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OPINIÃO   sexta-feira, 03 de julho de 2026

Minions & Monstros (2026): homenagem divertida que perde o rumo

Era de ouro de Hollywood vira um playground para os Minions, mas longa abandona sua melhor ideia para seguir uma aventura de monstros bem mais convencional.

Desde sua primeira aparição em “Meu Malvado Favorito”, os Minions continuam sendo um dos maiores fenômenos da animação comercial. O humor físico e a capacidade de transformar qualquer situação em uma grande bagunça são a receita do sucesso para agradar públicos de todas as idades, provando que não é preciso diálogos compreensíveis para arrancar risadas. “Minions & Monstros” não foge à cartilha, entendendo onde reside o encanto dos personagens e ainda realizando uma bonita homenagem à história do cinema americano. Porém, quando chega a hora de entregar os monstros prometidos pelo título, acaba deixando para trás aquilo que o tornava especial.

O novo longa apresenta a história de uma tribo de Minions diferente da que viria a servir a Gru em uma viagem que os leva à Hollywood das primeiras décadas do século XX. Os créditos iniciais já estabelecem o espírito da produção ao mostrar grandes marcos do cinema sendo alvo da tradicional confusão provocada pelos personagens. Os irmãos Lumière, Georges Méliès e muitos outros são incorporados às piadas sem que isso pareça um desfile gratuito de referências, transparecendo um carinho genuíno pela sétima arte por parte da produção.

Em vez de utilizar Hollywood apenas como pano de fundo, o filme constrói boa parte do humor a partir da própria evolução da linguagem cinematográfica. A ideia de que os Minions perderam espaço com a chegada do cinema falado porque ninguém entendia o idioma deles sintetiza bem esse espírito. Quem conhece a história do cinema encontra diversas camadas extras, enquanto o interesse do público geral se mantém graças ao humor visual.

As pequenas esquetes começam apresentando um fio condutor claro, com cada nova sequência ampliando a homenagem à era de ouro de Hollywood. Reverências a Charles Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd, grandes nomes da comédia física, se mostram bem apropriadas ao tipo de humor que tornou os seres amarelos tão famosos. O diretor Pierre Coffin demonstra dominar esse tipo de comicidade, alternando caos e pausas para manter o público envolvido na história do minion aspirante a cineasta e seus amigos.

Contudo, a mudança de rumo fica clara quando os monstros do título finalmente entram em cena. A partir desse ponto, a obra praticamente abandona a brincadeira com Hollywood e nos apresenta Goobi, um pequeno monstro inspirado no imaginário lovecraftiano que depois se junta a outros seres “horripilantes” que homenageiam a mitologia inominável do escritor. O terceiro ato substitui a criatividade da primeira metade por uma aventura bem mais convencional de fim do mundo, trazendo ainda novos personagens e uma subtrama tediosa que disputa espaço em um longa que, até então, parecia satisfeito em brincar com sua proposta inicial.

Essas sequências têm qualidade no geral, mas passam a impressão de pertencer a outro filme — que poderia até ser um novo capítulo da própria franquia. Enquanto o início encontra criatividade ao revisitar a história do cinema, a reta final recorre a uma sucessão de perigos previsíveis que prejudicam o ritmo e a empolgação. O humor segue presente, só que agora recorrendo à fórmula já vista na franquia, servindo apenas de intervalo entre as cenas de ação. É como se a homenagem cinematográfica e o filme de monstros disputassem a atenção do roteiro em vez de se complementarem.

A animação ainda é vibrante, com cores intensas e expressões exageradas que continuam sendo uma marca registrada da Illumination. Por outro lado, mesmo inspiradas em um imaginário muito criativo, as criaturas são excessivamente genéricas e sem personalidade. Não que a ideia fosse fazer algo assustador ou incompreensível em uma obra para crianças, mas a intenção de fazer o habitual e não o memorável fica mais evidente a cada minuto.

Acontece que mesmo sem ser inesquecível, “Minions & Monstros” reafirma por que esses personagens continuam fazendo tanto sucesso quase duas décadas depois de sua criação. O roteiro abandona sua ideia mais interessante, mas os pequenos amarelos preservam uma energia caótica que torna difícil não sorrir diante de suas trapalhadas. Embora isso ainda seja suficiente para garantir diversão sem correr grandes riscos, frustra ver uma homenagem tão inspirada terminar como mais uma aventura ordinária.

Martinho Neto
@omeninomartinho

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