O terceiro filme dirigido pelo realizador mexicano Carlos Reygadas ("Japão") dividiu opiniões em sua exibição no 18° Cine Ceará. Apesar de "Luz Silenciosa" ser considerado um dos melhores trabalhos de Reygadas, alguns espectadores chegaram a deixar a sala antes que a projeção terminasse, provocando certo desconforto em quem ficou.
A película, filmada em 35mm, trouxe traços já característicos de seu diretor: longas seqüências, uma dedicação quase poética com a imagem e pouca preocupação com diálogos – que parecem ser desnecessários na visão de Reygadas. A visão pessimista, mostrada através das duras marcações de luz e personagens, foi motivo de comentários após a sessão.
Co-Produção entre México/França/Holanda, "Luz Silenciosa" mostrou-se afinado em sua bela fotografia, mas excessivamente contemplativo. A ficção do cineasta foi ambientada em uma pequena comunidade no estado de Chihuahua, onde a língua falada é o holandês antigo. "Está casado, ama muito sua família, seus filhos e sua mulher, mas está apaixonado por outra mulher”, contou Reygadas sobre o personagem central de sua trama.
Diante de um conflito interno, onde se busca a medida ética para a vida em conjunto, o filme utilizou cerca de 35 mil euros em sua produção e foi enviado como representante do México no Oscar deste ano. Apesar de não ter ficado entre as indicações, o longa-metragem foi bem recebido pelos festivais por onde passou. "É muito importante para os filmes que não se baseiam em estrelas ou que não seguem o mercado de Hollywood poder ir a Cannes. Sinto que tenho sorte por ter sido levado em consideração”, disse o cineasta à publicação AP.


























