“Cinema é uma coisa que você faz pra ver como é que fica”. Com essa frase de Julio Bressane, o diretor do longa "Budapeste", Walter Carvalho, respondeu à primeira pergunta de uma série de outras que se seguiram por 1 hora e meia de conversa com a imprensa na segunda-feira, 11 de maio, em São Paulo.
Rita Buzzar, a produtora e roteirista do filme, explicou o processo de adaptação da obra literária de Chico Buarque para as telas do cinema. O compositor tinha receio a respeito do processo de adaptação, mas participou das etapas, dando sugestões. “Ao todo, foram sete versões [do roteiro]. Fui, aos poucos, tomando a liberdade de inventar outras situações que não existem no livro, e são específicas no roteiro. Mas sempre com o conhecimento de Chico”, afirmou a roteirista.
Contando a história do desentendimento linguístico em torno dos personagens, a comunicação não foi inicialmente difícil só para o personagem de Leonardo Medeiros, que esbarra por acaso na amarela Budapeste e passa a murmurar palavras em húngaro durante seus sonhos, quando está de volta ao Brasil.
A equipe de filmagem tinha o tempo todo um tradutor para dar as ordens que Rafael Salgado, assistente do set, pronunciava em português. Com o tempo, ele próprio passou a se aventurar com pequenas frases e cumprimentos em húngaro, como “bom dia” ou “silêncio, vamos gravar”. A equipe húngara, por sua vez, também ensaiou frases em português.
Segundo Walter Carvalho, nenhuma das línguas eram pronunciadas corretamente, mas ainda assim, a comunicação acontecia e servia para aproximar as duas equipes.
Para ele e para o elenco, os diálogos e expressões mais bonitas foram criados a partir do improviso nas cenas. Walter Carvalho cita, em especial, a cena em que Kriska (Gabriella Hámori) e Costa (Leonardo Medeiros) estão andando pela rua quando acabaram de se conhecer. Quando Kriska fala que fará o húngaro entrar na cabeça de Costa. A frase foi inventada na hora por Gabriella.
Dentre as curiosidades do primeiro dia de filmagem, Walter ressaltou que a atriz Gabriella Hámori reclamou da pronúncia do nome de sua personagem. “Não é Kriska, é Kika. Não existe esse apelido na Hungria”, ressaltou a atriz. A licença poética de Chico Buarque, no entanto, foi mantida.
“O Walter é uma pessoa que vive no mundo da imagem. Ele concebe as cenas pela imagem”, comentou Leonardo Medeiros. Carvalho realmente leva a sério o frescor das imagens, por isso, fez questão de “esconder” Medeiros no hotel, quando esse chegou a Budapeste. Os dois atores principais fizeram os ensaios com Walter isoladamente, e só se viram pela primeira vez no exato momento em que Kriska e José Costa também se conhecem, em uma livraria. “O plano que está no filme é o primeiro. Fizemos três, mas valeu o primeiro”, confidenciou Walter.
"Budapeste", co-produzido por Brasil, Hungria e Portugal, estreia nas principais salas de cinema do circuito nacional em 22 de maio.


























