Vem Aí”. E essa foi, de certa forma, toda a extensão da minha contribuição para essa versão. E Akiva Schaffer e sua equipe vieram e, no que diz respeito a essa iteração, como ela surgiu e como conseguimos nos encaixar, o crédito vai para ele. Ele realmente tem uma boa noção de como escrever para Liam. Você não vê muitas inconsistências no roteiro. Há uma disciplina que remete ao que os irmãos Zucker faziam.
A grande surpresa, novamente, fica por conta de Liam Neeson como o policial Frank Drebin Jr., filho do personagem de Leslie Nielsen nos “Corra que a Polícia Vem Aí” originais. A intensidade natural de Neeson o levou de dramas como “A Lista de Schindler” a filmes de ação como “Busca Implacável”, com “Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma” sendo o equilíbrio. Escalá-lo em uma comédia é uma quebra de expectativas por si só, mas, segundo MacFarlane e Schaffer, foi a escolha ideal.
MACFARLANE: Liam topa muita coisa. Se ele confiar em você, ele tentará qualquer coisa. Na primeira vez que falei com ele, ele disse: “Olha, eu não sou um comediante. Isso não é o que eu faço. Eu não sou cômico. Então, temos que entrar com esse entendimento de que as minhas falas serão dramáticas e engraçadas pela maneira como as estou apresentando”. E é assim que tem que funcionar. Felizmente, essa é a essência desse tipo de filmes. Então foi perfeito. Isso é exatamente o que queríamos que ele fizesse. Então ele é um cara muito inteligente que entende seus próprios talentos e suas próprias habilidades. E é por isso que a ideia de Liam fazer isso foi tão divertida, porque eu pensei que esse era o cara que poderia ser capaz de fazer isso. E ele fez.
SCHAFFER: Acho que o Liam entendeu a tarefa e foi por isso que ele ficou animado para fazer o filme, e tenho certeza de que foi por isso que o Seth, alguns anos antes de eu me juntar ao projeto, em uma de suas conversas com o Liam, disse: “Meu Deus, e ele percebeu que você seria perfeito para fazer isso”. Liam é um dos poucos que ainda são verdadeiros astros de cinema da velha guarda, com grande seriedade, e não havia ninguém abaixo dele na lista. Não havia nem uma segunda opção, porque não existe ninguém como ele por aí.
A tão falada química entre Liam Neeson e Pamela Anderson deu tão certo que se tornou uma das peças-chave do marketing do filme, surpreendendo muita gente que não esperava vê-los trabalhando tão bem juntos em uma comédia. Sobre isso, Schaffer e MacFarlane foram tão categóricos a respeito de Anderson quanto a respeito de Neeson: não havia outro nome a considerar para o papel.
SCHAFFER: Como eu descreveria a química entre Liam e Pam? Elétrica. Quente. Fumegante. Eles simplesmente se jogaram de cabeça. Não havia ensaios nem nada do tipo, então assim que eles começaram a ter aquele diálogo sexy, tipo, tipo “Pacto de Sangue”, foi tipo, “Ah, sim, já está tudo lá.”
MACFARLANE: Para esse tipo de filme, o importante é preencher um papel que já existe com alguém que não precise de muitas instruções sobre como interpretar o personagem. Com Liam Neeson, você sabe que vai ter o Liam Neeson, e essa é a chave. E acho que é a mesma coisa com a Pam. O que você quer para o personagem é a Pamela Anderson, então por que não chamar a Pamela Anderson? O que ela te entrega é sincero e completamente real. Sabe, ela não está tentando fazer a comédia pela comédia. Mas, ao mesmo tempo, ela traz um pouco daquele toque natural de Marilyn Monroe.
Mas nem com Liam Neeson e Pamela Anderson se faz um “Corra que a Polícia Vem Aí”. O elenco conta ainda com outro dos principais nomes de Hollywood atualmente, Paul Walter Hauser. Trata-se de um dos atores mais versáteis da indústria atualmente, capaz de transitar entre a intensidade de um filme de Clint Eastwood e filmes da Marvel. Além dele, a novata Liza Koshy também surpreende no elenco.
SCHAFFER: Foi muito divertido ter alguém [HAUSER] tão oposto ao Liam. Paul apareceu e, os dois juntos, visualmente parecem uma dupla cômica à moda antiga, de tão diferentes que são. Você sabe que o Liam é um cara muito alto. Não quero dizer que o Paul é baixinho, mas todos nós parecemos baixinhos perto do Liam, então foi muito legal ter um pouco de “yin e yang” ali, uma mistura que combina muito bem. Já Liza trouxe uma energia jovial ao filme. Ela se saiu muito bem porque é uma pessoa muito boba na vida real, mas também entendeu a tarefa. Na verdade, eu não conhecia o trabalho de Liza antes de assistir ao teste dela, o que é uma prova de quão bem ela se saiu, porque eu simplesmente a vi atuando de forma muito direta e normal, muito parecida com uma policial, sem tentar ser engraçada. Então, nós a contratamos e, ao conhecê-la pessoalmente, ela é a maior boba que eu já conheci, então parabéns a ela por ter conseguido se desligar completamente disso para fazer o que este filme precisava.
Por fim, Schaffer e MacFarlane sabiam que retomar uma franquia tão engraçada e querida quanto “Corra que a Polícia Vem Aí” não seria tarefa fácil, principalmente com o público ainda saudoso de Leslie Nielsen e com tão poucas comédias verdadeiramente autênticas nos cinemas e televisão.
SCHAFFER: Acho que o primeiro “Corra que a Polícia Vem Aí” é perfeito, mas o que podemos fazer é algo um pouco diferente honrando o espírito dele, tentando coisas novas. Acho que se você for ao cinema com a mente aberta, vai gostar, e espero que goste bastante.
MACFARLANE: Quando se trata de uma comédia, assistir sozinho pode não ser tão divertido quanto assistir com outras pessoas, principalmente se for algo que gere muitas risadas. É mais divertido em grupo. E certamente este filme e este tipo de comédia se prestam a um público. É mais divertido ter aquela experiência coletiva de compartilhar uma risada. As pessoas estão sempre meio que prontas para rir. Há muitas comédias na televisão que são feitas para ganhar prêmios e ser reflexivas e importantes com I maiúsculo. E não muitas que são do tipo: “Somos uma comédia e esse é o nosso trabalho, acima de tudo.” E se algo entra no caminho, então não somos necessariamente uma comédia. Somos outra coisa. E há muito pouco desse tipo de filme e séries de TV agora. Acho que as pessoas estão famintas por isso, e acho que elas estão famintas por algo como “Corra que a Polícia Vem Aí”. Eu acho que elas estão famintas por esse tipo de filme. Já faz um tempo.
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“Corra que a Polícia Vem Aí” chega aos cinemas brasileiros em 14 de agosto. Assista ao trailer.
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