Em 2003, foi lançado “Johnny English”, longa no qual Rowan Atkinson interpretava o agente secreto britânico do título e dividia a cena com John Malkovich, que viva o vilão daquela trama. Era um filme que, se não era exatamente brilhante, divertia, até por conta da química entre o atrapalhado mocinho e seu excêntrico inimigo. Nesta sequência, comandada por Oliver Parker, perde-se Malkovich enquanto Atkinson faz o que pode para segurar o filme, o que não é fácil.
Após cinco anos afastado do MI7 por conta de uma falha de proporções épicas, English é chamado de volta do mosteiro budista onde estava treinando para assegurar que uma crucial reunião entre o primeiro ministro britânico e o premiê chinês transcorra sem incidentes. O agente de sua majestade acaba trombando com uma conspiração envolvendo assassinos internacionais e uma arma infalível, que ameaçam jogar o mundo no mais completo caos.
Muito da força do humor vem da imprevisibilidade das situações que ocorrem no transcorrer da história que está sendo contada. Infelizmente, os roteiristas da fita parecem desconhecer esse princípio. O espectador pode adivinhar tudo o que vai acontecer no filme com cinco minutos de projeção, até porque a produção parece copiar certas cenas de outras sátiras da franquia “007″.
Dentre tais pontos, posso citar a introdução do agente vivido pelo fraquíssimo Dominic West que é idêntica a do personagem de Dwayne Johnson em “Agente 86″, além da gag do herói atacando a pessoa errada, muito usada em “Austin Powers – Um Espião Nada Discreto” que aqui é repetida diversas vezes, indiscriminadamente.
Não que o filme não tenha boas sacadas. A cena da perseguição à la le parkour brinca de maneira hilária com a sequência similar de “007 – Cassino Royale” e a gag da cadeira funciona muito bem. No entanto, a produção não possui coesão alguma, geralmente dependendo de maneira excessiva dos maneirismos da Atkinson para arrancar uma risada do espectador. Algumas piadas, como a que lida com excesso de product placements no cinema, não causam o devido impacto por não terem o peso ideal.
Nisso, o ritmo da projeção acaba prejudicado, principalmente com um segundo ato bastante inconstante e uma conclusão sem muita graça. O elenco coadjuvante não tem muito a fazer. Gillian Anderson, a Dana Scully de “Arquivo X”, aparece desperdiçada em cena, não tendo nenhum momento para brilhar como a chefa do MI7, Pegasus.
A bela Rosamund Pike, que já foi uma Bond Girl na era Pierce Brosnan, apenas contrasta em beleza em relação ao seu par romântico. Na ala masculina, o parceiro de Johnny English, Tucker, vivido por Daniel Kaluuya, só aparece para que sua inexperiência seja ressaltada várias vezes (com uma mudança clara no final) e o já citado Dominic West nem como canastrão funciona aqui.
Lamento o desperdício de Rowan Atkinson com um roteiro tão pobre. Também é incrível notar como algumas gags, que poderiam não ter graça nenhuma (como a da preparação para o chute no saco), são salvas pelo carisma do eterno Mr. Bean. O grande problema é que ninguém no elenco consegue acompanhar o ator, transformando Johnny English no único ponto focal do filme inteiro, não demorando para a piada perder a graça.
Famoso por seu vício em carros velozes, certamente Atkinson pôde comprar mais alguns automóveis para a sua coleção com o cachê que ganhou por esse trabalho. Pena que esse cachê não veio por sua participação em um filme melhor.
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Thiago Siqueira é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema



























13 Comentários
Que pena, gostaria de ver um bom filme novamente dele, mas ele se aposentou, bom valeu enquanto durou, me diverti e tornei meus dias mais felizes rindos das comédias, obrigado Mr. Bean.
Olá Thiago, discordo plenamente de seus comentários aqui no Cinema com rapadura. Gostaria de saber se tu assistiu ao filme? se sim, pois, você fez vários comentários negativos, gostaria de saber se tu riu? Pois, é impossível, assistir ao “BRILHANTE FILME” que é uma comédia, e não sair do cinema com a barriga doendo de tanto rir. Quem assistiu ao filme pode confirmar o que estou comentando. Não que suas críticas não sejam boas, mas deve ser realista e imparcial quando escreve seus comentários, se você não gostou, é uma opção sua, mas ficar só falando mau do FILME, convém, creio que você ODEIA comédia, e o pessoal do Cinema com rapadura lhe pediu para comentar o filme. Fiquei revoltado com seus comentários, gostei muito do filme, e discordo em 90% do que escreveu. É um bom filme, e quem assistir pode ter certeza que irá dar muitas risadas. É isso. Desculpe-me o desabafo, mas comentários são para comentar, e se estou comentando é porque li seus comentários e discordei. Ah, trabalho com Televisão aqui na Região norte a alguns anos, entendo só um pouquinho.
Olá Thiago!
Olha só concordo com o Flávio, este filme é Super Engraçado, melhor que Se beber, não case! Part 1 e 2.
Dou 10.000.000.000,00 para esse Filme.
As caretas que ele fez, são incriveis, fora as trapalhadas. Não velo um filme assim a muito, mais muito tempo.
Valeu DE NOVO Mr. Bean!
É estranho o humor do Siqueira! Analisar comédia é algo muuuuuuuuuuuuuito relativo, Siqueira não me parece a pessoa mais indicada p/ comentar e formar opinião sobre esse tipo de filme, quem ouve os casts perceber.
Siqueira tem um humor muito particular e muitas vezes sem graça.
Comédia boa pro Siqueira é só o “Fanboys”.
Em nossa época atual, ver os filme de comédia que são lançados atualmente é um grande sofrimento para que faz da critíca seu meio de vida, hoje esse filmes de “comédia” não chegam a um terço dos melhores de todos os tempo dos anos 80 e 90. Cito aqui Top Gun 1 e 2, Um Ninja da Pesada, Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!, Corra que a Polícia Vem Aí, Corra que a Polícia Vem Aí 2½ e tantos outros que eu posso lembrar. Acho que está faltando criatividade para os roteirista USA, pois a comédia esta em falta no meio das produções hollywood.
Assim como a maioria aqui, também não entendi a crítica. Não dá pra ser técnico avaliando comédia. É um tipo de filme que a gente tem que relaxar e rri. E Johnny English cumpre esse papel bem.
pessoal, é pra isso que serve um crítico de cinema: ser o sabe-tudo, falar mal de todos os filmes mas não produzir nenhum…
Assim não dá neh… vcs aqui não fazem uma critica válida, nem parece que entendem de filme.. esse foi o filme mais engraçado do ano na minha opiniao… Mr Bean manda muito.
tá ruim essa critica ai!
Eu concordo com a crítica. Talvez isso se deva ao fato de eu ter lido a crítica antes de assistir ao filme. Talvez não. O fato, não mencionado, é que o 40% do humor do filme é arruinado pela trilha sonora, típica de filmes de ação, NÃO de Comédia.
O siqueira é constantemente apedrejado por suas criticas, desnecessáriamente.
Lembrem-se gente, o critico não faz nada mais do que expor sua opinião sobre alguma coisa, pra recomendar, ou não, pra você.
Não levem tanto a sério.
Realmente, é um filme muito sem graça. Se dei 3 risadas foi muito!
PS: Esse site devia ter opção de comentar pelo facebook, é mais prático.
Cala essa boca! Esse filme foi uma das melhores comédias que assisti nos últimos tempos! Todo mundo lá em casa riu até não querer mais!
Não gostou? Vai assistir Zorra Total, então…