Cinema com Rapadura

Críticas   terça-feira, 17 de setembro de 2019

A Hora do Lobisomem (1985): horror e inocência

Com roteiro do próprio Stephen King, o filme é mais um clássico oitentista com direito a muito sangue e figuras marcantes de cidade do interior. Segue o arquétipo da criança desmedida, mas com personalidade.

Como de costume, Stephen King aborda novamente uma história ambientada no Maine, agora na pequena Tarker’s Mills. O longa é uma adaptação do romance “Cycle of the Werewolf”, que no Brasil ganhou posteriormente o título de “Bala de Prata”, mas que originalmente foi traduzido como “A Hora do Lobisomem”. Se tem uma coisa que o autor sabe fazer com esmero é dar um pano de fundo convincente aos personagens principais, e nesse caso, um garoto paraplégico de dez anos chamado Marty Coslaw (Corey Haim) conduz nossos olhos por toda a trama. Porém, apesar da curiosidade de quem deve ser o temido lobisomem, o filme carece de um prévio contexto do motivo que a fera apareceu na tranquila cidade.

Somos introduzidos ao filme quando um senhor é violentamente morto perto dos trilhos da estação e em seguida presenciamos uma jovem grávida sendo brutalmente dilacerada em casa. Esta cena é filmada sem nenhum pudor e abusa do gore. Logo, alguns terríveis assassinatos começam a acontecer. Os habitantes locais acreditam que o responsável pelas mortes seja um psicopata. Com isso, os moradores se retiram das ruas ao anoitecer. É apropriado observar que a fotografia utiliza bem a perspectiva e planos fechados das garras e pés da criatura para criar o suspense, isso torna as cenas mais desconfortantes. Até então a trama aparenta ser mais um filme trash, com ataques repentinos acontecendo à noite pela cidade. 

A atmosfera toma um novo rumo quando entra em cena o carismático Marty e sua cadeira de rodas motorizada construída pelo tio Red (Gary Busey), intitulada de Bala de Prata. Ambos adicionam bastante humor à trama com Red bancando o tiozão bacana, afinal, o garoto é criado somente pela mãe e a irmã Jane (Megan Follows). Em dado momento, Red dá a Marty alguns fogos de artifício e o garoto protagoniza a burrice típica de filmes de terror: sair à noite sozinho para soltá-los. Não há dúvidas que o roteiro poderia evitar tal insensibilidade! O intuito da cena era para que Marty encontrasse o lobisomem e lhe ferisse um olho com os fogos para fugir. 

O segundo ato é o ponto alto do filme, quando o garoto conta para a irmã o que de fato está causando as mortes enquanto os moradores se organizam para caçar o suposto psicopata. Cética, ela concorda em procurar pela cidade alguém que tenha o olho ferido para assim identificar quem está amaldiçoado como lobisomem. 

Há no filme alguns elementos que não ajudam na condução da história, como uma narração inoportuna e a falta de abordagem do lobisomem. Talvez seja a economia de cenas da criatura que deixou o longa tão marcante ao longo dos anos. Pois, quando explorados com excesso, é comum em filmes de terror a banalização da ameaça. E se A Hora do Lobisomemtem uma certeza é de sua autenticidade, tanto em se assumir como filme de terror para jovens quanto em honrar a lenda dos licantropos. No final, é justo dizer que essa é mais uma obra anticlímax de Stephen King. Pelo menos vale pelo carisma de Corey Haim.

Jefferson José
@JeffersonJose_M

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A Hora do Lobisomem (1985)

Silver Bullet - Daniel Attias

pequena cidade de Tarker's Mill, que sempre foi um lugar pacato até que terríveis e violentos assassinatos começaram a acontecer. Os habitantes locais acreditavam que o responsável pelas mortes seja um psicopata à solta. Porém, um garoto de 11 anos chamado Marty (Corey Haim) acreditava que os assassinatos não estavam sendo causados por uma pessoa, mas sim por um lobisomem. Com a ajuda de sua irmã, Jane (Megan Follows), o jovem consegue escapar e decide ir atrás do monstro.

Roteiro: Stephen King

Elenco: Gary Busey, Everett McGill, Corey Haim, Megan Follows, Terry O'Quinn, James Gammon, Tovah Feldshuh, Lawrence Tierney, Bill Smitrovich, Joe Wright, Robin Groves, Leon Russom, Kent Broadhurst, Heather Simmons, James A. Baffico, Rebecca Fleming, William Newman, Sam Stoneburner, Lonnie Moore, Rick Pasotto

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