A Disney passou recentemente por crises no mercado norte-americano. Eram animações feitas pela casa do camundongo que não decolavam nas bilheterias, filmes que acabavam tendo performance nas bilheterias abaixo do que o previsto. Foram resultados fracos ao longo de anos que fez Bob Iger, administrador contratado para fazer os estúdios se recuperarem, admitir em entrevista ao jornal econômico Wall Street que não era a crise financeira a causadora dos números ínfimos no livro de caixa dos estúdios, mas sim a escolha dos trabalhos que estavam sendo levados aos cinemas.

A declaração poderia ser logo interpretada como a de um empresário inseguro, que poderia ter sido taxada como responsável pelo "coma criativo" da Disney por anos. Mas mesmo assim, a empresa fundada por Walt Disney conseguiu, ao longo dos anos, em um processo lento e vagaroso, reformular a casa, visando um futuro promissor. A última cartada deles foi mais uma compra. Após a Pixar, agora a Marvel também entra para a carteira do megalopólio da casa do camundongo, que já conta com outros selos de distribuidora como a Touchstone e o canal norte-americano ABC.

Com a compra da Marvel, os estúdios Disney finalmente entram em uma das áreas que só eles ainda não haviam capitalizado, a dos filmes de super-heróis (compare: 20th Century Fox: "Quarteto Fantástico", "X-Men", "Elektra", "Demolidor"; Warner: "Superman", “Batman”; Paramout: "Homem de Ferro", "Hulk"). A única produção dentro desta área foi a animação em 2003 "Os Incríveis", da Pixar.

Os mais de 5 mil personagens da Marvel, que vieram junto com os 4 bilhões de negociação, certamente devem abrir espaço para que a Disney lance uma nova franquia, fato que não faz desde "Piratas do Caribe" (2003) e "A Lenda do Tesouro Perdido" (2004). Além disso, a nova negociação deve abrir espaço para um novo público-alvo para eles, o sexo masculino, principalmente os jovens, atraindo-os para cinema, sites, parques temáticos e claro o "merchandise", fato que até agora só estava voltado para meninas com filmes como "High School Musical", "Hannah Montana" e a banda Jonas Brothers. Mas, por baixo do nariz de muita gente, antes mesmo da negociação com o selo dos quadrinhos, a Disney vinha ao longo dos anos se preparando para voltar ao mercado. Basta conferir:

A Disney está bancando produtores e diretores importantes como Jerry Bruckheimer (produtor de "Prince of Persia"), Robert Zemeckis("A Casa Monstro"), Tim Burton ("A Fantástica Fábrica de Chocolate"), Jonathan Mostow ("O Exterminador do Futuro 3"), Rob Marshall ("Memórias de Uma Gueixa"), Jon Turteltaub ("A Lenda do Tesouro Perdido") e McG ("O Exterminador do Futuro – A Salvação") em refilmagens de clássicos: "Um Conto de Natal", "Alice no País das Maravilhas" "Swiss Family Robinson", "20.000 Léguas Submarinas" e "Tron" ou adaptar conhecidos jogos como "Prince of Persia: The Sands of Time", seriados de TV como "The Lone Ranger" ou até mesmo segmentos da animação "Fantasia" com o "The Sorcerer's Apprentice". Ainda vem por aí­, um quarto episódio da franquia de "Piratas do Caribe" assim como um terceiro episódio de "A Lenda do Tesouro Perdido".

E não pára por aí. Steven Spielberg ("A.I. Inteligência Artificial") deve também lançar seus novos filmes, via DreamWorks, não só nos cinemas através da Touchstone, como no canal a cabo norte-americano Starz, que faz parte das empresas Disney.

Outro boato que existe em Hollywood é quanto ao braço dos filmes independentes lançados pela Miramax. Mas o presidente dos estúdios Disney, Dick Cook, diz que tudo está tranquilo. "Não há placa de 'vende-se', na Miramax. É um ótimo lugar para se encontrar novos talentos e dar vida a projetos interessantes", disse.

Quanto a animações, a Disney também luta para retornar aos seus dias de glória. Com John Lasseter a frente, responsável pelos primeiros sucessos da Pixar Animations, a Disney prepara o lançamento de "A Princesa e o Sapo". Além deles, "Rapunzel" e "The Bear and The Bow" estão sendo planejados para as festas de fim de ano de 2010 e 2011. "Toy Story 3" também deve chegar aos cinemas em 3D no próximo verão norte-americano, e com direito a lançamento do segundo filme da franquia em 3D também nos cinemas. "Carros 2" está em andamento para chegar aos cinemas em 2011, tempo necessário para os estúdios terminarem a construção do seu novo parque temático Carros na Disney da Califórnia.

Quem achou que a Disney estava em baixa, pode se preparar para os próximos anos, porque a gigante casa do camundongo não vai se deixar abalar pela crise e retornará das cinzas, assim como a Fênix.