Cinema com Rapadura

Críticas   quinta-feira, 11 de julho de 2019

O Rei Leão (2019): deslumbrante viagem à África

É extraordinário o que esta versão consegue trazer em termos técnicos. A Disney conseguiu se superar e, ainda assim, emocionar.

Jon Favreau (“Chef”) conseguiu mais uma vez. Após se especializar na direção de animais digitais com seu fantástico “Mogli – O Menino Lobo”, o cineasta, que também dirigiu “Homem de Ferro” e “Homem de Ferro 2”, apresenta a sua versão da clássica e emocionante história “O Rei Leão”. E o resultado é, no mínimo, impressionante.

A história é basicamente a mesma do longa de 1994. Mufasa (James Earl Jones, de “Rogue One: Uma História Star Wars”, retornando ao papel do líder) precisa defender seu reino e tudo o que depende dele para sobreviver. Junto de sua amada Sarabi (Alfre Woodard, “Capitão América: Guerra Civil”), eles apresentam seu filho ao mundo, em cima da Pedra do Reino, diante de todos os súditos. Porém, a ausência do irmão do rei, Scar (Chiwetel Ejiofor, “O Menino que Descobriu o Vento”), na cerimônia faz com que ambos entrem em um leve conflito, mais uma vez causado pelo descaso deste. Resultado: a ganância de Scar o leva a criar um plano para destruir o rei e seu novo príncipe, que o substituirá por ordem natural, envolvido com as hienas, sobretudo Shenzi (Florence Kasumba, “Vingadores: Guerra Infinita”), a líder do grupo que o ajuda com a execução de sua maldade.

No entanto, o verdadeiro alvo desta história é Simba (interpretado em sua versão adulta por Donald Glover, da série “Atlanta”), cuja tragédia pessoal o fez fugir de seu luto e passado, indo parar acidentalmente nas mãos de Timão (Billy Eichner, “Angry Birds: O Filme”) e Pumba (Seth Rogen, “Casal Improvável”), um suricato e um javali hilários. A versão deste longa mostra que ambos podem ser ainda mais engraçados, enquanto o espectador se perderá na certeza de que está assistindo a animais de verdade conversando.

Com a produção musical de Pharrell Williams e trilha sonora composta, mais uma vez, por Hans Zimmer (“Dunkirk”), agora o espectador mergulha em um mundo hiper-realista, composto minuciosamente pela equipe de computação gráfica da Disney. Se antes a animação apresentava os personagens em versões cartunescas, com tonalidade antropomórfica em suas reações e diálogos, desta vez é possível acreditar, em alguns momentos, estar assistindo a um documentário do reino animal.

Tal zelo com o realismo dos personagens e cenários fazem com que o queixo do espectador caia, caso ele se lembre de estar assistindo a um longa-metragem completamente feito em computação. E a beleza disso é o respeito com a natureza e com o referenciado “ciclo da vida”, cuja canção está presente e ganha nuances mais profundas em seu significado. Para finalizar a composição técnica irretocável, a fotografia de Caleb Deschanel (“A Paixão de Cristo”) ajuda a levar o espectador diretamente à África.

Por sua vez, a recriação digital dos animais merece destaque justamente pelas características de suas respectivas espécies. Enquanto os leões mexem suas cabeças e têm sua pele e patas movimentadas como a espécie de verdade, o grande choque de realidade será na convivência do espectador com Timão e Pumba, os mais cartunescos da versão original. Ao contrário dos leões, que não foram feitos para interpretar e que aqui têm o seu hiper-realismo batendo de frente com a ausência de expressão, Timão e Pumba conseguiram superar a expectativa e elevar a imaginação como a Disney sempre promete fazer. Eis a receita perfeita de nostalgia com tecnologia e, quando o romance entra no ar, é comovente ouvir novamente “Can You Feel the Love Tonight” nas vozes de Donald Glover e de Beyoncé (“Dreamgirls – Em Busca Busca de Um Sonho”), que aqui dá voz à amada de Simba, Nala. 

A direção de Favreau mostra-se segura e eficaz, mas o roteiro de Jeff Nathanson (“Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”) precisava ser esculpido com mais cuidado. Os personagens ganham mais destaque, sobretudo Zazu (John Oliver, “O Parque dos Sonhos”), outro tipo que tem sua personalidade combinada ao hiper-realismo de sua construção digital. Por outro lado, o roteirista deixa o tom urgente crescente diminuir ao não dar satisfações em determinadas ações de Simba e Nala por exemplo – o que funcionava no original, mas aqui precisava de mais aprofundamento.

Se por um lado a trama principal não tem grandes alterações, o que pode incomodar por ser uma versão digitalmente atualizada da animação original, por outro é justamente o poder de uma boa história contada. Aqui, Jon Favreau conseguiu, mais uma vez, mostrar-se versátil ao abraçar um clássico infantil e trazê-lo para as novas gerações, mantendo a mesma aventura, romance e drama do original. Uma bela homenagem.

Denis Le Senechal Klimiuc
@rapadura

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O Rei Leão (2019)

The Lion King - Jon Favreau

Mufasa é o rei na savana africana, respeitado por outros animais e temido por inimigos. Seu filho, Simba, tem o pai como ídolo e aprendeu com ele sobre o ciclo da vida e a importância de manter a harmonia e dar continuidade ao reinado da Pedra do Reino. Por outro lado, o invejoso tio Scar, ex-herdeiro do trono e irmão de Mufasa, não dava a mínima para a tradição, conseguiu fazer com que o sobrinho fosse exilado, e assim assumiu o poder. Longe de casa e de todos, Simba criou fortes laços com o lêmure Timão e o javali Pumba, dois novos e fiéis amigos. Juntos, eles viverão uma jornada de descobertas e crescimento, culminando com o retorno do adulto Simba para seu lugar de verdadeiro rei.

Roteiro: Jeff Nathanson

Elenco: Donald Glover, Beyoncé Knowles, James Earl Jones, Chiwetel Ejiofor, Alfre Woodard, John Oliver, John Kani, Seth Rogen, Billy Eichner, Eric André, Florence Kasumba, Keegan-Michael Key, JD McCrary, Shahadi Wright Joseph, Amy Sedaris, J. Lee, Penny Johnson, Chance the Rapper, Josh McCrary, Phil LaMarr

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