Cinema com Rapadura

Críticas   sábado, 17 de novembro de 2018

Verdade ou Desafio (2018): terror insípido que não provoca medo

Mesmo contando com boas idéias em seu roteiro, longa não sai do comum.

Depois que “O Chamado” inaugurou o tipo de terror onde uma maldição passa de pessoa para pessoa quando essas assistem as imagens contidas em uma fita VHS, alguns outros filmes seguiram o mesmo padrão. Então, uma força maligna pode ser transferida entre jovens através do sexo em “Corrente do Mal”, ou um demônio pode matar quem não participa de um jogo em “Verdade ou Desafio”. Esse demônio é transferido entre os participantes eliminados por mentirem ou por fracassarem. Claro que falar a verdade ou vencer as tarefas propostas por ele não o impede de continuar a sua busca por almas.

A trama mostra um grupo de estudantes universitários em viagem de férias ao México. A mais reservada entre eles, Olivia (Lucy Hale, da série “Pretty Little Liars”), conhece um estranho em um bar que a convida para ir a uma festa. Ela aceita e leva consigo os seus amigos. No local, uma igreja abandonada, eles participam do jogo que dá nome à obra, e iniciam suas corridas pela sobrevivência.

Dirigido por Jeff Wadlow (“Kick-Ass 2”), “Verdade ou Desafio” é um terror teen que usa e abusa de alguns clichês típicos do gênero, mas que consegue ser criativo na execução de algumas sequências de tensão, principalmente quando os desafios são quase impossíveis de serem cumpridos, ou quando eles envolvem a família dos participantes. As verdades expostas também são dolorosas e acabam separando o grupo, antes unido. Mesmo a certinha Olivia possui segredos, e os mais graves afetam sua melhor amiga Markie (Violett Beane, da série “Flash”). Talvez os conflitos entre os jovens sejam mais interessantes do que a própria história sobrenatural, o que é um problema para um filme de terror.

Logicamente, os bons momentos do roteiro são atenuados pela produção capenga, que mais lembra algo feito levianamente para a TV do que para o cinema. Os efeitos visuais são dignos dos filmes B da década de 90 ao se limitar a distorcer os rostos dos atores e deixar seus olhos vermelhos quando seus personagens estão possuídos, e conferir a eles um sorriso bizarro que provoca mais riso do que medo. Parece que todo o orçamento foi direcionado à criação estética das mortes, que agradará aos sádicos por sua diversidade e grafismo.

No campo das atuações não há muita coisa a ser dita. Lucy Hale é o destaque e carrega bem sua responsabilidade como protagonista, já que possui carisma. Sua colega Violett Beane tem mais possibilidades na sua composição ao contar com o fio de história envolvendo seu depressivo pai, gerando mais dramaticidade à sua personagem. O restante do elenco serve basicamente para morrer das diferentes formas elaboradas pelas mentes dos roteiristas.

Com um final competente e que sugere o inicio de uma franquia, o longa não ofende completamente àqueles que se propõem assisti-lo, mas também descarta qualquer tipo de pretensão em convencer os que conhecem sua já saturada fórmula. O que resta é esperar impassivelmente que toda a narrativa siga um caminho resolutivo sem que o cérebro tenha que queimar um neurônio sequer.

Rodrigo Miguel
@rapadura

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Verdade ou Desafio (2018)

Truth or Dare - Jeff Wadlow

Olivia, Lucas e um grupo de amigos viajam ao México como uma despedida antes da formatura. Lá, um estranho convence um dos estudantes a jogar um aparentemente inofensivo jogo de verdade ou desafio com os outros. Ao começar, o jogo desperta algo maligno - um demônio que força os amigos a compartilharem segredos sombrios e confrontarem seus medos mais profundos. A regra é simples, porém cruel: fale a verdade ou morra, faça o desafio ou morra, e se parar de jogar, também morre.

Roteiro:

Elenco: Lucy Hale, Tyler Posey, Violett Beane, Hayden Szeto, Landon Liboiron, Sophia Taylor Ali, Nolan Gerard Funk, Sam Lerner, Gary Anthony Williams, Brady Smith, Aurora Perrineau, Tom Choi, Morgan Lindholm

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