Cinema com Rapadura

Críticas   quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Os Parças 2 (2019): improviso mal utilizado

O filme peca por se perder em subtramas que ofuscam os verdadeiros parças, deixando-os até mesmo com piadas fora de contexto em uma continuação desnecessária.

Após uma enrascada da vida ocorrida em “Os Parças” (dirigido por Halder Gomes), uma inusitada trupe se formou e, com isso, um golpe improvisado fosse realizado. Nessa continuação, era chegada a hora de conferir o que a direção de Cris D’Amato (“Sai de Baixo – O Filme”) conseguiria fazer. Isso porque Toin (Tom Cavalcante), Ray Van (Whindersson Nunes) e Pilôra (Tirullipa) aproveitaram a metade do dinheiro que receberam e gastaram tudo. O que eles não sabiam é que o restante serviria para pagar o hotel luxuoso no qual estavam hospedados, já que as demais partes do plano fracassam pelo fato de Romeu (Bruno de Luca) não ter levado a grana prometida. É assim que “Os Parças 2” tem início.

Agora o grupo precisa se esconder de um bandido que foi preso ao ser denunciado pelo sogro de Romeu em uma delação premiada. A qualquer momento ele pode sair da cadeia e, sabendo que o jovem é o único que permaneceu em solo brasileiro, ir atrás dele. É claro que essa é a desculpa perfeita para os quatro se juntarem e aprontarem ao máximo, o que suscita a pura vocação de comédia pastelão herdada da ideia original e aperfeiçoada por essa obra.

Portanto, a solução encontrada foi se esconder em um sítio do interior de São Paulo que serve como colônia de férias juvenil, mas, na verdade, utilizado para lavagem de dinheiro. Então, a ideia óbvia é reunir o valor necessário para que Romeu também saia do país e consiga encontrar sua amada Cintia (Paloma Bernardi). Porém, os projetos são muito diferentes da execução e o estado de abandono do local rende diversas cenas cômicas, dentre as quais se destacam os momentos em que Toin está lavando a louça e em que um banheiro explode.

Quando os adolescentes chegam, a confusão fica ainda pior, pois o estado em que a colônia se encontra não é nada desejável. Daí em diante, os quatro homens precisam lidar com situações ligadas à superação e ao autoconhecimento, mas nunca filmadas de forma convencional, pois Cris D´Amato faz questão de deixar os atores improvisarem. E este, diga-se de passagem, é o ponto mais interessante da continuação. A mistura de estilos e as diferentes gerações se encontram de forma orgânica, permitindo com que a improvisação esteja presente no dia a dia de filmagem, gerando resultados engraçados para o espectador.

Além de tudo isso, a narrativa é mais bem montada sem os cortes exagerados e confusos da primeira parte: as cenas têm sua estrutura encadeada justamente para permitir ao elenco fazer sua parte. São trinta e três atores, dentre os quais estão os protagonistas, destaques positivos de um longa-metragem sôfrego narrativamente. O carisma de Tom Cavalcante é inegável e ele se destaca em cada momento; o esforço dos demais é merecedor de destaque, tendo em vista que os personagens de Whindersson Nunes e Tirullipa funcionam em conjunto. Ademais, não há o que acrescentar além de sequências de esquetes infantojuvenis e de romance de folhetim que não encontra o encanto necessário para se somar ao lado cômico da história.

Do ponto de vista técnico, é uma razoável experiência cinematográfica que não confunde o espectador com a montagem e nem chama a atenção para a própria direção. Ela é limpa o suficiente para deixar o texto fluir. No entanto, em termos narrativos, o filme apresenta três atos falhos por não compreender que a motivação para a atração do público é conferir o carisma do elenco principal. Em diversos momentos, eles são ofuscados pelas necessidades impostas por tantos personagens em cena, algo dispensável. Além disso, é uma pena que a amplitude da proposta se perca diante do desperdício que o talento dos parças reunidos poderia render. 

Denis Le Senechal Klimiuc
@rapadura

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Os Parças 2 (2019)

- Cris D'Amato

Roteiro:

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