Cinema com Rapadura

Entrevistas   terça-feira, 03 de dezembro de 2019

[ENTREVISTA] Vivir Ilesos | “Eu represento uma mulher que passa sua vida fugindo do patriarcado”, afirma Magaly Solier

O Cinema com Rapadura conversou com o diretor e a protagonista de “Vivir Ilesos”, filme peruano sobre sequestro, patriarcado e a figura feminina no meio disso tudo.

[ENTREVISTA] Vivir Ilesos | “Eu represento uma mulher que passa sua vida fugindo do patriarcado”, afirma Magaly Solier

“Vivir Ilesos” é o tipo de filme difícil de digerir porque sua história é crua, sem grandes artifícios técnicos ou narrativos. Ele entrega ao espectador a história de um casal sequestrado e separado no processo, restando a protagonista permanecer como uma espécie de escrava sexual de um homem rico e astuto.

Em conversa com o Cinema com Rapadura, o diretor Manuel Siles e a atriz Magaly Solier falaram sobre a produção apresentada na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A narrativa chegou ao espectadores através de uma forte mensagem sobre o que o patriarcado pode representar para a figura feminina. Confira, abaixo, os melhores trechos:

Magaly Solier (Atriz): Eu represento uma mulher que passa sua vida fugindo do patriarcado, de uma sociedade na qual ela figura como um objeto. Como muitas mulheres peruanas, essa personagem precisa ter sua voz elevada e, dessa forma, assistida. Só assim, talvez, o meu trabalho como atriz tenha significado de forma diferente, como mais do que uma simples personagem, mas sobretudo como símbolo de uma realidade.

Manuel Siles (Diretor): Construir um filme desta forma me ajudou a desenvolver, em minha mente, as diferentes nuances que os personagens têm. Escrevi o roteiro há anos e, desde então, venho trabalhando de forma contínua para aperfeiçoar as mensagens que eu quero passar ao espectador. O resultado, como é possível assistir, é uma trama repleta de significados, sobretudo para a realidade da mulher peruana, que passa por situações semelhantes e precisa ficar em silêncio diante do cinismo da população. Construir uma personagem tão rica como Lucia foi um processo, contudo, doloroso. Porém, ao mesmo tempo, recompensador. Isso porque eu criei um homem que representa o sistema e uma mulher que, de fato, representa a figura feminina. No meio disso, você assiste a uma troca de significados que não posso dizer agora, mas que merecem uma análise mais profunda acerca de seus reflexos também no Brasil.

“Vivir Ilesos” ainda não tem data de estreia no Brasil.

Denis Le Senechal Klimiuc
@rapadura

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