Cinema com Rapadura

Entrevistas   sexta-feira, 08 de fevereiro de 2019

[ENTREVISTA] Para criadores da graphic novel e elenco da série, The Umbrella Academy vai além do gênero de super-herói

Gerard Way, Gabriel Bá e parte do elenco vieram ao Brasil para divulgar a série, e o Cinema Com Rapadura teve a chance de descobrir mais detalhes da produção.

Imagem: Da esquerda para direita, David Castañeda, Gabriel Bá, Gerard Way, Ellen Page, Emmy Raver-Lampman e Tom Hopper durante divulgação no Brasil (Getty Images)

A Netflix tem se tornado a casa de projetos dos mais diferenciados, dando chance para que filmes que talvez fossem esquecidos se exibidos nos cinemas, possam ser vistos ao redor de todo mundo, e produzindo uma aguardada adaptação de uma obra que não teria melhor plataforma para atingir um maior público. Esse é o caso de “The Umbrella Academy” adaptação da graphic novel da Dark Horse Comics escrita por Gerard Way e ilustrada pelo brasileiro Gabriel Bá, que estreia na Netflix na próxima sexta, dia 15.

O Cinema Com Rapadura teve a chance de conversar com os criadores da graphic novel, assim como parte do elenco durante a divulgação pelo Brasil, e descobrimos o que faz de “The Umbrella Academy” mais do que uma história comum de super-heróis.

Primeiramente, é importante apresentar a trama da série. Em 1989, inexplicavelmente, quarenta e três crianças nascem de diferentes mulheres que não demonstravam nenhum sinal de gravidez. Sete destas crianças são adotadas por Sir Reginald Hargreeves, um empresário bilionário que cria a Umbrella Academy e prepara seus “filhos” para salvar o mundo de ameaças em geral. No entanto, durante a adolescência dos sete, a família sofre uma ruptura e eles se distanciam. Mas, com a morte de Hargreeves, seis deles se juntam novamente e são forçados a lidar com as diferentes personalidades e habilidades uns dos outros para entender o que aconteceu com o patriarca da família, além de tentar impedir o apocalipse.

Assim que o primeiro volume da graphic novel foi lançado, em 2007, os direitos foram adquiridos pela Universal para transformar a história em um filme, o que acabou não dando certo, e felizmente, segundo Gerard Way e Gabriel Bá. Os criadores afirmam que uma produção em longa-metragem ia exigir que a história tivesse que ser “comprimida” para caber no formato, enquanto como uma série pela Netflix, ela pode ser contada em 10 episódios. Outro lado positivo de ter demorado mais de 10 anos para uma adaptação ser lançada é o fato de que agora o público já está acostumado com o gênero de super-herói, apontam Way e Bá. Com tantos filmes e séries, o público está preparado para receber esse tipo de história, e não só isso, mas algo que pode ser mais estranho e menos tradicional. Além disso, o showrunner Steve Blackman, que já trabalhou nas séries como “Fargo” e “Altered Carbon”, fez o melhor para adaptar a graphic novel para a nova mídia, e seu trabalho foi muito elogiado pelos criadores de “The Umbrella Academy”.

CCR: No processo de adaptação, o objetivo era se manter o mais próximo dos quadrinhos, ou a intenção era mudar, focar mais em um personagem ou em uma parte específica da trama?

Gerard Way: Nós permitimos que as pessoas que estavam adaptando usassem a mídia em questão, a televisão. Nós somos produtores executivos, então tivemos a chance de opinar em praticamente tudo. Nós estávamos lá nos conversas iniciais, na apresentação do argumento, conhecendo os escritores, respondendo suas perguntas, conhecendo o showrunner Steve Blackman, falando sobre a adaptação. Então começamos a ver os roteiros, e fazíamos notas sobre os roteiros, íamos para o set, e eles começaram a gravar, vimos eles gravarem, comentávamos sobre as gravações. Estávamos lá sempre e eles são muito bons no trabalho deles, que é fazer séries, então deixamos eles fazerem isso. E eles sempre terão o material fonte para recorrer, e Steve ama as graphic novels, e tentou se manter fiel a isso. E meu foco e o de Gabriel é manter as histórias dos quadrinhos com qualidade, assim a série sempre terá um material para recorrer”.

Depois de lançar “A Suíte do Apocalipse” e “Dallas”, os criadores estão chegando no terceiro volume, “Hotel Oblivion”, com planejamento de chegar em até oito volumes. Way comenta que eles devem tentar ficar à frente da série, caso a Netflix decida dar continuidade às adaptações e confirmem mais temporadas. Segundo Bá, o maior desafio em adaptar “The Umbrella Academy” é expressar através da série a real mensagem da história e ainda assim ter apelo ao público. Isso porque, embora tenha como fachada personagens com superpoderes, o real foco é a relação entre os personagens e o quanto é importante que eles se mantenham juntos, mesmo quando forças externas tentam os separar.

CCR: Vocês tiveram alguma inspiração visual ou conceitual de filmes ou séries para a série de ‘The Umbrella Academy’?

Way: As inspirações foram várias. A graphic novel foi com certeza inspirada por Wes Anderson. A série tomou uma direção mais diferente, o que eu acho bem saudável para a série, porque os filmes do Wes são tão distintos e maravilhosos…

Gabriel Bá: Mas há vislumbres desse estilo..

Way: Sim, com certeza! Mas na maior parte tentaram mudar isso, e foi uma conversa que eu tive logo de início com Steve [Blackman], para fazer algo mais diferente. Mas claro que teve essa inspiração. Eu pessoalmente fui inspirado pelo músico Klaus Nomi, ele inspirou bastante o personagem de Klaus. Arte abstrata, Hellboy, Mike Mignola…

Bá: Arte japonesa, HQs japonesas. Algo que torna nossa graphic novel boa é a mistura de gêneros diferentes, elementos diferentes, cidades com bairros diferentes, você nunca sabe onde a história está se passando. É a mistura, não é uma coisa só, não é uma história de super-herói normal, e eles conseguiram traduzir isso na série.

Apresentando a Umbrella Academy

No elenco temos Tom Hopper como Luther (1), David Castañeda como Diego (2), Emmy Raver-Lampman como Allison (3), Robert Sheehan como Klaus (4), Aidan Gallagher como The Boy (5), e Ellen Page como Vanya.

Hopper, Castañeda, Raver-Lampman e Page fizeram parte da divulgação de “The Umbrella Academy” no Brasil, e segundo eles, seus personagens são bem mais do que seus superpoderes. Além de serem muito bem desenvolvidos, eles são bastante identificáveis, e jovens que assistirem à produção podem encontrar inspiração e ajuda na trama. Como diz Raver-Lampman, o escapismo é um grande fator para o público apreciar tanto histórias de super-heróis, enquanto Page completa que jovens cada vez mais cedo têm de lidar com ansiedade e depressão, e a série aborda tais questões.

CCR: Esta série desde suas primeiras imagens já parecia trazer algo de diferente para o gênero. O que vocês acham que é o maior diferencial de Umbrella Academy?

Tom Hopper: Eu acho que mais do que tudo é como focamos mais no lado humanista dos personagens, eles não são só super-heróis, na verdade, toda essa parte é mais secundária. Eles são todos super-heróis que você consegue se relacionar, eles têm defeitos e fraqueza e, como uma família, eles tem que depender uns dos outros. Nós entramos no gênero de super-herói, mas é bem mais do que isso, é bem mais profundo do que o normal de super-heróis.

Mais de 10 anos depois, o primeiro volume de “The Umbrella Academy” finalmente terá uma adaptação, e é interessante que não seja como filme, devido às várias franquias de super-heróis que têm início ou continuam a cada ano nos cinemas Mas pelo o que o elenco e os criadores da graphic novel reforçaram, essa não é uma história comum, e a Netflix parece ser o palco ideal para ideias fora da caixa.

CCR: “Qual vocês acham que é a vantagem de uma série como essa ser exibida na Netflix, em vez de um formato de filme ou para uma canal de televisão?”

Hopper: Eu acho que a graphic novel tem muito a ser explorado, e um filme não é o suficiente para abordar a profundidade destes personagens. Quando eu vi que isso seria feito como uma série de 10 episódios, o projeto se tornou mais atraente, porque esses personagens são tão elaboradas, que você precisa de uma série para explorar o que acontece com eles. E para somar a isso, tem a questão imersiva, com a Netflix, e ter a possibilidade de assistir tudo de uma vez, acho que a Netflix é a casa perfeita para essa série.

“The Umbrella Academy” estreia dia 15 de fevereiro na Netflix. Veja o trailer.

Ana Louise
@louisemtm

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