Cinema com Rapadura

Críticas   terça-feira, 23 de abril de 2019

Vingadores: Ultimato (2019): a incrível jornada que chega ao fim

Um pacote indescritível com uma homenagem a tudo de bom que a Marvel Studios fez nestes 11 anos de história.

Sentado em sua fazenda, com a respiração cansada e o olhar vagando pela bela paisagem que se apresenta diante de si, Thanos (Josh Brolin, “Deadpool 2”) finaliza a grande jornada em “Vingadores: Guerra Infinita”. O espectador daquele filme estava sem fôlego, após assistir a mais de duas horas do início de uma grande epopeia, com direito a dramas intimistas e a defesa da ordem universal. Pois agora é a vez de continuar os passos do vilão, mas, desta vez sob a perspectiva dos heróis que sobreviveram ao seu terrível estalar de dedos. “Vingadores: Ultimato” chega para finalizar a incrível jornada iniciada pela Marvel em 2008 com Jon Favreau e seu “Homem de Ferro”.

Caminhando por sua fazenda, com sua armadura descansando, fazendo as vezes de um espantalho, Thanos recebe a inesperada visita de um grupo de heróis em busca de vingança. E estes são apenas os primeiros minutos deste longa-metragem, também dirigido pelos irmãos Russo. O universo perdeu metade de sua vida e, no que se esperava ser a solução imaginada pelo vilão, transformou a natureza caótica da vida em algo ainda mais destrutivo. As guerras não cessaram, a fome prevaleceu. A mente insana de Thanos também. Por isso, a partir de agora os heróis precisam descobrir novas formas de contornar o grande horror vivido por quem sobreviveu.

A partir do estalo de Thanos, a linearidade heróica de cada um deles perdeu sentido, transformando-os em defensores que trabalham em prol do bem, mas que já não conseguem encontrar estímulo para continuar como Vingadores. Coincidentemente, os sobreviventes do grupo compõem o time do filme de 2012, a primeira reunião destes super-heróis.

Com a obrigação de dar destino a todos os personagens principais construídos pelo Universo Cinematográfico Marvel (ou MCU, em inglês), este é o tipo de filme que normalmente encontraria problemas para amarrar tantas tramas. Felizmente, a mão firme dos diretores e o belo trabalho feito pelos roteiristas Christopher Markus (“Capitão América: Soldado Invernal”) e Stephen McFeely (“Thor: O Mundo Sombrio”), consegue não só alcançar as expectativas de tantos fãs, mas, sobretudo, criar um clima tão tenso quanto divertido. Mesmo com três horas de duração.

Isso porque o drama está todo ali. A devastação está presente em cada cenário e olhar dos personagens que transitam por este filme na primeira hora de projeção. Ainda sem saber o que fazer, o Capitão América (Chris Evans) conseguiu manter sua sanidade por conta dos sobreviventes. Pois continuou seus esforços para transformar o mundo em um lugar melhor, seja para quem for, ainda que precise participar de um grupo de apoio cujos integrantes estão na mesma situação: o luto pela inexplicável ausência dos entes queridos. Por sua vez, a Viúva Negra (Scarlett Johansson) passou a liderar o que sobrou dos Vingadores, mantendo-se em contato constante com Rocket (Bradley Cooper), Nebula (Karen Gillan), Okoye (Danai Gurira), James Rhodes (Don Cheadle) e com a Capitã Marvel (Brie Larson), que retorna à Terra após uma apresentação triunfal ao novo parceiro Tony Stark (Robert Downey Jr). Enquanto todos tentam viver com suas perdas, este se redescobre. Junto de Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), sua vida ganha um novo significado, o que soa contraditório aos demais e a tudo o que os heróis passaram nas mãos do vilão.

Porém, apesar do drama, a diversão é intensa e cativa por levar o espectador diretamente às consequências agora vividas por Bruce Banner (Mark Ruffalo) e por Thor (Chris Hemsworth). Ambos sentiram o peso do que aconteceu de formas peculiares, o que significa que a necessidade de uma nova chance de salvar o que foi destruído no último filme esteja, desta vez, fora do que ambos esperavam para seus respectivos futuros. O que eles teriam vivido, com certeza, cada um ao seu jeito, se não fosse pelo retorno de Scott Lang (Paul Rudd), preso no Reino Quântico e ausente de tudo o que aconteceu nos últimos anos. Há, ainda, o arco sobre Clint Barton (Jeremy Renner), cuja atrocidade sobre sua família o transformou em alguém bastante vingativo, com sede de sangue e vítimas ao redor do mundo.

A solução, encontrada por Scott e aperfeiçoada por Banner e Stark, transforma este em um dos filmes mais ambiciosos e, curiosamente, emotivos feitos nas últimas décadas. Pois, se não bastasse a comemoração da Marvel em levar seus heróis para a tela, com dez anos em 2018, aqui é a hora de fechar os três grandes arcos ao longo de vinte e um filmes. E esta dificuldade é deixada de lado quando a ação de fato começa, já na segunda hora de duração.

O desenrolar de cada trama é sensacional. A nostalgia caminha lado a lado à diversão, ao mesmo tempo em que o filme se transforma em uma gigantesca avalanche de informações e ação. Os heróis se veem obrigados a enfrentar situações pelas quais já deveriam saber lidar, mas isso só se revela como uma grande mensagem de aprendizado. Aqui, o arco do herói ganha um novo tom e a edição de Jeffrey Ford (“Vingadores: Era de Ultron”) e Matthew Schmidt (“Homem de Ferro 3”) merece aplausos por conseguir transformar o filme em algo parecido com uma grande explosão. O início é a expansão do ar em reação aos componentes químicos e depois as suas consequências: o fogo, a bola gigantesca de ar que joga o espectador para longe. Com efeitos especiais devastadores.

Devastador, este é o efeito de “Vingadores: Ultimato”. Um gigantesco estrondo que transforma esta experiência cinematográfica em algo arrebatador, cuja vivência ficará na memória por um longo tempo. E, como uma grande explosão, o resultado será potencialmente diferente para cada um. As cenas de ação serão lembradas, com certeza. O drama e a diversão levarão todos às lágrimas e ao riso. O vilão é daqueles que luta e profere grandes discursos. Mas, sobretudo, esta é a vez do cinema encontrar seu ápice em um excelente e inesquecível filme de super-herói.

Denis Le Senechal Klimiuc
@rapadura

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Vingadores: Ultimato (2019)

Avengers: Endgame - Anthony Russo e Joe Russo

Após os eventos devastadores de "Vingadores: Guerra Infinita", o universo está em ruínas devido aos esforços do Titã Louco, Thanos. Com a ajuda de aliados remanescentes, os Vingadores devem se reunir mais uma vez a fim de desfazer as ações de Thanos e restaurar a ordem no universo de uma vez por todas, não importando as consequências.

Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely

Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Don Cheadle, Paul Rudd, Emma Fuhrmann, Benedict Cumberbatch, Chadwick Boseman, Brie Larson, Tom Holland, Karen Gillan, Zoe Saldana, Evangeline Lilly, Tessa Thompson, Rene Russo, Elizabeth Olsen, Anthony Mackie

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