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Críticas   domingo, 16 de junho de 2019

Alice no País das Maravilhas (1951): mergulhe na pura fantasia [CLÁSSICO]

Com traços belos e personagens repletos de personalidade, esta imaginação da obra de Lewis Carroll já entrou há muito tempo para o panteão do cinema. Como todo clássico, merece ser revisitado.

Desde que Lewis Carroll navegou pelo rio Tâmisa, a literatura infantil não é mais a mesma. Pois o aclamado escritor, na ocasião, apresentou a sua pequena amiga, cujo nome era Alice, às aventuras de uma homônima que caiu na toca de um coelho e foi parar em um mundo fantástico. A partir de então, a história se fez e, mais tarde, ganhou a clássica versão Disney, “Alice no País das Maravilhas”.

A mirabolante história de Carroll, cujas origens ganharam duas partes, uma de 1865 e outra de 1871, foi adaptada pelo estúdio de Walt Disney em 1951. Então, após os percalços financeiros e políticos da Segunda Guerra Mundial, o mundo conheceu a mais famosa das versões da sapeca garota que, curiosa, conhece um mundo de devaneios e simbolismos.

Quando Alice (Kathryn Beaumont, “As Aventuras de Peter Pan”) relutava em estudar história em uma morna tarde de verão, ela de repente enxerga um coelho branco (Bill Thompson, “Aristogatas”) de óculos e com um relógio de bolso a balançar. Apressado, seu constante grito de “É tarde! É tarde!” chama a atenção da garota, que parte em uma desengonçada perseguição. Este é o início das aventuras de Alice ou da história de uma menina curiosa e desperta que conclui e filosofa enquanto desvenda enigmas e se encanta e desencanta com criaturas mágicas.

No famoso País das Maravilhas (ou “Wonderland”, no original), Alice inicialmente continua sua perseguição ao coelho apressado, enquanto este parece sequer notar sua existência. Enquanto isso, a guria passa por agruras enquanto conversa com um gato de largo sorriso que desaparece (Sterling Holloway, “Mogli, o Menino Lobo”), uma lagarta fumante (Richard Haydn, “O Jovem Frankenstein”) cuja fumaça ganha o formato de letras, irmãos gêmeos calculistas e contadores de história (J. Pat O’Malley, “101 Dálmatas”), um chapeleiro maluco (Ed Wynn, “Mary Poppins”), flores cantarolantes e fofoqueiras e, é claro, a inesquecível Rainha de Copas (Verna Felton, “A Bela Adormecida”).

Com a produção durando longos cinco anos, é notável o cuidado com cada aspecto de cor dos personagens, assim como suas principais características. Alice, por exemplo, ganhou sua marca registrada em seu vestido azul. Já a Rainha de Copas, é impossível não associá-la às rosas carmim. Claro que grande parte desta produção merece crédito pelas canções, tão inesquecíveis quanto a paleta de cores utilizadas para colorir a animação.

Caminhando lado a lado da psicodelia aqui adotada, esta é uma das animações obrigatórias a quem quer conhecer mais da obra de Carroll, mesmo com as diferenças narrativas adotadas, à competência dos estúdios Disney em levar aos cinemas uma história que pode parecer sem pé nem cabeça. Por isso as canções soam como mãos firmes ao espectador inseguro nesta história, contudo, são repletas de significados, os quais preenchem as lacunas deixadas pela simbologia apresentada em tela. Da menina sapeca que filosofa com sua gata à intolerante e mimada rainha cercada por vassalos padronizados. Do enigmático gato que aparece e desaparece quando bem entende aos gêmeos que trazem uma trágica história com dúbia moral.

“Alice no País das Maravilhas” é um clássico irrepreensível, cuja importância técnica e narrativa o alçou ao panteão dos inesquecíveis. Apesar do pouco sucesso em seu lançamento, hoje é uma das obras que se mostram essenciais às crianças e adultos que buscam por conteúdos profundos, sem perder com isso, a graça e a ingenuidade da infância. Algo que levou Carroll a ser questionado, mas que marcou, em sua literatura, o talento fantástico inegável.

Denis Le Senechal Klimiuc
@rapadura

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Alice no País das Maravilhas (1951)

Alice in Wonderland - Clyde Geronimi, Wilfred Jackson & Hamilton Luske

Alice (Kathryn Beaumont/ Therezinha) é uma garota curiosa e cansada da monotonia de sua vida. Um dia, ao seguir o apressado Coelho Branco (Bill Thompson), ela entra no País das Maravilhas. Lá ela conhece diversos seres incríveis, como o Chapeleiro Louco (Ed Wynn/ Otávio França), o Mestre Gato (Sterling Holloway/ José Vasconcellos), a Lagarta (Richard Haydn/ Wellington Botelho) e a Rainha de Copas (Verna Felton/ Sara Nobre).

Roteiro:

Elenco: Kathryn Beaumont, Verna Felton, Ed Wynn, Richard Haydn, Sterling Holloway, Jerry Colonna, J. Pat O'Malley, Bill Thompson, Heather Angel, Joseph Kearns, Larry Grey, Queenie Leonard, Dink Trout, Doris Lloyd, James MacDonald

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