Cinema com Rapadura

Notícias   terça-feira, 12 de novembro de 2024

Festival Varilux de Cinema Francês chega à sua 15ª edição apostando em qualidade e pluralidade de produções

De 07 a 20 de novembro, o público brasileiro poderá assistir a filmes exibidos e premiados em grandes eventos de cinema ao redor do mundo e que devem figurar entre os melhores do ano de muitos cinéfilos.

Festival Varilux de Cinema Francês chega à sua 15ª edição apostando em qualidade e pluralidade de produções>

O Festival Varilux de Cinema Francês, evento já esperado no calendário dos cinéfilos brasileiros, começou sua 15ª edição em 06 de novembro, com sessões especiais de quatro longas bem distintos no cinema NET Gávea, no Rio de Janeiro: “O Sucessor”, “Bolero – A Melodia Eterna”, “Apenas Alguns Dias” e “Madame Durocher”. A ocasião de gala contou com a presença não só dos presidentes da iniciativa, Christian e Emannuelle Boudier, mas também de uma comitiva de artistas franceses — atores, diretores e roteiristas — de alguns dos longas que serão exibidos durante o Festival, além de autoridades do seguimento cultural, do Cônsul-Geral da França no Rio de Janeiro e representantes dos patrocinadores, que incluem empresas como a própria Varilux, o Hotel Fairmont e a Michelin. O Cinema Com Rapadura viajou para cobrir o Festival à convite do evento e pôde entrevistar alguns membros da comitiva artística francesa sobre a importância do Festival Varilux.

Raphaël Personnaz, que interpretou o compositor Maurice Ravel em “Bolero – A Melodia Eterna”, colocou que a França é um país com grandes tesouros culturais que devem ser protegidos, reinterpretados e até mesmo questionados, se considerando um artista de sorte por poder viajar mostrando a cultura francesa e observando o impacto que esses trabalhos têm no mundo. Neste sentido, ele citou um debate que participou no Brasil com crianças de 13 anos sobre arte e que ficou arrepiado e sensibilizado com o interesse das crianças por um filme sobre um compositor de música clássica do século passado.

Um longa com condição única dentro do Festival é “Madame Durocher”, por ser uma produção brasileira, mas com um estrelado elenco brasileiro e francês, que inclui Marie-Josée Croze, André Ramiro, Mateus Solano e Adriano Toloza. A obra conta uma história real com raízes em ambos os países sobre a Madame Marie Durocher, francesa criada no Brasil que, na época do império, foi a primeira mulher a integrar a Academia Brasileira de Medicina. Marie-Josée Croze vê o filme como uma forma de impedir que uma figura tão importante como a primeira mulher obstetra do Brasil seja apagada da memória popular. Uma das atrizes a interpretar a personagem-título é a jovem Jeanne Boudier, que, com pais franceses e criada por muito tempo no Brasil, vê com naturalidade a integração entre os dois países, se enxergando até mesmo um pouco em Marie neste sentido.

Em 2023, o Festival trouxe a estreia de “Os Três Mosqueteiros – Milady”, e a edição deste ano traz outra grande adaptação de um romance clássico de Alexandre Dumas, com “O Conde de Monte Cristo”, o maior sucesso do cinema francês em 2024. O codiretor e roteirista, Matthieu Delaporte, que também trabalhou em “Os Três Mosqueteiros”, afirmou que tinha a intenção de fazer uma adaptação diferente daquelas já conhecidas. Vendo cada uma iteração como interpretações de suas épocas dessa clássica história francesa, nesse sentido ele as equipara às obras de Shakespere, vendo que existia um espaço para esta nova visão, até por entender que, ao contrário do que aconteceu com adaptações como “Cyrano de Bergerac”, por exemplo, o filme definitivo sobre a história de vingança e redenção de Edmond Dantés não havia sido realizado ainda.

Dentro da seleção do Festival, “Apenas Alguns Dias” se destacou por lidar com um tema extremamente sensível como a situação de refugiados na Europa de uma forma leve, envolto em uma comédia romântica, na qual um jornalista musical, tentando impressionar uma ativista social, acolhe um refugiado em seu lar. O roteirista Marc Salbert, que se utilizou de muita pesquisa e de suas próprias experiências para confeccionar o roteiro, colocou que não queria fazer um longa que passesse uma lição de moral, mas sim que mostrasse como a questão da imigração não é de mera estatística, mas de relações humanas, e que cada um de nós pode ajudar, até mesmo aqueles que não são tão socialmente engajados assim.

“O Sucessor” traz um suspense de primeira linha para o rol desta edição. Escrito e dirigido por Xavier Legrand, o filme mostra um estilista em ascensão de volta para sua cidade natal após a morte do seu pai que descobre mais sobre ele do que poderia esperar. Legrand conta que fez uma adaptação bastante livre do livro de Alexandre Postel, se perguntando “o que eu faria nesta situação?”. O resultado é um thriller psicológico único, lidando com temas universais como o conflito da nossa identidade de nascença e a que a adotamos com o decorrer da vida. Um dos grandes destaques do longa é o ator Yves Jacques, que interpreta um amigo do falecido pai do protagonista. Segundo Legrand, o veterano ator era até então conhecido por papéis de personagens mais profissionais, como advogado, e abraçou a oportunidade de viver alguém mais normal, uma figura paterna.

Homenageando o astro francês Alain Delon, o festival conta em sua programação com “O Sol Por Testemunha”, adaptação de “O Talentoso Ripley” lançada em 1960 que revelou o astro francês, recentemente falecido. Outro destaque é “A Favorita do Rei”, longa que traz Johnny Depp em seu elenco. O Festival Varilux de Cinema Francês acontece até 20 de novembro em mais de 60 cidades e sua programação pode ser vista aqui.

Saiba Mais:

Thiago Siqueira
@thiago_SDF

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