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Notícias   segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Consumo via Netflix não está acabando com salas de cinema, de acordo com estudo

Resultados da pesquisa concluíram que o consumo de filmes em salas de cinema e via streaming não são excludentes, mas sim complementares.

Consumo via Netflix não está acabando com salas de cinema, de acordo com estudo>

De acordo com a Variety, um estudo conduzido pelo grupo de Economia Quantitativa e Estatística da EY constatou que a Netflix não está acabando com os cinemas. Na verdade, a pesquisa descobriu que as pessoas que vão aos cinemas com mais frequência também consomem mais conteúdo em streaming. Isso vai contra o argumento dos analistas de bilheteria, que culpam as empresas de entretenimento digital pela pouca quantidade de ingressos de cinema vendidos.

Se as descobertas do estudo forem realmente precisas, isso indicaria que as duas formas de consumo de entretenimento são mais complementares do que rivais. O estudo descobriu, por exemplo, que os entrevistados que visitaram uma sala de cinema nove vezes ou mais nos últimos 12 meses consumiram mais conteúdo em streaming do que os que visitaram uma sala de cinema apenas uma ou duas vezes no último ano. Aqueles que assistiram a nove ou mais filmes no cinema tiveram em média 11 horas de streaming semanal, em comparação com as sete horas de streaming relatadas, em média, por aqueles que viram de um a dois filmes nas telonas.

Para obter seus resultados, os pesquisadores entrevistaram 2.500 pessoas em novembro – 80% dos quais viram pelo menos um filme nos cinemas em 2017. O estudo foi encomendado pela Associação Nacional de Proprietários de Cinema (ANPC) norte-americana, um grupo de lobby para a indústria de exposições, que tem sido crítico eloquente em relação à decisão da Netflix de abrir mão de lançar nos cinemas tradicionais alguns de seus filmes, como por exemplo, “Roma”.

Phil Contrino, diretor de mídia e pesquisa da ANPC, falou sobre o assunto:

“A mensagem aqui é que não há uma guerra entre streaming e cinema. As pessoas que amam o conteúdo estão assistindo em todas as plataformas e todas as plataformas têm lugar na mente dos consumidores.”

As pessoas que evitaram as salas de cinema também evitaram assistir grandes quantidades de programas e filmes em serviços de streaming. Quase metade das pessoas que disseram que não foram ao cinema nos últimos 12 meses também não consumiu nenhum conteúdo online. Apenas 18% das pessoas que evitaram os cinemas transmitiram conteúdo online por oito ou mais horas por semana.

Ao contrário do que normalmente se pensa, a plataforma de streaming também não motiva os adolescentes a ficarem somente em casa. Os entrevistados entre as idades de 13 a 17 anos assistiram uma média de 7,3 filmes no cinema e consumiram 9,2 horas de conteúdo de streaming, o maior de qualquer faixa etária. Houve uma certa suavidade em consumidores entre as idades de 18 a 37, no entanto. A média dos entrevistados nesse grupo foi de seis idas ao cinema no ano em 2017, a menor entre todas as faixas etárias. Ao mesmo tempo, eles assistiram 8,6 horas de conteúdo de streaming  por semana.

O estudo considera ainda que os americanos têm uma quantidade limitada de renda. Se eles estão gastando para pagar a assinatura da Netflix, Amazon ou Hulu, é provável que precisem economizar em outro lugar. Há dados que sugerem que uma maneira de cortar custos é “cortar o fio”. O número de consumidores que já cancelou o serviço de TV a cabo ou outros serviços de TV paga em 2018 deverá subir 32,8%, para um total de 33 milhões de adultos, de acordo com estimativas recentes da empresa de pesquisa eMarketer. Contrino acredita que é justamente neste ponto que a influência do streaming é mais clara. Ele argumenta que isso está desequilibrando o espaço de entretenimento doméstico, e não o campo voltado ao cinema.

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Sylvester Carvalho
@rapadura

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